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Que jogos devo rever nesta Quarentena? Olympique de Marseille 1-2 SL Benfica

Pedro Cantoneiro · 3 min

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Que jogos devo rever nesta Quarentena? Olympique de Marseille 1-2 SL Benfica

Em tempo de quarentena aproveite para recordar aquele SL Benfica de 2009/10, mas o confronto do Vélodrome frente ao Olympique de Marseille assume-se como uma das referências da mítica temporada pelo peso da história e pelo impacto da segunda mão no imaginário encarnado.

Depois do empate em Lisboa a uma bola, quando Ben Arfa silenciou a Luz nos instantes finais, foi a vez do Benfica se superiorizar em Marselha, em 90 minutos de intensidade máxima e demonstrativos da qualidade individual que desfilava no relvado.

O Olympique de Marseille era comandado por Didier Deschamps, actual seleccionador gaulês e campeão do mundo. Após levar o Mónaco à final da Liga dos Campeões e revitalizar uma Juventus FC abatida pelo Calciocaos, recuperando-a sem esforço da Serie B, uma das figuras do Olympique campeão europeu em 1993 voltava a casa para conferir identidade a uma equipa de nível superior, que se transcendeu com as contratações de Lucho González, Gabriel Heinze e Stéphane M’Bia e conquistou a Ligue 1 e a Coupe de La Ligue, vitórias que integraram a imprevísivel fase das competições francesas entre o domínio do Lyon e o monopólio do PSG.

O SL Benfica começava naquele ano a construir as bases para o sucesso da segunda década dos 2000 e aquela equipa tornou-se de culto à custa de jogos como este – o ambiente no Velódrome era de cortar à faca e era obrigatório marcar para passar aos quartos-de-final da Liga Europa.

Da primeira mão saíram do XI Aimar e César Peixoto, entrando Carlos Martins e Coentrão para os seus lugares. O Benfica exibiu-se na sua abordagem habitual, com o losango intermediário a carburar e a garantir ao Benfica uma consistência tática que permitiu disputar o jogo e superiorizar-se à equipa da casa. Nunca os jogadores do Benfica se sentiram amedrontados perante a responsabilidade daquele jogo e a exibição desinibida demonstrou-o.

Ramires garantiu o acompanhamento necessário a Javi Garcia no choque tático com Lucho e Cheyrou; Di Maria tem em França uma das suas grandes exibições de águia ao peito, e garantiu com Saviola os desequilíbrios necessários para se colocarem (a eles próprios e a Cardozo) em boa posição para marcar inúmeras vezes – acontece que até ao golo de Maxi, aos 75′, a condescendência encarnada na finalização adiou o descanso na eliminatória.

O Marseille tinha em Taiwo, lateral nigeriano cobiçado muitas vezes pelo Benfica, uma locomotiva que percorria todo o corredor esquerdo e que permitia a Brandão aproximar-se de Niang na zona central. Porém, a presença física da dupla nos arrabaldes de Luisão e David Luiz nunca representou uma ameaça à organização defensiva encarnada. O golo marselhês nasce de um lance fortuito, após livre lateral, numa saída em falso de Júlio César.

Há muitos jogos a recordar daquele SL Benfica de 2009-10, mas o confronto com o Marseille assume-se como uma das referências de uma temporada mítica.
Foi o ponto alto da passagem de Kardec pelo Benfica, onde fez 43 jogos e oito golos durante o ano e meio que passou em Lisboa
Fonte: UEFA

Jesus, que previra na antevisão que tanto o Benfica como o Marseille marcariam, acertou também em cheio nas substituições: lançou Aimar para o lugar de um esgotado Saviola e, retirando Carlos Martins, introduziu Kardec na peleia. Do brasileiro viria o golo decisivo, aos 90’, após livre do genial número 10, que revolucionou o jogo ao entrar em campo.

Com Aimar na sala de operações, a qualidade de posse bola encarnada aumentou drasticamente, com o avanço das linhas de pressão a encurralar o onze adversário na sua própria metade e possibilitando a recuperação quase imediata da posse de bola, tornando-se num jogo de sentido único na sua fase decisiva.

Ganharia o Benfica com toda a justiça. A vingança, sendo um prato que é preferível servir-se frio, foi servida pelos encarnados com a frieza das grandes equipas. Aliás, foi tão bem aplicada que, o herói da primeira-mão, Ben Arfa, entrou após o segundo golo e foi expulso um minuto depois, por pontapear Alan Kardec. Temperamento demasiado quente para tanto gelo.

Artigo revisto por Joana Mendes

Quarentena

Pedro Cantoneiro

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