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Copa América’2015 – Argentina 0-0 Colômbia (5-4, g.p.): Ospina de mãos quentes e… a abanar

Francisco Sebe · 4 min

Copa América’2015 – Argentina 0-0 Colômbia (5-4, g.p.): Ospina de mãos quentes e… a abanar

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A Argentina consumou a passagem às meias-finais da Copa América, depois de ter sido mais forte do que a Colômbia na marca dos onze metros. O empate a zero traduz 90 minutos intensos, disputados em constante alta rotação, com maior domínio alviceleste e com um Ospina praticamente intransponível, que só cedeu na marcação das grandes penalidades.

Quem esperava um jogo bonito e repleto de momentos de bom futebol viu as suas expectativas defraudadas. Ainda que a qualidade dos executantes que entraram em campo fosse sobejamente conhecida, foi uma partida que se pautou maioritariamente pelo músculo e desequilíbrios táticos. Pekerman optou por um onze de cadência extremamente ofensiva: privado dos médios de contenção Sánchez e Valencia, ausentes por castigo e lesão, respetivamente, colocou Mejía no vértice mais recuado do meio campo e deu liberdade ofensiva a James, Ibarbo e Cuadrado, que surgiram no apoio à dupla Jackson Martínez-Teo Gutiérrez. O capitão Radamel Falcao só viria a entrar no decorrer da segunda parte. A Argentina apenas trocou Demichelis por Otamendi, em relação ao jogo com a Jamaica.

Logicamente, os comandados de Tata Martino começaram desde cedo a explorar ostensivamente o fosso criado entre os médios colombianos e a sua linha defensiva, através das incursões de Di María, Messi e Pastore. Nem a entrada madrugadora de Edwin Cardona para o lugar de um inexistente Gutiérrez foi capaz de conter a pressão da turma argentina, que só não chegou ao intervalo em vantagem por culpa de David Ospina, que, aos 26 minutos, protagonizou a intervenção mais espetacular desta edição da Copa América. Aliás, dupla-intervenção, a remate de Agüero e consequente recarga de Lionel Messi. O guarda-redes do Arsenal voltou a mostrar a sua atenção ao encaixar um mau alívio de Zapata, que por pouco não resultou em autogolo.

Ao intervalo, sinal mais para a Argentina, que assentou o seu jogo nas recuperações de Mascherano (excelente jogo) e nos raides de Messi e Di María. Nota para a incapacidade da Colômbia em acertar o momento de transição defensiva e para uma atuação algo nervosa do juiz mexicano García Orozco, que não foi capaz de resfriar os ânimos dentro de campo e deixou passar em branco uma falta cometida sobre Kun Agüero no interior da grande área colombiana.

Na segunda parte, a Colômbia surgiu de “cara lavada”. Apesar de ter sido confrontada por nova entrada incisiva da Argentina, conseguiu resistir e acabou por equilibrar a contenda. Por intermédio de Ibarbo e Cuadrado, ameaçou a baliza de Sergio Romero e, com o jovem Murillo e o felino Ospina (defesa espantosa a remate de Otamendi, aos 80 minutos) a servirem de prontos-socorros no reduto defensivo, conseguiu manter o nulo registado no marcador até ao final do tempo regulamentar. De referir alguma falta de ambição do selecionador argentino: numa altura em que a sombra das grandes penalidades já pairava, Tata Martino não foi capaz de dar maior dimensão atacante à sua equipa, já que, depois das trocas diretas no ataque, preferiu gerir a posse de bola com a entrada de Éver Banega para o lugar de Pastore.

Num jogo intenso e de muita luta, Mascherano foi imperial a destruir as iniciativas colombianas Fonte: Página do Facebook da ‘AFA – Selección Argentina’
Num jogo intenso e de muita luta, Mascherano foi imperial a destruir as iniciativas colombianas
Fonte: Página do Facebook da ‘AFA – Selección Argentina’

No desempate por penáltis, assistiu-se a uma marcação exemplar dos mesmos até ao primeiro falhanço: com o marcador em 3-3, Luis Muriel atirou por cima e, a partir daí, foi um festival de nervosismo e falta de discernimento. Os argentinos Biglia e Rojo não foram capazes de dar a vitória à seleção das “pampas” após os pontapés descabidos de Muriel e Zúñiga. Teve que ser Carlitos Tévez a serenar os argentinos, já que não tremeu na hora H e aproveitou a bola que Murillo havia enviado para fora do estádio momentos antes.

Os vice-campeões do Mundo integram assim o lote de semi-finalistas da Copa América e ficam à espera do resultado do jogo entre Brasil e Paraguai, para conhecer o adversário do próximo certame. Fim de linha para a Colômbia, a terminar uma campanha onde esteve aquém das suas capacidades e daquilo que a tarimba e talento dos seus jogadores prometiam. Agora, nas meias-finais, espera-nos mais uma edição do “Superclássico das Américas”?

A Figura:

David Ospina – O keeper ‘cafetero’ encheu a sua baliza durante os 90 minutos e efetuou três defesas para mostrar aos netos. A par de Murillo, foi o colombiano que menos mereceu a eliminação na lotaria final. Se ficou com as mãos a arder pelas paradas que completou, saiu com as mesmas a abanar de um jogo onde foi uma autêntica muralha.

O Fora-de-Jogo:

Lucas Biglia – Digam o que disserem, continuo a não compreender o porquê da aposta no médio da Lazio a titular na alviceleste. Um ‘6’ de origem, não consegue ser o transportador de que a equipa precisa no momento ofensivo. Demasiado preso às ações defensivas, passou completamente ao lado do jogo. Além disso, falhou o primeiro match-point ao não conseguir bater Ospina na conversão do seu penálti. Anda à deriva na seleção de Tata Martino, onde é constantemente anulado pelo companheiro Mascherano.

Foto de Capa: Página do Facebook da ‘AFA – Selección Argentina’

Francisco Sebe

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