Todos nós, portugueses, tínhamos a esperança que a nossa seleção chegasse o mais longe possível no Mundial 2026. Portugal ser campeão do mundo 10 anos depois de conquistar a Europa seria algo para mais tarde recordar. As exibições inconstantes na fase de grupos e a eliminação nos oitavos-de-final frente à Espanha provaram que tudo não passava de uma ilusão, e puseram a nu algumas fragilidades. Mostraram também que Portugal não estava preparado para estar no jogo decisivo. A equipa não esteve tão bem oleada como se pensava e não apareceram algumas individualidades que brilharam nos seus clubes na época passada.
Antes do início do Campeonato do Mundo, Roberto Martínez já tinha deixado nas entrelinhas que iria abandonar o cargo de seleccionador nacional, já que o seu contrato expirava após o torneio. Os seus compatriotas fizeram com que isso acontecesse mais cedo e Roberto Martínez disse adiós logo a seguir à eliminação com nuestros hermanos. Para o seu lugar foi escolhido um nome que durante algum tempo andou no radar para treinar o Brasil. Jorge Jesus é agora o homem que tem como missão guiar Portugal para novas conquistas. A Liga das Nações, que se inicia em setembro, vai ser a sua primeira grande competição com as quinas ao peito.
Mas será o técnico português de 71 anos (faz 72 para a semana) capaz de levar a seleção de todos nós a um nível ainda mais elevado? A meu ver, foi a escolha certa. Se há pessoa que conhece o futebol português como ninguém, é Jorge Jesus. Depois de ter treinado inúmeras equipas durante toda a sua carreira, a maior parte em território nacional, eis que finalmente chega a um cargo que ambicionava há algum tempo. Se os jogadores sentem que representar a seleção é o ponto mais alto das suas carreiras, os treinadores também devem sentir o mesmo quando treinam uma seleção, principalmente se for a do seu país. É um cargo que representa um orgulho enorme, mas também acarreta muita responsabilidade.
Jorge Jesus é conhecido por montar bem as suas equipas e colocá-las a jogar um futebol atrativo, muito vocacionadas para o ataque. Alguns exemplos disso são o Benfica de 2009/2010, o Sporting de 2015/2016 e o Flamengo de 2019. O seu esquema tático preferencial é o 4-4-2 e é bem provável que o vá implementar na seleção. Jorge Jesus é também conhecido por potenciar jogadores em novas posições, e essa alteração tática pode trazer surpresas. É também muito exigente nos treinos e puxa muito pelos seus jogadores, testando-os até ao limite. De pulso firme e ideias bem convictas, é o homem ideal para colocar um travão em alguns egos que possam vir ao de cima.
Muito se tem falado na utilização de Cristiano Ronaldo no onze de Portugal. E Jorge Jesus já deixou bem claro que não vai hesitar em fazê-lo assim que o entender. No dia da sua apresentação como selecionador afirmou que já o substituiu por 16 vezes no Al-Nassr. Mesmo assim, o treinador português pode dar mais confiança a Cristiano Ronaldo e fazê-lo pensar em continuar na seleção por mais algum tempo. Trabalharam juntos durante um ano e foram felizes com a conquista do Campeonato Saudita. Toda essa cumplicidade pode ser um boost de motivação que CR7 precise neste momento, mesmo com 41 anos.
Faltam pouco mais de dois meses para o arranque de mais uma edição da Liga das Nações, competição que Portugal já venceu por duas vezes. O Estádio José Alvalade, estádio que Jorge Jesus tão bem conhece, será o palco de estreia pela seleção, e o País de Gales será o seu primeiro teste de fogo. Até lá vai haver tempo para analisar jogos, jogadores, traçar planos de treino e montar uma equipa à sua imagem. A maior aventura da sua carreira acabou de começar, mas Jorge Jesus foi sempre um treinador que nunca teve medo de enfrentar novos desafios, por mais complicados que sejam.

