Portugal 5-1 Coreia do Sul | Francisco Neto, o mecânico que roda e roda e roda e roda

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Tirando as regras básicas, não há manual de instruções no futebol e se houvesse devia ser destruído. Assim torna-se mais interessante e há maior espaço para criatividade. No que à rotação diz respeito, Francisco Neto, selecionador de Portugal, tem sido mecânico e faz trocas constantemente em grandes porções. «Se perguntar qual foi o onze que nos apurou para o Mundial terão dificuldades em perceber». Entre a República Checa e a Coreia do Sul, Francisco Neto deixou apenas quatro jogadoras titulares: Telma Encarnação, Joana Marchão, Diana Gomes e Ana Seiça. Não há um onze base, a pergunta é simples: é bom ou mau?

No final da partida, em conferência de imprensa, Francisco Neto foi questionado sobre a grande rotação, após ter chamado 30 jogadoras (com alterações a meio), ao qual destacou que «quem tem ideias não tem problemas», são «dores de cabeça positivas» e que quer o melhor onze de Portugal, tendo em conta as características do adversário.

Costuma-se dizer que é sempre melhor ter a mais do que a menos. Ao ter várias jogadoras disponíveis e com qualidade (ideal), há logo mais soluções do ponto de vista de dinâmicas e sistemas táticos para testar e praticar. Ou seja, há mais probabilidade de encontrar uma melhor fórmula contra um adversário específico, além do aspeto da frescura. Quando há deslocações grandes ou fadiga a meio do jogo, Francisco Neto teria assim mais alternativas. E depois também podemos ver na ótica do adversário. A nível de preparação e análise tática, iria ser um pesadelo, pois é mais difícil de adivinhar as opções de Portugal e treinar em base disso.

Perante a Coreia do Sul – uma potência asiática que não é de todo uma má seleção (inclusive está à frente de Portugal no ranking mundial em 20.º lugar), Portugal demoliu e fez parecer, em vários momentos, que estava a jogar contra uma equipa da distrital. Correu tudo muito bem e a primeira parte, salvo uma entrada pressionante da Coreia, roçou a perfeição. Isto após sete alterações no onze. Ou seja, é este modelo utópico que Francisco Neto quer implementar na seleção de Portugal. É claro que há uma desvantagem que se pode apontar: será que, ao rodar muito e frequentemente, se criam bases/dinâmicas sólidas e não confundem as jogadoras?

É um argumento válido. No entanto, esta semana fizeram várias alterações no estágio e onze titular, inclusive com um novo sistema tático, e ainda assim Portugal mostrou coesão e muita qualidade de jogo em todos os setores, tendo goleado com categoria. Além de que, desde o jogo da República Checa, ainda melhorou na organização defensiva e reação à perda. Diria que é uma questão de tempo e de trabalho, no qual, com um grande e unido grupo de mente aberta ao dispor, as ideias de Francisco Neto podem ser assimiladas e continuar este crescimento meteórico que Portugal tem logrado. Que continue a rodar, desde que este carro continue no caminho certo.  

Diogo Lagos Reis
Diogo Lagos Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto lhe corre nas veias. Foi jogador de futsal, futebol e mais tarde tornou-se um dos poucos atletas de Futebol Freestyle, alcançando oficialmente o Top 8 de Portugal. Depois de ter estudado na Universidade Católica e tirado mestrado em Barcelona, o Diogo está a seguir uma carreira na área do jornalismo desportivo, sendo o futebol a sua verdadeira paixão.

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