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Com a recente saída de Rúben Neves para o Wolverhampton, ou até mesmo a ainda mais recente venda de Nelson Semedo por parte do Benfica ao FC Barcelona, surgiu a ideia de analisar as saídas do país por parte dos jogadores portugueses para equipas de outros países, e concluir quais as principais que considero terem ocorrido cedo demais, quer para jogador quer para clube.
Portugal é cada vez mais, como sabemos, um país formador e exportador, e por isso esta não foi uma tarefa difícil, até porque os casos de emigrações “precoces” têm-se tornado cada vez mais frequentes.
Fiquem então (e analisem também) com este top 10 de portugueses que emigraram cedo demais.

Renato Sanches – Grande revelação do Benfica e da Liga na época 2015/2016, as águias não conseguiram resistir ao interesse dos grandes clubes da Europa no seu menino de ouro e vendeu-o por 35 milhões de euros ao Bayern Munique. Para o clube da Luz a contratação veio na altura certa, pois conseguiu assim um excelente encaixe financeiro e um maior prestígio no panorama do mercado de jogadores, mas para o médio português esta mudança parece ter ocorrido cedo demais. Ainda com muito para melhorar, como se percebia mesmo no futebol português, mudou-se para um campeonato bastante diferente e para um clube onde encontrou concorrência de grandíssimo peso, sem que tivesse estado tempo suficiente “no forno”. Não conseguiu obter o tempo de jogo que esperava e quando entrou em campo foi sempre com a ansiedade de quem tem de mostrar muito em pouco tempo, o que foi impossível para ele, e para a próxima época até já se fala de um possível regresso ao clube que o formou. Certa deverá ser a sua transferência, por empréstimo ou em definitivo, para outro clube, seja ele ou não o Benfica.

Cristiano Ronaldo – Este é o caso mais antigo deste top, mas não é de maneira nenhuma o menos relevante. Cristiano Ronaldo foi, como todos sabemos, formado no Sporting até aos 18 anos, idade com que deixou Lisboa e rumou a Manchester para assinar pelo United. A partir desse momento a carreira de Cristiano entrou numa espiral de evolução que ainda não cessou, e por isso a evolução do jogador não é o motivo para o seu nome estar incluído nesta lista. O motivo está relacionado com o clube, que se tivesse mantido o agora melhor jogador do Mundo no seu plantel naquela altura talvez pudesse ter conseguido criar equipas mais competitivas, criadas em torno do talento de Ronaldo, na luta por títulos. Esta mudança foi, por isso, talvez cedo demais para os leões, mas não para a carreira do avançado; para esse aconteceu no momento certo.

Rúben Neves – O caso de Rúben Neves é aquele que foi o mais incompreendido pelos adeptos tanto de FC Porto como do futebol português. Na primeira época como sénior pelo clube destacou-se como sendo a revelação da equipa, mesmo que na segunda metade da época não tenha jogado muito. Na segunda o seu tempo de jogo foi ainda mais reduzido e na terceira foi quase “ignorado” por Nuno Espírito Santo, que, mesmo quando parecia que o jovem médio trazia um futebol mais atrativo e ofensivo à equipa, raras vezes optou por colocá-lo a jogar, exceto quando substituiu Danilo em certas ocasiões. Neste verão, e com ainda muito para dar no FC Porto, o clube vendeu-o ao Wolverhampton, atual equipa de NES e que milita no segundo escalão inglês, onde continuará a sua evolução, esperemos, por 18 milhões de euros. Não seria preferível e mais vantajoso para o FC Porto ter conseguido um encaixe financeiro maior com a venda de Danilo e aproveitar o talento de Rúben Neves colocando-o definitivamente no onze azul e branco na época que se aproxima…? Esta poderia ser mesmo a época de afirmação do médio português em território luso, razão pela qual esta mudança pode ter sido cedo demais para o clube e para o jogador.

André Silva – Uma época e mais qualquer coisa bastaram para que André Silva impressionasse ao serviço do FC Porto e, inevitavelmente, fosse transferido para um grande clube europeu. O AC Milan garantiu neste defeso os serviços do ponta de lança português por cerca de 38 milhões de euros. Cedo demais para jogador e clube? Talvez. Sem um dos maiores destaques da equipa da época passada, o FC Porto vê-se agora desprovido de um grande avançado que possa acompanhar Soares na equipa principal, ainda que tenha chegado Aboubakar ao clube. Ojogador segue para um clube que apesar de ser um colosso já passou pelos seus anos de maior glória, mas que procura voltar aos sucessos desses mesmos anos. O desafio é, por isso, aliciante para André Silva, mas a concorrência será também muito grande. O português é ainda jovem e mostrou alguma instabilidade ao longo da época que passou, dificuldades que poderiam mais facilmente ser ultrapassadas num campeonato como o português. Para além disso, o avançado corre o risco de não ser tão utilizado em Milão como no FC Porto, em época do Mundial na Rússia, o que tornaria mais improvável a sua convocatória para a competição. André Silva terá um grande desafio pela frente.

