Dia 10 de Fevereiro de 2018, o dia mais glorioso do futsal português, sem dúvida alguma. Mas antes de reviver as emoções deste dia mágico, vou só contextualizar o evento e o local, para melhor entendimento dos nossos prezados leitores.

Arena Stozice, em Liubliana, capital da Eslovénia, num campeonato da Europa imaculado da equipa portuguesa, com quatro vitórias em outros tantos encontros, perante uma Espanha a fazer um Europeu bem mais discreto, com triunfos bem menos brilhantes e por conseguinte um pouco menos de favoritismo teórico nesta final, mas com um palmarés demasiado vasto para ser um oponente desvalorizável num jogo decisivo.

O jogo mal tinha arrancado e começou da melhor maneira para o nosso lado, com um tiraço de Ricardinho a entrar no canto superior da baliza de Paco Sedano logo no minuto inicial. Não podíamos desejar uma melhor entrada na partida, apesar da Espanha ainda ter conseguido empatar antes do intervalo.

Já na segunda parte, após um livre estudado e devido a uma falha grave na marcação a Lin, a Espanha virava assim o marcador e punha-se em boa posição para poder conquistar o troféu. Nos minutos finais, o placard favorável aos nossos vizinhos obrigava Jorge Braz o apostar no guarda-redes avançado, e a partir daí começou a aparecer o verdadeiro herói desta noite.

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Depois de uma jogada coletiva brilhante, aparentemente simples mas com um nível de execução perfeito, a culminar com um desvio à boca da baliza de Bruno Coelho, limitado fisicamente, mas a dar o exemplo de verdadeiro patriotismo e amor ao país. Mas nem sempre é humanamente possível, tal como sucedeu com Ricardinho no prolongamento.

Por mais que viva, não consigo esquecer a cara de pânico do melhor jogador do mundo ao tombar e perceber, naquele momento, que seria impossível regressar a este jogo. Nesta fase do encontro, ao ver o nosso jogador mais influente a sair por lesão, o cenário estava a ficar muito parecido com o do Euro 2016 em futebol, quando Cristiano Ronaldo também saiu por lesão, faltava “apenas “ o nosso “Éder”, aquele herói capaz de desequilibrar o resultado a nosso favor no prolongamento.

Pouco tempo depois, com a sexta falta espanhola, surge uma oportunidade de ouro, um livre direto de dez metros a ser apontado e convertido por Bruno Coelho, num golo muito festejado um pouco por todo o país, independentemente da nossa cor clubística, tal como a defesa miraculosa de André Sousa nos segundos finais, contando com a ajuda do poste.

Mal soou a buzina, pudemos festejar uma conquista inédita, na nossa segunda final, depois de 2010.

Foi Bruno Coelho que marcou o golo decisivo no prolongamento, dando a maior alegria ao futsal português em termos de seleções
Fonte: UEFA

Numa altura em que os heróis são todos aqueles que em tempos complicados necessitam de sair para o trabalho todos os dias para assegurar serviços essenciais e indispensáveis aos cidadãos, como a saúde, segurança ou o acesso a bens de primeira necessidade, uma boa sugestão é recordar este glorioso dia em que atingimos o topo a nível europeu e, pelo menos até 2022, seremos campeões continentais.

Foto de Capa: UEFA

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