Recordar é Viver | Mesut Ozil, o último grande “10”

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No futebol existem sempre aqueles jogadores que não são consensuais para ninguém. Uns gostam, outros não… Muitas das vezes são criticados, noutras são amplamente elogiados.

Sempre existiram jogadores que, por uma ou outra característica, são mais propensos à crítica, essencialmente negativa, porque esta é mais fácil de fazer quando tudo está mal. Quando um jogo corre mal para uma equipa, a culpa é de 11 homens, não é de um só. E normalmente, nestas situações, o culpado é o maior génio da equipa, mas eu até percebo isto, talvez seja um mecanismo de defesa que o adepto cria na sua cabeça para tentar levantar a moral do seu fantasista, ou talvez não.

Há muitos anos que vejo futebol, e há muitos anos que o futebol me apaixona, e muito desta paixão vem, claro está, dos seus intérpretes. Nunca me baseei muito em números ou em estatísticas, se me perguntarem sobre jogadores que gostei de ver jogar, provavelmente vão surpreender-se com as respostas, porque são sempre, ou quase sempre, fora da caixa.

Eu vi jogar Zidane, Ronaldinho, Kaka, Sneijder, Seedorf, David Silva, enfim tantos outros trequartistas de classe mundial… Mas também vi jogar aquele tipo de jogador que “as ruas” nunca se vão esquecer, como, por exemplo, Ben Arfa, Taarabt, Kevin Prince Boateng, Pablo Aimar…

No entanto, existe um jogador que sempre se movimentou nas sombras de todos os outros, porque era aclamado por uns, criticado por outros, mas o que é facto que a sua qualidade era inegável.

Lembro-me como se fosse hoje de ouvir falar de um rapazinho franzino que despontava no histórico Schalke, diziam que era uma espécie de falso extremo. Mesut Ozil já tinha uma precisão de passe e visão de jogo que podiam ser de elite, mas claro que isso ainda não se sabia, tendo em conta o contexto e a sua idade.

De olhos “esbugalhados”, sempre abertos, quase como se nunca dormisse, o eterno mago alemão começava a suscitar curiosidade no seu país, até que o Werder Bremen decidiu avançar para a sua contratação. 

Achei estranho como é que uma equipa como o Schalke tinha permitido a saída de um jovem como tamanho potencial, quando era conhecida por apostar e valorizar este tipo de ativos, mas continuei a acompanhar a sua história e o seu percurso com muita atenção.

Em Bremen, fez 109 jogos, apontando 17 golos e 45 assistências, números que não eram nada normais para uma equipa que não era de todo um gigante alemão. As coisas corriam bem, e o caminho natural abriu portas ao internacional alemão na capital espanhola.

Chegava ao Bernabéu um autêntico diamante por lapidar, o tal falso extremo que falavam, vinha iluminar Madrid. Na cidade madrilena coincidiu com Kaka, algo que não lhe permitiu assumir imediatamente a batuta da equipa, forçando-a a jogar mais encostado a uma das alas do ataque, na tal posição onde diziam que se podia celebrizar enquanto jogador. Mas quem percebia de futebol, via que estava ali algo mais que um jogador de faixa, ali estava um perfecionista, um maestro como já não havia, ali estava o sucessor do seu companheiro Kaká.

Em Madrid jogou muito, 159 jogos nas pernas, com 27 golos e 68 assistências, mas a vida na cidade madrilena parecia terminar para Mesut Ozil. Seguiu-se Inglaterra, e o Arsenal, onde deixou provavelmente a sua maior marca pessoal e foi consagrado como um dos melhores da história dos “gunners”, ao lado de lendas como Thierry Henry e Dennis Bergkamp.

Mas nem tudo foram rosas na sua carreira, porque como disse logo de início, foi sempre um jogador criticado pelos “leigos” do futebol, que não compreendiam o tamanho do seu génio. As suas assistências era pura poesia, que o diga CR7 que marcou muitos golos à conta do internacional alemão, mas todas as suas movimentações indicavam que a sua cabeça pensava muito à frente de todos os outros.

Não era um jogador propriamente rápido, disfarçava muitas das vezes algumas curtas debilidades que pudesse ter com a magia que tinha na ponta das botas, mas foi um jogador que foi brilhante em todas as fases da sua carreira.

Na minha opinião. Mesut Ozil é provavelmente o último grande “10” da história mais recente do futebol porque tratava a bola por tu. Recebia-a sempre com grande à vontade, sabendo de antemão onde é que a iria colocar, e tinha um gostinho especial por servir os outros, ficando muitas vezes nos bastidores dos grandes palcos. 

O futebol ficou mais pobre no dia em que perdeu Mesut Ozil, porque a sua carreira teve um início, um meio e um fim, mas a sua herança, vai estar para sempre imaculada, pelo menos na minha maneira de ver futebol.

Se há coisa que nunca vou esquecer é aquele jogo frente ao Ludogorets, onde a sua magia saltou à vista de todos, como se o tempo tivesse parado e todo o estádio tivesse congelado para apreciar toda a sua qualidade, num pleno contraste entre delicadeza e inteligência.

Quando a magia tinha pés de veludo, quando o futebol tinha Mesut Ozil

Bernardo Santos
Bernardo Santoshttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é Licenciado em Relações Públicas e quase mestre em Jornalismo. É um comunicador nato, que transporta para o futebol a mesma simpatia e alegria que tem em viver.

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