recordar é viver

Noite de 12 de Setembro de 2007, bancadas do Estádio de Alvalade praticamente cheias, fase de qualificação para o Euro 2008. A selecção portuguesa não se encontrava propriamente com a vida facilitada para carimbar o passaporte para o Europeu do ano seguinte, realizado em conjunto pela Suíça e Áustria, e por isso mesmo via-se forçada a derrotar uma selecção sérvia orientada pelo treinador espanhol Javier Clemente. Já a equipa das quinas tinha como seleccionador Luiz Felipe Scolari, então já na fase final do seu legado na Federação Portuguesa de Futebol. E seria mesmo Scolari a figura desta partida, mas não pelas melhores razões.

Portugal já não tinha a portentosa equipa do Mundial 2006, mas mesmo assim ainda contava nas suas fileiras com um excelente leque de opções. Porém, e ao nível do futebol praticado, sentia-se claramente que o apogeu dos tempos de Scolari já havia passado, até pela forma sofrida como posteriormente a selecção portuguesa haveria de garantir a passagem ao Europeu. Em relação a esta partida, Portugal entrou com tudo. Maniche e Deco carrilavam o jogo a meio-campo, ao passo que o então jovem Cristiano Ronaldo e Simão Sabrosa (num momento de forma soberbo na altura) partiam a defensiva da equipa dos Balcãs com o seu virtuosismo. E foi precisamente Simão, na execução primorosa de um livre directo, que inaugurou o marcador por volta dos 13 minutos de jogo, num lance em que Stojkovic (na altura guarda-redes do Sporting) não teve a mais pequena chance. Na primeira parte do desafio só deu Portugal, com destaque para um cabeceamento de Nuno Gomes que enviou a bola ao poste, para depois Stojkovic defender de uma forma estupenda uma recarga de Deco.

Momento para a posteridade, com Scolari em fúria
Momento para a posteridade, com Scolari em fúria

No segundo tempo Portugal voltou a entrar bem, mas a partir dos 60 minutos o desafio virou por completo. A selecção portuguesa encolheu-se, sentiu a pressão do jogo e a Sérvia aproveitou essa situação com enorme competência. Javier Clemente alargou a frente de ataque e a partir daí o jogo passou a ser quase de sentido único. Contudo, e apesar de uma ou outra oportunidade, a verdade é que Portugal foi aguentando as investidas sérvias. Até que aos 88 minutos surgiu o golo que petrificou milhares de adeptos: Stankovic bateu um livre, a bola desviou em Paulo Ferreira e Ivanovic apenas teve que encostar perante um desamparado Ricardo. Estava feito o empate contra todas as previsões, sobrando muito pouco tempo à equipa portuguesa para alterar o que quer que fosse. Todavia, o momento do jogo estava para vir. Naquele que ainda hoje é recordado como um dos momentos mais negativos da história da selecção nacional, Scolari descontrolou-se e envolveu-se numa enorme discussão com Dragutinovic, que acabaria por ser expulso. O técnico brasileiro tentou esmurrar de uma forma evidente o futebolista sérvio, para espanto de tudo e de todos. Na ocasião, Scolari defendeu-se ao afirmar que apenas queria proteger o “menino” Quaresma, numa declaração que acabou por se tornar numa das frases mais marcantes de que há memória no futebol português. O treinador brasileiro seria castigado pela UEFA com uma punição de 3 meses de suspensão, o último dos quais com pena suspensa.

Em suma, empate comprometedor para Portugal, que felizmente acabaria por dar a volta à situação e ainda se qualificar sem ter que ir parar ao costumeiro play-off. Mas estava claro aos olhos de todos que depois de vários anos de qualificações tranquilas…viriam aí tempos muito mais conturbados.

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Boa sorte, Portugal! 60 mil estarão a apoiar-te! Não há como não vencer!