Bernardo Silva – É mais um exemplo de um jogador formado no Seixal, mas que poucas oportunidades teve para jogar na equipa principal do Benfica e provar o seu verdadeiro valor. No entanto, quando finalmente parecia que lhe ia ser dada essa oportunidade, num negócio, como tantos outros (Rúben Neves p. ex.), com dedo de Jorge Mendes, transferiu-se para o AS Mónaco. Os valores do negócio não foram tão grandes como os de Renato Sanches, mas Bernardo adaptou-se muito melhor ao seu novo clube que o agora jogador do Bayern. Adaptou-se tão bem que não tardou a ser chamado à seleção e a ser campeão francês. Quem provavelmente terá ficado a perder com esta transferência foi o Benfica, que apesar de ter encontrado sempre bons jogadores para o lugar que poderia vir a ser ocupado por Bernardo Silva, poderia alguns anos mais tarde ter um jogador bem melhor, atuando pelo clube e pela seleção, e então aí vendê-lo por um valor bem maior. A acrescentar a isto tem-se o facto de o atual citizen ser um adepto ferrenho do Benfica, clube em que jogava, o que cada vez é mais raro de se ver num jogador de futebol profissional, e que por isso se deve sempre preservar numa equipa – qualidade e paixão pelo clube.

André Gomes – Atualmente no Barcelona, o médio português foi em 2014 transferido do Benfica para o Valência, num negócio promovido, mais uma vez, pelas boas relações entre o clube da Luz e o agente Jorge Mendes. André Gomes entrosou-se bem na equipa espanhola, razões que o fizeram chegar à seleção nacional e ao Barcelona no início da última época. Não obstante, o mesmo não aconteceu na Catalunha, estando ainda por acontecer a verdadeira afirmação do jogador na equipa culé. Mas a sua transferência para o Valência deu-se cedo demais não por causa disso, mas sim porque André Gomes era um dos grandes valores da formação benfiquista e poderia perfeitamente no futuro vir a ser o patrão do meio campo encarnado, patrão esse que depois da sua saída ainda não foi encontrado, embora Pizzi esteja bem encaminhado para tal. O próprio André Gomes revelou, após a sua saída do clube português, que não entendia a falta de aposta dos grandes emblemas do país em jogadores portugueses…

Gonçalo Guedes – Continuamos, portanto, no Benfica, que foi o clube que nos últimos anos mais exportou os seus jogadores portugueses da formação, com a situação de Gonçalo Guedes. Assumido adepto fervoroso do clube que o formou, Guedes foi vendido no inverno passado aos franceses do PSG por 30 milhões de euros, num negócio bastante lucrativo para os lados de Lisboa. À semelhança de muitos outros jogadores, Gonçalo Guedes não parece ter estado tempo suficiente a jogar com regularidade na equipa principal do Benfica, como comprovou a sua primeira época em Paris. 11 jogos e zero golos marcados resumem essa época e a inadaptação ao campeonato francês e uma pequena estagnação da promissora carreira do avançado português. Para o Benfica o negócio foi bastante bom, até porque Gonçalo nunca foi um titular indiscutível da equipa, mas para o jogador talvez não tenha vindo na melhor altura. A próxima época será preponderante para a carreira do ex-Benfica, que ainda sonha com uma convocatória para o Mundial da Rússia.

Nani – Também não se trata de um caso recente. Nani foi transferido do Sporting para o Manchester United em 2007, deixando assim uma posição que era sua, órfã de um craque como ele. A mudança foi excelente para a evolução do jogador, que conseguiu triunfar na Liga Inglesa, mas não para o seu ex-clube, que nunca foi capaz de encontrar um jogador semelhante ou com as mesmas caraterísticas de Nani para a sua posição, até 2014, ano em que conseguiu o regresso do português por empréstimo do United. Nani continua a ser um jogador de classe mundial, mas podia ter atingido esse patamar no seu clube de formação, apesar das poucas possibilidades de isso acontecer nos anos que correm. Foi, por isso, o Sporting quem mais perdeu com a saída precoce de Nani.

Nélson Semedo – Em seguida falamos do caso mais recente. Foi o jogador revelação da Liga NOS em 2016/2017, o que despertou o Barcelona para se apressar a contratar o defesa direito por valores à volta dos 30 milhões. Apesar das duas épocas que jogou na equipa principal do Benfica, a transferência dá-se cedo demais na medida em que será bastante complicado para o Benfica encontrar um jogador de qualidade semelhante à do português para a sua posição, numa época em que não poderá contar também com Lindelöf e Ederson na defesa. Para o lateral é um grande passo na carreira, e fica ainda maior se percebermos que há quatro anos estava a jogar ao serviço do Fátima. Quanto a mim, parece-me à altura do desafio, restando saber se o Benfica estará também à altura do desafio de lidar com a perda do jovem jogador.

João Cancelo – Pela equipa principal do Benfica realizou apenas dois jogos. No entanto, isso não o impediu de juntar-se ao Valencia (Jorge Mendes mais uma vez…) por 15 milhões de euros. Em épocas nas quais Maxi Pereira parecia estar a descer de forma com o passar da idade, o jovem defesa poderia ter sido mais vezes utilizado e até ter conseguido melhores exibições que as do concorrente uruguaio. Em Espanha, na primeira época, fez 13 jogos, não tendo marcado qualquer golo. Já nas seguintes, marcou golos e realizou mais jogos, tendo-se afirmado na equipa de Valencia definitivamente. Por lá continuou, mas o assédio por parte dos grandes clubes da Europa tem aumentado cada vez mais, razão pela qual não se prevê que continue por muitos mais anos na equipa espanhola. Em Portugal, podia ter sido muito mais bem aproveitado pelo Benfica, daí considerar que saiu cedo demais do país.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Rúben Neves
artigo revisto por: Ana Ferreira












