Este jogo é daqueles que dificilmente se esquece. Pelo contexto, pela emoção, pelo que estava em causa para as duas equipas, pelas adversidades e, acima de tudo, pela História. Quem disse que um jogo épico tem obrigatoriamente de ser um duelo entre dois tubarões do futebol? O Manchester City 3-2 Queens Park Rangers, na época 2011/12, terá sido o retrato perfeito de que entrar nos descontos a ganhar pode resultar…numa derrota.

Primeiro, o contexto. Dia 13 de maio de 2012, tarde de sol em Manchester, última jornada do campeonato e ainda muitas coisas por decidir. De um lado, os citizens precisavam de triunfar (ou obter um resultado igual ou melhor ao do rival) para alcançar um título que lhes fugia há 44 anos. Do outro, o QPR lutava pela sobrevivência no principal escalão do futebol inglês e, em caso de derrota, corria o risco de cair para a zona de despromoção.

Vamos ao jogo. A formação orientada por Mancini entrou igual a si própria – apesar de alguns nervos à mistura –, perante uma equipa com mais cautelas defensivas e sempre de olho no contra-ataque. Avançava o relógio, sucediam-se as oportunidades e os golos tardavam em aparecer. No reduto do Sunderland, já o Manchester United se encontrava a vencer com um golo de Rooney (resultado que manteve até final), algo que, virtualmente, daria o título aos red devils.

A meia dúzia de minutos do intervalo, Zabaleta tentou a tua sorte na sequência de uma jogada bem desenhada e aproveitou, assim, uma má abordagem de Kenny para inaugurar o marcador, recolocando sua equipa mais perto do título. E mais…a formação visitante foi para o intervalo num lugar de descida, face à vantagem do Bolton no reduto do Stoke City, o que obrigava a uma reação…

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Ora, tudo seria diferente nos primeiros minutos do segundo tempo. Com a clara pressão de alcançar outro resultado, a turma de Mark Hughes foi oportunista logo a abrir e soube aproveitar uma falha defensiva adversária, com o golo do empate a ser marcado por Cissé. Mas as surpresas não se ficariam por aqui

Joey Barton receberia ordem de expulsão após um lance com Agüero e, mesmo em inferioridade numérica, a formação visitante surpreenderia mesmo o mundo do futebol ao alcançar uma reviravolta inesperada, por intermédio de Mackie. Tudo isto numa altura em que faltava pouco mais de vinte minutos para o fim do tempo regulamentar.

Fonte: Manchester City FC

Mancini apostou tudo o que tinha a apostar – lançando Dzeko e Balotelli – e, além destes, muitos outros foram sempre esbarrando na muralha defensiva contrária, com múltiplos lances a não serem concretizados de uma forma inacreditável. Uffa, era mesmo daquelas coisas de levar as mãos à cabeça. A verdade é que o cronómetro caminhava para os 90’ e o resultado teimava em não se alterar. Até que…

…viria a outra reviravolta inesperada. Já em tempo de descontos, Dzeko saltou mais alto na sequência de um canto e cabeceou para o 2-2. Voltava a aparecer uma luz de esperança para os citizens e também uma incógnita desmedida para os red devils, que já se preparavam para festejar o vigésimo campeonato da História. Contudo, tal feito ficaria mesmo para a época seguinte.

Num daqueles momentos que o futebol consegue proporcionar tão bem, Agüero ganharia uma bola dentro da grande área aos 94’ e remataria para o fundo das redes, dando a cambalhota no marcador, na tabela classificativa e garantindo ainda o terceiro campeonato inglês ao Manchester City…44 anos depois. Emoções incontroláveis e até mesmo arrepiantes para quem ainda hoje se lembra destas imagens. Confesse lá!

A verdade é que, apesar do resultado final, também o QPR garantiu a permanência na Premier League, face ao empate do Bolton. Havia motivos para sorrir para todos os que se encontravam no Etihad.

O caminho dos citizens para chegar ao título foi longo e recheado de sobressaltos. Basta recordar que, duas semanas antes deste duelo épico, o City vencera o United por 1×0, colara-se ao rival no primeiro lugar e com a nuance de que o épico 1×6 em Old Trafford significava uma vantagem no confronto direto entre os dois clubes.

E o futebol é mesmo isto… É capaz de nos proporcionar tudo e mais alguma coisa, até mesmo aquilo que às vezes já parece impossível. Sensações indescritíveis, momentos inesquecíveis e emoções à flor da pele. É futebol…

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES: 

Manchester City: Joe Hart, Pablo Zabaleta, Vincent Kompany, Joleon Lescott, Gaël Clichy, Gareth Barry (Edin Dzeko, 69’), Yaya Touré (Niguel de Jong, 46’), David Silva, Samir Nasri, Kun Agüero e Carlitos Tevez (Mario Balotelli, 76’).

Queens Park Rangers: Paddy Keny, Clint Hill, Nedum Onuoha, Taye Taiwo, Anton Ferdinand, Shaun Wright-Phillips, Joey Barton, Shaun Derry, Jamie Mackie, Djibril Cissé (Armand Traoré, 55’) e Bobby Zamora (Jay Bothroyd).