Tal como o nome indica, os “golos de um homem só” acontecem quando um inspirado jogador finaliza com sucesso após galgar vários metros de terreno e de ultrapassar diversos oponentes. Mudanças de velocidade, qualidade técnica, finta corporal, velocidade, calma e, acima de tudo, talento. São golos de um homem só que muitas vezes acabam mesmo por ser golos de uma vida. Eis a minha lista:

10.º Theo Walcott vs. Newcastle

Mais incrível do que o número de golos desta partida é o golo de Theo Walcott. A maior arma do atacante do Arsenal é a velocidade, mas esta de pouco lhe valeu neste lance. Na verdade, mais do que a finta inicial ou o espaço reduzido pelo qual o jogador inglês progride, é a perseverança e a vontade com que Walcott leva o lance até ao fim. Mesmo depois de cair, não há ninguém que consiga negar ao atacante a possibilidade de constar na décima posição deste Top 10.

9.º Cavani vs. Bastia

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Jogador de técnica apurada, o craque uruguaio marcou este golo em outubro de 2013. Poucos meses depois de ter assinado pelo Paris Saint Germain, Cavani eternizou o seu nome no Parque dos Príncipes ao marcar um golo para recordar por muitos e longos anos. Tudo neste lance é digno de registo. O espaço era bastante reduzido mas no final até o guarda-redes se rendeu, caindo duas vezes ao pés de Edi. Podia ter passado a bola no final? Podia. Mas não seria a mesma coisa.

8.º Weah vs. Verona

Nos anos 90, George Weah correu as bocas do mundo. O africano eternizou-se no Olimpo do futebol depois de várias épocas ao mais alto nível no futebol europeu, chegando a conquistar uma bola de ouro e a ser considerado o melhor jogador do mundo em 1995. Um ano mais tarde, Weah fez este golo frente ao Verona. Um golo capaz de levar qualquer adepto ao delírio. Não é pleno de técnica ou de qualquer finta mais vistosa, mas não podia ficar de fora deste Top 10. Mas para que servem as minhas palavras quando o comentador consegue transmitir perfeitamente o quão épico foi este golo?

7.º Ryan Giggs vs. Arsenal

Em 1999, frente a um dos grandes rivais, o “mago galês” fez este golo. Ryan Giggs era dono de um pé esquerdo invejável e o sítio onde colocava a bola era sempre o mesmo: onde queria. Agilidade, técnica, capacidade de explosão, inteligência. Jogou até aos 40 anos e, mesmo na última época, deixou a sua marca em 22 jogos. Numa meia-final da FA Cup, o galês fez magia. Para apreciar? As diversas fintas de corpo que fazem uma jogada memorável parecer tão fácil.

6.º Ronaldo vs. Compostela

Ronaldo Luís Nazário de Lima. Ronaldo. R-O-N-A-L-D-O…  A alcunha “fenómeno” assentava-lhe que nem uma luva. O jogador brasileiro tinha tudo. Técnica, velocidade, capacidade de progredir com a bola no pé, finta, facilidade em finalizar… O arquétipo perfeito de um atacante no futebol. Golos, magia, mas, muito mais importante do que isso, uma galeria enorme de conquistas coletivas e individuais. Duas Bolas de Ouro e três títulos de melhor jogador do mundo. Em 1996, Ronaldo mostrou em Compostela que fenómeno é sinónimo de imparável.

5.º Messi vs. Getafe (1)

O astro argentino podia ter uma galeria inteira de “golos de um homem só”. Este que vos trago aqui é “só” mais um, frente a um dos adversários prediletos de Messi. Prediletos? Porquê? E porquê aquele (1) no título? Se não souberem, caros leitores, esperem até ao final deste Top 10 que vai valer bem a pena. Quando Messi recebe a bola na zona do meio-campo há sete jogadores, a contar com o guarda-redes, atrás da linha da bola. Sete jogadores… Um, dois, três toques, uma finta aqui, uma grande aceleração ali, nem o guarda-redes escapa. Parece fácil. Parece… Playstation.

4.º Ronaldinho Gaúcho vs. Haiti

Há quem diga que foi o melhor golo que Ronaldinho marcou. O brasileiro diz que não, que há outro ainda melhor. Não interessa. Não há como não incluir este golo neste Top 10. Ronaldinho era o futebol dançado, era o futebol feliz. Feliz em campo e também fora dele, com vários adeptos e admiradores a renderem-se aos pés de Dinho. Pode argumentar-se que o Haiti não era um conjunto propriamente forte, ameaçador ou até sólido defensivamente. Aliás, o Haiti está longe de ser uma equipa de referência no futebol mundial. Mas há algo neste golo que me cativa. Não sei se é a famosa “roleta marselhesa”, imortalizada por Zidane, se é a forma como Ronaldinho aguenta uma carga para, em menos de um segundo, estar já a deixar o guarda-redes para trás. No fundo, acho que é tudo. É a diferença dos imortais para os normais. Rendo-me aos teus pés, Dinho.

3.º Oktay vs. Bélgica

A qualificação para o França’98 foi marcada por um golo memorável em solo turco. A jogar perante os seus adeptos, Oktay Derelioğlu (nome difícil) marcou aquele que, certamente, poderia ter sido apelidado como “golo turco do século”. Oktay recebeu a bola no meio campo e arrancou rumo à baliza belga, ultrapassando seis opositores, um deles por duas vezes. Pela seleção do seu país, Oktay marcou cinco golos. Não me admirava nada se tivesse marcado só um. Valeu por cinco.

2.º “Ibracadabra” vs. NAC Breda

Talvez um dos grandes sonhos de qualquer futebolista seja o de protagonizar jogadas semelhantes às que os ídolos criavam. Zlatan Ibrahimovic idolatrava Ronaldo, o “fenómeno”. Este golo, frente ao NAC Breda, pertence unicamente a Ibracadabra, mas não há como não ver Ronaldo por breves instantes. O jovem Zlatan despontava no Ajax e alcançou a ribalta com este golo, que correu o mundo inteiro. Naquele momento, tudo parou. O sueco agarrou na bola e pensou: “Esta está lá dentro”. Viessem mundos e fundos, gigantes, monstros, ciclopes ou até mesmo o destino… nada poderia impedir o obstinado Ibrahimovic de escrever o seu nome na história do futebol mundial.

1.º Maradona vs Inglaterra e Messi vs Getafe (2)

O “golo do século” e um golo de Messi. Muitos chamar-me-ão herege por ter juntado estes dois golos. Maradona disputava os quartos-de-final de um Mundial. Messi disputava uma meia-final da Copa do Rei. No futebol do tempo de Maradona havia mais espaço para jogar. Atualmente é Messi que inventa espaço para jogar. Todo e qualquer argumento é válido e servirá, decerto, a quem o utilizar. Pessoalmente, quero apenas apreciar a beleza destes dois golos. Não é magia, é muito mais do que isso. É tão mais do que isso que acabam por tornar este Top 10 num Top 11. Inédito? Talvez. O trono é argentino. A minha esperança é que um dia se possa dividir em três ou mais e que eu o possa presenciar.

Foto de capa: Facebook de Maradona

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