Inícios de junho e está tudo trocado. Estaríamos a uma semana do início do Euro 2020 e nem o campeonato está terminado. Primeiro, tem lugar o desfecho da Primeira Liga, depois a Taça de Portugal e, só depois, ainda que pouco interesse aos clubes portugueses, as competições europeias. O Euro 2020, esse, só em 2021, por mais contraditório que seja.

À boleia deste caos instalado no futebol mundial, dei uma espreitada num universo paralelo, num mês de junho de 2020 sem covid-19. O campeonato estava terminado e a prova rainha estava entregue. Preparávamo-nos, então, para pegar na calculadora e assistir aos jogos da nossa seleção.

Mas voltando atrás e olhando ao campeonato, o vencedor foi discutido até ao fim, mas muitos pontos foram perdidos, o que permitiu a aproximação de SC Braga e Sporting CP. Águias e dragões discutiram o título até à última jornada em dois jogos impróprios para cardíacos.

Na Luz, o SL Benfica recebeu o Sporting CP à mesma hora que em Braga se disputava o SC Braga – FC Porto. Não só o título estava em discussão, mas também os lugares de playoff da Liga Europa, para além do último lugar do pódio.

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À boa maneira portuguesa, terminou tudo empatado e foi na calculadora e no regulamento que se encontrou o campeão. No terceiro posto ficou o SC Braga, pela vantagem de ter marcado mais golos no estádio adversário nos jogos entre si, levando assim a melhor ao antigo treinador, agora ao leme dos leões.

Guerreiros do Minho e leões também lutaram até ao fim, mas pelo último lugar do pódio e pelos lugares europeus
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Não muito acima ficaram os rivais que desde sempre dividiram o topo da classificação. Também empatados em pontos, naquilo que parecia uma discussão de quem menos queria assumir a liderança, saíram por cima os dragões pelo confronto direto, onde alcançaram duas vitórias e uma diferença de golos de 5-2.

Na perseguição aos lugares europeus terminou o FC Famalicão. Por pouco não alcançou os playoffs e confirmou aquilo que se previa e adivinhava desde as primeiras jornadas; estava a Norte, num recém-promovido, a equipa revelação da prova. Terminou acima de Vitória SC e Rio Ave FC e está agora a braços com propostas diversas para transferências da imensa juventude que deslumbrou no relvado famalicense.

Com uma ponta final complicadíssima, a defrontar águias, dragões, Vitória SC e FC Famalicão, o CS Marítimo acabou por cair para lugares de despromoção. Para isso contribuiu o também o confronto direto com os homens de Portimão, que engataram e pontuaram em quase todas as jornadas finais. Teremos, assim, dois representantes algarvios no próximo campeonato. Por outro lado, as ilhas mantêm dois representantes, sendo agora o CD Santa Clara e o CD Nacional.

Vingando as somas e subtrações das linhas regulamentares, os encarnados enfrentaram os dragões na final da Taça de Portugal, não deram azo a discussões e venceram com alguma tranquilidade. A polémica não podia ficar de fora do término da temporada e, numa decisão pouco lógica, retirou-se a final da Taça de Portugal por alegada falta de condições do Estadio Nacional e disputou-se na Cidade do Futebol, a escassos metros do centro de operações do VAR. Imagine-se que o estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, esteve em equação por ser a “meio caminho”…

Ainda que paralelo e, para muitos, irreal, este desfecho brindou-nos com tudo aquilo a que estamos habituados; equipas revelações, disputa até ao último minuto, jogos grandes na última jornada a serem disputados à mesma hora e, como não podia faltar, burocracias e decisões tanto incompreensíveis quanto polémicas. Ainda que noutra realidade, como não amar mais uma época no “Tugão”?