Angola 0-1 Mali: Mali aproveitou época de caça à palanca e Angola está eliminada

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Conhecida como a Cidade das Flores, Ismaília, a cidade que dá nome ao estádio que recebeu as seleções de Angola e Mali, contrariou a sua alcunha e nem tudo foram rosas, em especial para os Palancas Negras, que viram gorada a possibilidade de atingirem a fase a eliminar da competição.

Naquela que é a 32º edição do Campeonato Africano das Nações – a primeira com 24 equipas -, Tunísia, Angola e Mauritânia lutavam por um lugar ao sol de Tutancámon, ao passo que o Mali já descansara na sombra da pirâmide dos oitavos.

À entrada para a última jornada do Grupo E, Angola procurava a sua terceira qualificação para os oitavos-de-final do certame, bastando-lhe um empate para se confirmar como um dos melhores terceiros lugares (RD Congo, Mali e Camarões já tinham assegurada a qualificação para a fase seguinte por esta via).

O promissor empate inaugural frente à Tunísia encheu o balão que o mesmo resultado face à Mauritânia rapidamente esvaziou e os palancas-negras viam-se na obrigação de pontuar para seguir em frente.

O Mali, por sua vez, fez o suficiente (1V e 1E) para chegar à derradeira jornada a poder gerir a equipa e o resultado que mais lhe conviesse. Em relação ao XI que alinhou de início no empate frente à Tunísia, Mohamed Magassouba rodou meia equipa, deixando no banco habituais titulares como Moussa Marega (FC Porto) e Abdoulaye Diaby (Sporting CP), estreando Falaye Sacko (Vitória SC).

Do lado angolano, a inclusão de Geraldo – irreverente extremo canhoto que atua, preferencialmente, no corredor direito – na equipa inicial antevia a postura ambiciosa com que a equipa de Corentin Martins se apresentou no relvado do Ismailia Stadium.

Sob o pretexto dos mais de 30 graus que faziam sentir-se à hora do jogo, as bancadas despidas assistiram a uma entrada com tudo da seleção angolana: Dala, aos 3’, de forma displicente, não respeitou a melhor posição do colega à sua direita e rematou fraco à figura de Djigui Diarra, e aos cinco minutos os rubro-negros já contabilizavam três remates, mais do que em toda a partida frente à Mauritânia.

Mateus e Geraldo assumiam-se como os principais agitadores do ataque angolano, num frenético jogo inicial de transições, no qual o Mali procurava resfriar o ímpeto do adversário, através de um jogo mais pensado e apoiado.

Esta estratégia foi dando frutos, tendo o primeiro sido colhido à passagem do quarto de hora, quando Adama Traoré, numa diagonal iniciada no corredor direito do ataque maliano fletiu para o meio e disparou de pé esquerdo para uma enorme estirada de Tony Cabaça. Um minuto volvido e nova defesa do guardião do 1º de Agosto, num gesto tirado a papel químico da primeira intervenção.

O Mali, mais confortável em organização, ia escondendo a bola dos jogadores angolanos, que só iniciavam a pressão a meio-campo e com poucos homens, algo que facilitava o trabalho da defensiva contrária.

Quando com bola, o pouco critério era quase sempre conferido por Fredy, que baixava constantemente na procura de melhores soluções de passe, algo que os colegas pareciam não entender.

Aos 25’, caída literalmente do céu, Djalma teve no pé direito a possibilidade de inaugurar o marcador, ao responder de primeira, em posição frontal, a um cruzamento, atirando a poucos centímetros do poste da baliza do Mali.

No entanto, eram os líderes do grupo E que iam ameaçando a baliza rival, sobretudo através de lances de bola parada, nos quais a seleção angolana demonstrava as suas debilidades na defesa à zona.

Antes do intervalo, a profecia maliana concretiza-se: tiki-taka à entrada da grande área de Angola e Amadou Haidara, num remate cruzado, deixou as botas pretas de Cabaça pregadas ao relvado no lance que fez mexer o placard a favor do Mali.

O golo maliano
Fonte: CAF

À imagem do que fez na primeira metade, Angola voltou a entrar forte. As faíscas do duelo Haidara x Geraldo iam deixando alerta a proteção civil egípcia, tamanho o risco de incêndio que dali poderia advir.

Por meio de iniciativas individuais, sobretudo, Angola tentava o golo que lhe garantiria a passagem à fase seguinte – algo que não acontece desde 2010, no seu país – fosse por meio de arrancadas ou remates de meia-distância, ainda que sem o sucesso desejado (os apenas três remates enquadrados em 15 tentativas são disto exemplo).

À medida que a partida se aproximava do desenlace, os espaços na defesa angolana iam surgindo com maior frequência e só por indefinições técnicas e de decisão as transições malianas não representaram maior perigo.

Até final, nota para a entrada de Moussa Marega, que ainda ameaçou o 2-0, e para a falta de soluções ofensivas angolanas, que não conseguiram desfeitear a retaguarda do Mali, que a partir de metade do segundo tempo preocupou-se, somente, em tirar a bola da sua área, sem olhar à construção.

Com este resultado, Mali e Tunísia (que não saiu do nulo frente à Mauritânia no outro jogo do Grupo E) confirmam a passagem aos oitavos-de-final da competição, ao passo que Angola ficou a um ponto do sonho da passagem.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Angola: Tony Cabaça, Bastos, Dany Masunguna, Paizo, Bruno Gaspar, Herenilson, Mateus (Wilson Eduardo 52’), Djalma Campos, Fredy (Show 53’), Gelson Dala e Geraldo (Mabululu 80’).

Mali: Djigui Diarra, Falaye Sacko, Kouyaté, Wagué, Adama Traoré, Massadio Haidara, Amadou Haidara (Doucouré 73’), Adama Traoré Noss (Moussa Marega 81’), Lassana Coulibaly, Kalifa Coulibaly e Moussa Doumbia (Sekou Koita 58’).

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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