O mercado de inverno raramente traz garantias, traz escolhas. E a escolha do Sporting chama-se Souleymane Faye. Apostando no mercado de inverno para acrescentar soluções ao ataque, o Sporting Clube de Portugal garantiu a contratação do internacional senegalês junto do Granada CF. Aos 22 anos, assinou até 2030 e fica protegido por uma cláusula de rescisão de 80 milhões de euros, num sinal claro de que a SAD acredita no teto competitivo do jogador.
Faye é, antes de tudo, um extremo de rutura. É um jogador de arranque forte e atua preferencialmente a partir do corredor direito, mas tem capacidade para aparecer também do lado esquerdo, algo importante num plantel que valoriza atacantes capazes de trocar de faixa durante o jogo. A sua principal virtude está na forma como atira a equipa para a frente. Acelera com bola, procura o duelo direto e tem tendência a ganhar metros com condução em progressão, especialmente quando recebe com espaço para atacar o lateral.
Fisicamente, Faye encaixa no perfil moderno de extremo, explosivo no arranque, resistente na repetição de esforços e com disponibilidade para atacar o espaço nas costas da defesa. Não é apenas velocidade pura, há ali potência para sustentar o contacto em corridas longas e para insistir em lances de alta intensidade.


Vem de um contexto competitivo diferente, com destaque recente na segunda divisão espanhola, mas sem aquele “carimbo” que elimina a interrogação sobre a adaptação ao patamar do Sporting. Tecnicamente, não é um “extremo de enfeite”. O seu jogo vive de decisões verticais: receber, enquadrar e atacar o espaço, seja por fora para dar largura e chegar à linha, seja por dentro em movimentos mais curtos para ganhar ângulo de remate ou soltar no momento certo.
O enquadramento tático parece simples de imaginar. Faye pode oferecer ao Sporting uma alternativa para jogos em que a equipa precisa de mais largura e agressividade no um para um, sobretudo contra blocos baixos que fecham o corredor central. Se, por um lado, dá capacidade para esticar o campo e fixar o lateral adversário, por outro também permite que o avançado e os médios ofensivos tenham mais espaço para receber e combinar. Além disso, o facto de poder atuar nos dois corredores dá ao treinador margem para o gerir conforme o contexto.
No entanto, há o contexto interno. Faye chega a um plantel que já tem várias soluções para as alas/terços ofensivos — Trincão, Quenda, Catamo, Luís Guilherme, Pote, entre outros — ou seja, entra numa concorrência real, onde os minutos se conquistam com rendimento imediato. Se for um extremo “apenas” elétrico, mas irregular, arrisca-se a ficar preso à etiqueta de alternativa de banco; se conseguir acrescentar consistência (especialmente na tomada de decisão e na resposta defensiva), pode transformar-se numa peça útil para diferentes planos de jogo.
Souleymane Faye tem ferramentas para ser útil, sobretudo como agitação e profundidade num plantel que por vezes precisa de quebrar rotinas, mas o salto para o Sporting obriga a uma evolução clara: decidir melhor, ser mais consistente e aparecer mais vezes onde se ganham jogos. A contratação pode revelar-se inteligente ou apenas prudente. A diferença vai estar na capacidade do senegalês em transformar o seu potencial em rendimento, e rendimento em hábito.

