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No jogo em que Portugal bateu a Itália em Genebra, os 90 minutos chegaram para confirmar algo de que já me tinha apercebido há algum tempo: a seleção italiana atravessa uma crise de identidade e não é capaz de apresentar um modelo de jogo e uma base bem definidos. A equipa precisa de referências urgentemente, e o facto de Buffon e Pirlo estarem a “dar as últimas” só torna esta necessidade mais gravosa.

Ainda assim, os mesmos 90 minutos revelaram um oásis de esperança em forma de médio: Andrea Bertolacci. Há três épocas no Génova, fez formação na AS Roma, e conta com três internacionalizações pela squadra azzurra, tendo sido um dos poucos jogadores que, frente à Seleção portuguesa, demonstrou vontade e ideias para acordar a equipa da apatia que a tem caracterizado ultimamente.

“Formiguinha operária” com faro de golo

O estilo não engana. Bertolacci é o típico médio trabalhador, da mesma casta de João Moutinho. Prefere jogar na posição de ‘box-to-box’, como fez frente a Portugal, e tem uma precisão de passe bastante apurada. Longe de ser exuberante, faz da regularidade a sua principal arma, razão para ter terminado a época como um dos jogadores mais utilizados no Génova: 35 jogos.

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Também não se coíbe de, quando a oportunidade surge, chegar perto da área adversária. Não é raro vê-lo começar os jogos mais perto dos avançados, graças à capacidade de retenção de bola e boa finalização: esta temporada melhorou o seu registo de golos (seis, no total), contribuindo de forma direta para o interessante 6.º lugar da sua equipa na Liga. Gosta de ter o esférico colado ao pé e protege-o bem, libertando-o apenas quando tem a certeza de fazer um passe acertado ou remate.

Bertolacci foi um dos principais responsáveis pela boa época do Génova Fonte: Página do Facebook de Andrea Bertolacci
Bertolacci foi um dos principais responsáveis pela boa época do Génova
Fonte: Página do Facebook de Andrea Bertolacci

Adeus ao Luigi Ferraris?

O AC Milan é um dos interessados na sua contratação e, nos últimos dias, foi noticiada a pretensão da Roma em resgatá-lo. É claramente um médio talhado para voos mais altos, já que alia todos os seus recursos técnicos acima descritos a uma boa visão de jogo e consciência tática acima da média.

Num futebol a caminho da estagnação, surge como um dos produtos mais evoluídos e condizentes com o futebol atual produzidos pela escola italiana. Ainda terá de esperar pela sua vez para assumir o estatuto de indispensável na sua seleção (Pirlo, De Rossi e Marchisio são hierarquicamente superiores), mas não tenho dúvidas de que poderá ser uma das referências no futuro. A partir daqui, é para ser seguido com atenção.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Andrea Bertolacci