Sabrina Ionescu: O futuro é agora

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“E com a escolha número um do Draft da WNBA 2020, as New York Liberty escolhem Sabrina Ionescu…”

Foi desta forma que Cathy Engelbert, Comissária da WNBA, deu início ao Draft deste ano, abrindo uma nova página na história do Basquetebol feminino em Nova Iorque e, acredito, na própria liga.

Filha de pais romenos, mas nascida na Califórnia, Sabrina Ionescu é a filha do meio (tem um irmão gémeo que nasceu 18 minutos depois) de um casal que partiu para os Estados Unidos em busca do sonho americano. E poucas coisas são mais americanas do que o Basquetebol.

Um “animal de competição” desde cedo, produto das batalhas em campo com o seu irmão gémeo Eddy, os irmãos Ionescu cresceram com o drible da bola a pautar as suas ações. Como a própria relembrou numa entrevista ao canal norte-americano ESPN:

“Ficávamos no parque durante horas enquanto os nossos pais estavam a trabalhar. Se estivéssemos mesmo dentro do jogo havia sangue, alguém acabava a chorar, havia lutas, era muito intenso.”

Essa dificuldade e intensidade moldaram-na, deram-lhe uma determinação e resiliência que ficam claras em vários momentos da sua vida. Quando, no sexto ano, foi impedida de jogar com a equipa dos rapazes e lhe foi dito que deveria ir brincar com bonecas, esta respondeu, convencendo o número necessário de raparigas, que a sua escola deveria criar uma equipa feminina.

Sabrina sempre foi diferente e com a bola nas mãos essa diferença era ainda mais evidente. A sua qualidade não lhe permitia ser outra coisa que não brilhante e a sua vontade de melhorar levava-a a trabalhar na sua “arte” incansavelmente.

Apesar da facilidade em colocar a bola no cesto, a base nunca se destacou pela sua capacidade física – com 1.8m é uma jogadora relativamente baixa quando comparada com outras do seu ano. Por isso, Ionescu tentou tornar o seu jogo o mais completo possível, uma característica que pode ser comprovada olhando para as médias com que terminou o seu último no secundário: 25 pontos, 8.8 assistências, 7.6 ressaltos, 4.5 roubos de bola (!) e 1.3 blocos por jogo.

A sua versatilidade levou a que ganhasse inúmeros prémios individuais – Melhor jogadora do Ano para a USA Today, Max Preps e Gatorade, All-American e MVP do jogo All-American, entre outros – e que fosse para a faculdade com grande parte dos recordes da sua secundária. Tudo isto chamou a atenção da Universidade de Oregon.

Apesar do estatuto que Oregon possui – mais no Futebol Americano – nunca uma jogadora tão bem classificada nos rankings escolhera aquela universidade. Como o seu irmão coloca, Sabrina queria desbravar o seu caminho e diferenciar-se de todas as outras. E assim o fez.

Leonardo Costa Bordonhos
Leonardo Costa Bordonhoshttp://www.bolanarede.pt
É jornalista desportivo e o andebol e o futebol foram o seu primeiro amor. Com o passar do tempo apaixonou-se também pelo basquetebol e futebol americano, e neste momento já não consegue escolher apenas um                                                                                                                                                 O Leonardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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