Tribuna VIP: Da magia de Mora e Quenda à avalanche dinamarquesa | Seleções Nacionais

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A semana de seleções teve apuramento dos sub-19 portugueses para o Europeu da categoria e eliminação dos sub-17 na jornada decisiva.

Não apenas de seleções seniores se fez a janela das equipas nacionais neste mês de março. Além dos sub-21 (com jogos da fase intermédia de qualificação para o Euro), tivemos as disputas das rondas de elite em sub-19 e sub-17. Começando pelos mais novos, fica a grande notícia para Portugal de mais uma participação consecutiva na fase final do Europeu. Numa fase organizada em território nacional, os jovens lusos impuseram-se de forma vigorosa sob as seleções da Irlanda (4-1), Croácia (3-0) e Alemanha (3-2). As performances foram lustrosas, numa demonstração de superioridade coletiva, tática e criativa ante algumas equipas de respeito – desde logo, os germânicos são campeões europeus e mundiais da categoria.

No conjunto dos três encontros, vários jogadores se notabilizaram pelas performances de alto nível, com destaque particular para o duo criativo Rodrigo Mora e Geovany Quenda. O talento portista de apenas 16 anos (completa 17 em maio) gerou duas assistências e apontou dois golos, além de todo o perfume demonstrado nos movimentos interiores e passe no trio de desafios da qualificação. A ligação ao explosivo Geovany Quenda (três golos e duas assistências) foi absolutamente notável, numa prova de complementaridade entre promessas do futebol mundial que já têm minutos em contexto superior ao juvenil e até aos juniores.

Quenda tem treinado com a equipa principal do Sporting, além de já ter atuado na Liga 3, enquanto Mora é presença assídua na equipa B dos dragões, além do estatuto de melhor jogador da presente edição da Youth League (sete golos em oito encontros). No entanto, este duo não foi o único a sair valorizado desta ronda de qualificação. O central Rafael Mota (Sporting), titular nas duas primeiras partidas, mostrou-se pela forma como conseguiu queimar linhas no passe e abrir com precisão para zonas mais adiantadas. O penálti cometido frente à Irlanda não belisca essas características, evidenciadas em particular face à Croácia. A seu lado, Rui Silva (Benfica) mostrou competência e segurança.

Ainda no setor defensivo, Duarte Soares (Benfica) demonstrou qualidade – boa projeção atacante e critério no cruzamento. Na zona intermediária, o camisola 10 João Simões (Sporting) destacou-se pela aproximação ao último terço e ligação no passe, além de ter apontado um golo frente aos irlandeses. Lá na frente, o poder de finalização, abrangência nas movimentações e refinação no passe do avançado Gabriel Silva (três golos e uma assistência) mostrou que há muito potencial num jogador que se tem destacado na equipa sub-19 do Sporting esta temporada. Depois de três jogos com dez golos marcados e apenas três sofridos, fica o entusiasmo para ver esta geração a participar dentro de dois meses num Campeonato da Europa no qual estarão outras seleções de luxo (França, Inglaterra, Itália, Espanha, Dinamarca…). Por esta amostra, há espaço para sonhar com candidatura ao título.

A deceção da «final» depois de duas vitórias justas

Já o caminho dos sub-19 acabou por terminar em desilusão, depois de dois triunfos ante as seleções da Grécia (2-1) e da Sérvia (4-1). No duelo com os helénicos, a equipa teve momentos de oscilação no jogo (cresceu pela ligação na direita a meio dos primeiros 45 minutos e «resssuscitou» com as ótimas entradas de João Vasconcelos, Manuel Mendonça e Ivan Lima). A exibição seguinte foi a mais pujante da fase de apuramento.

Com algumas mudanças na equipa inicial face ao primeiro jogo, a equipa de José Lima controlou todo o desafio frente aos sérvios e beneficiou de um jogo inspirado de Vivaldo Semedo (bis) e de Rodrigo Ribeiro (maior mobilidade e critério a servir no passe, além de boa entrada em zona de finalização).

Dário Essugo, do Sporting CP, tem brilhado nas seleções jovens
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ivan Lima voltou a ser um quebra-cabeças em vários momentos e o trio de médios destacou-se em diferentes vertentes (Essugo cumpriu uma ótima qualificação, a dar presença e eficácia como trinco, Manuel Mendonça evidenciou-se em rutura na segunda linha e João Vasconcelos mostrou todo o esplendor do pé esquerdo, aplicando uma visão de jogo que é um dos pontos fortes do bracarense).

O problema maior surgiu mesmo na derradeira ronda, frente a uma autoritária Dinamarca. A equipa escandinava apresentou-se mais «fresca» no relvado do Cidade de Coimbra, ante uma turma portuguesa com apenas duas trocas face ao «onze» anterior. A Portugal bastava a igualdade e já sabemos que nem sempre jogar com dois resultados beneficia a equipa que está nessa condição.

Desde o arranque do jogo que vimos uma formação dinamarquesa mais pressionante, limitando a construção e a circulação por dentro de uma seleção que fez dessa energia na circulação e do jogo combinativo que daí resultava chaves para o sucesso nas primeiras duas partidas. Os criativos ficaram bloqueados, as perdas de bola somaram-se e os homens da Europa do Norte ganharam ascendente a partir da zona intermediária (Noah Nartey e Oscar Højlund voltaram a confirmar predicados exibidos noutros jogos, Thomas Jorgensen ligou no passe e ainda abriu o ativo).

A segurança nas coberturas defensivas, a capacidade de esticar jogo pelas laterais (incidência na direita) e a criatividade de elementos como Daghim ou Bischoff também ajudaram a rematar um triunfo que contou ainda com golo de Emil Højlund.

A formação lusa competiu mais com o coração do que com a cabeça por mérito adversário e, mesmo com atitude competitiva para manter tudo em aberto até final, falhou no discernimento com que assaltou o último terço. Os vice-campeões da Europa da categoria ficam assim afastados de poder voltar a viver o sonho da conquista. Com toda a justiça, diga-se.

Francisco Sousa
Francisco Sousahttp://www.bolanarede.pt
Licenciado em jornalismo, o Francisco esteve no Maisfutebol entre 2014 e 2017, ano em que passou para a A BOLA TV. Atualmente, é um dos comentadores da Eleven.

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