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No topo dos melhores marcadores da Eredivisie, chamam a atenção os nomes de Dirk Kuyt ou Luuk de Jong, figuras populares entre os adeptos de futebol pelas internacionalizações somadas e pelo percurso dos dois atletas. Escondidos debaixo do “star power” que estes nomes emanam, aparece Sébastien Haller, ponta de lança francês de 21 anos que já leva 11 golos em 17 jogos disputados, correspondendo da melhor maneira às expectativas nele depositadas depois de, na última metade da época anterior, ter assinado os mesmos 11 tentos nas mesmas 17 partidas, afirmando-se definitivamente como homem-golo após quatro anos de “falsos arranques” no Auxerre.

Tudo somado são 21 golos em 33 jogos com a camisola do Utrecht para este possante avançado de um metro e 87 centímetros. Os números, porém, enganam se não forem devidamente dissecados. É certo que Haller tem 10 golos esta temporada, mas actua numa liga conhecida pelo seu futebol positivo (aberto e com pouco compromisso defensivo) com defesas normalmente frágeis, e metade dos tentos foram conseguidos através da marca de grande penalidade.

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Haller marca muito, sim, mas tem à sua volta um contexto táctico muitíssimo favorável e oportunidades de golo algo “sintéticas” (fraca contribuição de golos de bola corrida na sua conta pessoal). Ou seja, noutro âmbito, provavelmente Haller não seria um goleador… mas pode muito bem vir a sê-lo. Para já, pela qualidade que vai revelando, teria um contributo importantíssimo num campeonato mais competitivo do que o holandês numa equipa que o visse como referência ofensiva única, pois não se esquiva ao contacto físico e ganha muitas bolas aéreas. Haller “apara” passes longos como poucos, e da sua cabeça a bola salta quase sempre “jogável” para a sua equipa, oferecendo-lhe ataques prometedores.

Imagem comum esta época: Haller marca e deixa a euforia para os adeptos e colegas de equipa Fonte: FC Utrecht
Imagem comum esta época: Haller marca e deixa a euforia para os adeptos e colegas de equipa
Fonte: FC Utrecht

Isto revela a disponibilidade física do jogador mas também a sua inteligência táctica, à qual dá uso para contribuir defensivamente e vagabundear no último terço do terreno, abrindo espaços de formas variadas: traz defesas consigo quando tem marcação feroz e, quando essa não existe, permite-se a ter toques de génio que isolam colegas ou o colocam, a ele, em zonas de remate.

É assim Haller, um jogador inteligente e corpolento, aguerrido na luta com os centrais, mas com a suavidade e subtileza dos génios quando a circunstância do jogo o requer.

Na Holanda, e mesmo em França, já o comparam a Thierry Henry. Imagino-o um pouco além disso. Haller tem potencial para ultrapassá-lo, porque Henry, com 21 anos, estava num patamar de qualidade técnica inferior à de Haller actualmente, não tinha os mesmos índices físicos (exceptuando a velocidade) e não era dotado da leitura e inteligência táctica de “Super Sébastien”.

Foto de Capa: FC Utrecht