Universo Paralelo: afinal, a transferência de Jesus tem luz verde

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Paz nesta casa e a todos que nela habitam!

Aleluia, aleluia!

Cristo ressuscitou!

(o padre benze a sala e os demais sugam as gotas alvejadas, a temperatura do compartimento impinge a procura do resquício da fonte de vida).

De repente, surge Jesus, o salvador da Pátria. O homem que esteve de um lado da barricada, vivinho da silva, e que palmilhou o outro de lés a lés, morto da silva.

O Amor(a) ao desporto rei colocou-a na ribalta. Flash interviews, conferências de imprensa e qualquer acontecimento que instrumentalizasse o diálogo constituiu, desde o início da carreira, o maior dos quebra-cabeças.

O espetro do bom falante era delimitado por si e por Manuel Machado, o filósofo moderno do desporto no qual se aplicam pontapés numa bola e que, através da consumação desses atos, se vislumbram movimentações táticas de modo a que uma equipa se consagre como vencedora.

A biografia continua, as boas épocas em clubes de meia estirpe idem e o alegadamente devedor do extinto BES (possivelmente, isento de IMI, à semelhança da Santa Madre Igreja) contrata o Altíssimo: o objetivo – por sinal, bem-sucedido – foi colmatar os desastres provocados por uma derrocada de Flores. Conseguiu! O Marquês de Pombal recebeu a festa proveniente da Catedral!

Seguiram-se três épocas inconsequentes. Entre sistemas de rega acionados e frases lapidares como “Limpinho, limpinho, limpinho”, Emerson a pontificar no corredor esquerdo representou o menos mau. Normalmente, os pregos eram colocados no Dragão. E claro, a força esfumava-se e só restava ajoelhar. As rezas até surtem efeito…

Nos derradeiros dois anos, a luz. Vencedor do campeonato por duas vezes e -(quase) – já era um presságio para um futuro projeto arrebatador da Liga Europa. Ivanovic e Beto brincaram com Jesus e ainda não foram culpabilizados pelos seus pecados, ainda que o segundo se tivesse confessado posteriormente!

A passagem inglória de JJ pelo Sporting fica marcada pela “morte na praia” em 2015/16
Fonte: Sporting CP

O verão de 2015 foi ventoso e com a presença de tempestades secas. Jesus iça-se da bagagem, dos diplomas e dos rótulos oriundos de todo o país e muda-se para o outro lado da Segunda Circular. Imbuiu-se de fé e assumiu o comando de uma equipa que, religiosamente, rezava três credos e cinco aves-marias. Mas a crença não se transporta em barcos, infelizmente. Três longas épocas, a peleja era aguerrida, mas o exército católico nunca desbravou o caminho para o cálice sagrado.

Alcochete, 2018. Uma seita reacionária do seio do clube decidiu – digamos, sem meias medidas – assustar e violentar os jogadores das suas cores. Percursores do hediondo ato? Ao que parece, não existem. Foi obra do Espírito Santo, sem a inclusão de Jesus. A porta bateu com estrondo. Jesus quis conferir ritmo ao corpo e sambou em direção ao Brasil…

Em terras de Vera Cruz, sob o apupo e o deslindar de críticas, demonstrou todo o seu talento, astúcia e perspicácia. Moldou o futebol do CR Flamengo, incrustou no plantel a figura do seu retrato (uma autocracia saudável, um bom Reich). Educou as almas indígenas e latinizadas ao extremo, urdiu táticas inteligentes e nunca antes vistas na formação, primou o trabalho e reaproveitou a irreverência. Libertou as dores de uma massa adepta sequiosa. Klopp foi inabalável e não caiu do altar…

De regresso a Portugal, aquele que era chamado de anticristo, volta à catedral. Mas eis o que a imprensa privada e nacionalmente conhecida se olvida: O Bola na Rede soube, mas manteve em sigilo total até à data. Permitiu que a CMTV gizasse as habituais manobras de diversão, acalmou a ira benfiquista – resultados imediatos sabem tão bem, mesmo que a estratégia se cinja sobre a aposta na formação – e que Luís Filipe Vieira respirasse sem o auxílio de sondas.

A bomba vai ser lançada: Jorge Jesus, afinal, é o novo treinador do Sporting Clube de Portugal. Frederico Varandas recua Rúben Amorim para o cargo de adjunto (responsável pela manutenção e ida à Europa) e, a seu jeito, dá outro rumo ao clube. Sabe-se, também, que os leões nunca quiseram o dossiê Cavani porque Luiz Phellype é prioritário. Bruno Henriques veste a maldita camisola sete. James Rodríguez está contratado, mas não vai ter vida fácil porque Eduardo… (a frase termina aqui).

(momento no qual cai o Carmo e a Trindade, embora ninguém conheça os ilustres)

Spoiler alert: o Bola na Rede adianta também que, em Março, o SL Benfica roubará o comando do campeonato ao Sporting CP, após falhanço de Jovane Cabral defronte da baliza.

Jesus só ressuscitará à terceira vez, conforme as escrituras.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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