Universo Paralelo: E se o VAR não existisse?

- Advertisement -

 

 

Confesso não ser o maior fã deste auxílio e teria variados pontos a apresentar em defesa deste argumento. Fico-me pelo reconhecimento de que o jogo de futebol se faz de erros dos jogadores, dos treinadores e também dos árbitros. Ora, o VAR, tal como o árbitro, é falível. Se admitir que uma decisão errada tomada por um árbitro é fácil, reconhecer que o VAR errou já torna tudo mais difícil. Há um sentimento de frustração acumulada que leva os mais radicais, dos quais me demarco, a reações ainda mais excessivas.

O VAR veio trazer uma diminuição da espontaneidade das emoções que sempre nos estão à flor da pele no que ao futebol diz respeito. Não compreendo o porquê de se ter que esperar tantos minutos (e, sim, são mesmo demasiados) para se celebrar um golo. Até percebia o argumento da verdade desportiva, não fosse, em determinadas circunstâncias, a existência do VAR o primeiro fator de injustiça. Olho, por exemplo, para casos em que competições tuteladas pelo mesmo organismo não têm igual acesso a este instrumento ou para casos em que o VAR só atua em determinadas fases ou jogos de uma competição desvirtuando a igualdade competitiva. Já para não referir que o VAR tem um protocolo extremamente limitado e pouco transparente.

Por isso, se não houvesse VAR, nenhum destes problemas existiria, o que seria uma vitória para os avessos ao futebol moderno, nos quais eu me incluo. Não existiria um medo constante dos árbitros tomarem decisões, só porque sabem que serão suplantados pela deliberação de outrem. Os trapezistas têm uma rede para sua segurança, mas não é por isso que se atiram para ela.

Apesar de tudo, reconheço que o VAR já resolveu algumas situações de difícil escrutínio que podiam ter influenciado o desfecho de algumas competições.

Teria a França sido campeã do mundo em 2018 se o argentino Néstor Pitana não tem, com a ajuda do VAR, assinalado grande penalidade a favor dos franceses por mão na bola de um jogador croata? O castigo máximo foi convertido por Griezmann em cima do intervalo. Imaginemos que o jogo tem ido empatado para o descanso. Talvez a Croácia tivesse vencido o seu primeiro campeonato do mundo, coroando uma geração muito boa com jogadores como Modric, Rakitic, Mandzukic, Perisic, Kramaric ou Rebic. Nunca saberemos.

Outro exemplo que me vem à cabeça quando penso no que poderia mudar se o VAR não existisse é o Manchester City FC X Tottenham Hotspur FC da segunda mão da Liga dos Campeões da época 2018/19. Os londrinos chegaram à final de Madrid que coroou o Liverpool como campeão europeu. Ainda assim, se o VAR não existisse, teriam ficado pelo caminho nos quartos de final. O City procurava um golo para passar para a frente no agregado das duas mãos. O jogo acabou 4-3 a favor dos de Manchester (4-4 no conjunto dos dois jogos), no entanto, o Tottenham beneficiou dos golos conseguidos fora de portas. Estas contas quase não foram necessárias, quando, no período de descontos, Sterling marcou o golo que levaria o City em frente, não fosse a intervenção do VAR a anular o golo e, consequentemente, as aspirações da equipa de Guardiola.

No reverso, temos o que o VAR poderia ter feito se existisse. Desde logo, a mão de Deus de Maradona seria um não assunto e a Argentina poderia não ter vencido o título de campeão do mundo desse ano (1986). Ou quando Henry ajeitou a bolo com a mão antes de assistir William Gallas para o golo que qualificaria os gauleses para o Mundial 2010, deixando a República da Irlanda pelo caminho. Recordo também a entrada duríssima e merecedora de cartão vermelho de De Jong sobre Xabi Alonso na final desse Mundial e que facilitaria a vida à Espanha. A remontada do Barcelona FC sobre o PSG na Liga dos campeões 2016/17 também não aconteceria.

A verdade é que o VAR veio alterar muitos destinos, mas não veio alterar o passado. Muitos jogos foram decididos por ele e, certamente, o futebol, para o bem ou para o mal, seria bem diferente sem a sua existência. Resta-nos tolerar a sua presença e, talvez, esperar um pouco que decida em cinco minutos o que toda a gente vê em cinco segundos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

Subscreve!

Artigos Populares

Imprensa espanhola avança: Eis o possível preço de Andreas Schjelderup face ao interesse do Barcelona

Imprensa espanhola afirma que Andreas Schjelderup poderia sair por 30/40 milhões de euros. Barcelona interessado no extremo do Benfica.

Real Sociedad de Gonçalo Guedes bate Atlético Madrid nos penáltis e ganha Taça do Rei

A Real Sociedad venceu o Atlético Madrid em penáltis e conquistou a Taça do Rei. Gonçalo Guedes fez uma assistência na partida.

Eis os 4 destaques do Gil Vicente x Vitória SC

O Vitória SC venceu por 1-0 na visita ao Gil Vicente, num encontro da 30.ª jornada da Primeira Liga. Estes foram os 4 destaques do encontro.

Sonho europeu do Gil Vicente sofre duro golpe com derrota caseira frente ao Vitória SC

Na 30.ª jornada da Primeira Liga, o Vitória SC venceu por uma bola a zero na visita ao terreno do Gil Vicente.

PUB

Mais Artigos Populares

Andebol: Benfica e Sporting jogarão a final da Taça de Portugal

O Benfica eliminou o Águas Santas e qualificou-se para a final da Taça de Portugal de Andebol. Já o Sporting afastou o Marítimo.

Atenção, Paulo Fonseca: Lille escorrega e empata com Nice na Ligue 1

O Lille empatou 0-0 com o Nice na jornada 30 e segue em 3.º lugar com 54 pontos. Lyon de Paulo Fonseca leva 51 pontos sem ainda ter jogado.

AS Roma empata com a Atalanta e pode distanciar-se dos lugares de Champions League

A AS Roma empatou 1-1 com a Atalanta na jornada 33 da Serie A. Ambos os golos aconteceram na primeira parte do jogo.