Penso que, no final do ano de 2020, já não é necessário explicar que a pandemia nos privou de muita coisa, por isso vou saltar diretamente para a parte em que tento, num exercício de alguma criatividade, imaginar aquilo que poderiam ter sido as ATP Next Gen Finals (Next Gen), que teriam acabado no passado fim-de-semana caso, obviamente, não tivessem sido canceladas por causa da pandemia.

Disputam o acesso a este inovador torneio do ATP, que ainda só teve três edições, todos os jogadores que completem até 21 anos de idade durante a temporada em questão, isto é, no caso específico desta edição, no mínimo nascidos em 1999. Existem sete vagas de acesso direto, para os sete jogadores mais bem classificados do ranking ATP, e ainda um wild card (WC) a cargo da organização.

A prova tem o mesmo formato das ATP Finals, dois grupos de quatro jogadores de onde saem os dois melhores de cada grupo para as meias-finais, mas com algumas inovações nas regras. A mais relevante é o marcador. Nesta competição os encontros disputam-se à melhor de cinco short sets (até quatro jogos com tie-break aos 3-3) e os jogos são jogados com ponto de ouro, ou seja, não há vantagens.

OS INTERVENIENTES

Começando a falar nos jogadores, temos de relembrar que este é um torneio ainda visto um pouco como menor e, mais do que isso, uma oportunidade para ver os mais novos que estão a despontar no circuito e, como tal, assistimos ao longo de todas as edições a desistências dos jogadores mais cotados, com maior nível e já estabelecidos no panorama mundial. Tendo isto em conta e olhando à atual classificação, seria muito pouco provável que os três tenistas, que cumprem os requisitos de idade, com mais pontos, Denis Shapovalov, Felix Auger-Aliassime e Alex de Minaur, marcassem presença na competição.

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Passando à apresentação do elenco que participaria nestas Next Gen. Assumindo que os três primeiros classificados, e apenas estes, não iriam participar e assumindo, também, que a organização, que não chegou a revelar a sua escolha para WC, iria garantir a presença de Lorenzo Musetti, este que é o segundo italiano mais bem classificado e o primeiro que não teria acesso direto à competição, a prova ia-se disputar com a presença de Miomir Kecmanovic (#43 do Ranking ATP), Jannik Sinner (#44), Alejandro Davidovich Fokina (#52), Corentin Moutet (#76), Emil Ruusuvuori (#87), Alexei Popyrin (#110), Thiago Wild (#114) e Lorenzo Musetti (#126). Estas classificações têm como referência os resultados até à semana em que se disputaria as Next Gen, não entrando, por isso, os resultados da última semana (9 a 15 de novembro) que provocaram alterações no ranking.

Destes jogadores, existem claramente alguns mais estabelecidos que outros, como são o Jannik Sinner, vencedor da edição de 2019 deste torneio, na condição de WC, e que, durante o fim-de-semana, conquistou o seu primeiro título ATP em Sofia, tornando-se, assim, o primeiro jogador nascido neste século a alcançar este feito, e o Kecmanovic que já é presença assídua em muitos quadros ATP, prova disso é que durante o ano de 2019 jogou 42 partidas do circuito ATP e este ano, também ele, conquistou o seu primeiro título no mais alto circuito internacional (imagem acima). Mas, aqueles que seguem os quadros ATP com regularidade já conhecem, uns melhor, outros pior, todos estes jogadores.

É certo que há muitas vertentes que teriam de ser levadas em consideração quando pensássemos em avançar com candidatos, nomeadamente a distribuição dos grupos, mas à partida teríamos Sinner e Kecmanovic como os principais favoritos ao título. Os dois jogadores estiveram bem ao longo da temporada e mostraram um bom nível de ténis.

No caso de Sinner, é certo que não participou em muitos eventos, mas sempre que participou esteve bastante bem e não teve nenhuma derrota muito desapontante, nos quatro torneios anteriores ao título da semana passada em que participou perdeu, respetivamente, com Dimitrov, Nadal (em Roland Garros), Zverev e Rublev e, ao longo desses mesmos quatro torneios, venceu jogadores como Tsitsipas, Zverev e Casper Ruud, por isto tudo e pelo muito agradável nível de ténis, diria que era o principal candidato a levar para casa o troféu o que, no seu caso, significaria a revalidação do título da época passada.

Olhando para o resto dos jogadores, estava muito curioso para ver Ruusuvuori jogar, parece-me ser um jogador com os pés assentes na terra, muito ciente das suas possibilidades e, apesar de que seria um claro outsider, poderíamos ver coisas interessantes do jovem finlandês.

Estou entusiasmado para ver como é que será a ascensão de todos estes jovens talentos durante o decorrer do próximo ano e, quem sabe, para vê-los concorrer por um lugar nas (verdadeiras) ATP Finals. Todos terão muito a provar e, alguns, até a vingar este ano de 2020 que lhes poderia ter trazido uma maior preponderância e reconhecimento. Que venha 2021!

Foto de Capa: ATP Tour

Artigo redigido por José Maria Reis

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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O Zé Maria é neste momento estudante daquele que ele espera ser o último ano de Economia no ISCTE. Desde muito cedo que começou a praticar vários desportos exceto, ao contrário da regra geral, futebol porque chamar pé esquerdo ao seu pé direito é um elogio. Mais tarde percebeu que era com uma raquete de ténis na mão que mais gostava de passar o tempo e foi aí que começou a crescer a grande paixão que tem pelo ténis. Vê e acompanha muito desporto, mas o ténis e o futebol, sobretudo o seu Sporting, são a sua perdição.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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