A liderança do Giro d’Italia tem, até ao momento, um dono português. Desconhecido para muitos, João Almeida entrou nas conversas e no vocabulário de quem gosta de ciclismo pelos melhores motivos. Aconteça o que acontecer, a vida do jovem ciclista mudou depois da última semana em que tem envergado a camisola rosa.

Natural das Caldas da Rainha, o homem da Deceuninck – Quick Step começou a colecionar medalhas desde muito novo. Em 2014, com apenas 15 anos, sagrou-se campeão nacional de estrada e de contrarrelógio na categoria de cadetes. Passados dois anos, voltou a fazer o bis, mas em júniores, estabelecendo-se como uma das maiores promessas da modalidade.

No entanto, as conquistas não terminaram por aqui. Em 2019, João Almeida voltou a ganhar as duas categorias dos campeonatos nacionais de estrada, mas desta feita na categoria de esperanças (Sub-23). Com um currículo invejável para a tenra idade, o caldense saltou, em 2020, para uma equipa do World Tour, a Deceuninck, que tem alguns dos nomes mais talentosos do ciclismo mundial.

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Depois de se estrear a pedalar numa clássica, o Giro di Lombardia (que não terminou), o jovem ciclista entrou na lista da sua equipa para o Giro d’Italia. Partindo em teórica desvantagem perante os colegas mais experientes, o português surpreendeu ao ficar em segundo lugar no primeiro contrarrelógio individual.

Na terceira etapa, que ligava os montes Enna e Etna, terminou no 11.º lugar. Essa posição foi suficiente para agarrar a camisola rosa, de líder da competição. Desde esse dia, nunca mais a largou. Foi o terceiro português a chegar a líder de uma grande volta, juntando-se a nomes como Joaquim Agostinho (na Vuelta) e Acácio Silva, curiosamente na mesma etapa do jovem João Almeida.

Esta sexta-feira é o décimo dia em que veste a maglia e, pelo caminho, já ganhou 34 segundos aos mais diretos perseguidores. Com muita estrada e montanha pela frente, os grandes nomes como Nibali ou Rafal Majka prometem morder os seus calcanhares, mas todo o caminho que percorreu já é de louvar.

Além do já duro percurso, as condições climatéricas não ajudam em nada os atletas. Com mais de uma semana até à chegada a Milão, muita coisa pode acontecer. A falta de experiência numa competição com três semanas pode ser um grande problema para o caldense, mas é notória a ajuda dos colegas na missão de, pelo menos, conseguir um lugar no Top 10.

Apesar de ser mais forte no terreno “plano” e menos conhecido por ser um bom trepador, temos assistido a uma grande resiliência por parte do ciclista. No final, aconteça o que acontecer, João Almeida já colocou o ciclismo português num patamar mediático como há muito não se via.