A MMA não é lugar para compaixão e Jiri Prochazka aprendeu essa lição da pior maneira no UFC 327.
Jiri Prochazka x Carlos Ulberg
A luta principal do UFC 327 vai entrar para a história como um dos momentos mais inacreditáveis da modalidade. Ainda no primeiro round, numa troca de golpes em pé pouco ortodoxa, Carlos Ulberg reagiu de maneira estranha e parecia que algum problema tinha surgido. Logo depois ficou notório que havia um problema na perna direita do neo-zelandês.
E a luta parecia ter acabado ali, porque Ulberg estava literalmente a lutar com uma perna só, cambaleando e mostrando todo o sofrimento inerente à lesão.
Para qualquer lutador, a oportunidade perfeita surgiu e iriam explorar isso para derrotar um adversário completamente limitado, golpeando a perna lesionada ou golpeando a perna ainda estável para imobilizar completamente o oponente.
Mas Jiri, num ato de misericórdia, decidiu não aplicar pressão nas pernas de Ulberg, e permitir que trocassem numa luta de boxe. E quando tudo parecia perdido, Carlos achou o queixo do checo, e conseguiu tirar a vitória de onde parecia impossível, nocauteando o ex-campeão dos pesos meio-pesados.
O neozelandês conseguiu assim coroar-se campeão e está ainda em análise para saber a gravidade da lesão.
Detalhe para a reação de Jon Jones que retrata na perfeição a reação de todos após ver a performance bizarra de Jiri.
Nota Performance: 1/10 (Jiri), 7/10 (Ulberg)
Azamat Murzakanov x Paulo Costa
A estreia de Paulo Borrachinha era tarefa difícil, mas a entrada na divisão de cima foi meteórica. O plano de jogo foi bem treinado e bem executado: chutes. O brasileiro tentou manter a distância e aplicar chutes altos, no corpo, para ir ferrando o russo, para evitar entrar em trocas ações de soco onde Azamat poderia levar vantagem.
No início da luta, a tática estava a dar certo, mas o russo foi apanhando o jeito e conseguiu neutralizá-la e encurtar a distância no final do primeiro round e no segundo e as coisas estavam a tombar para o lado de Azamat.
Mas com pouco mais de um minuto do terceiro e último round, “Borrachinha” achou um chute na cabeça do russo, de técnica exímia, que pôs fim ao duelo e garantiu a vitória na nova divisão e o coloca perto do top-5.
Nota Performance: 7/10
Curtis Blaydes x Josh Hokit
Josh Hokit roubou a cena neste UFC 327, tanto antes da luta, como depois, como fora do octógono, como dentro.
As redes sociais foram invadidas por clipes do americano que trouxe uma abordagem cómica e caótica para os “media days” do UFC 327, alguns acharam exagerado, outros cringe, mas definitivamente conseguiu captar a atenção do público, faltava apenas capitalizar quando mais valesse.
E não poderia ter tido um retorno maior, Josh Hokit venceu uma das melhores lutas que há memória nos pesos-pesados. Foi uma guerra de três rounds entre os americanos, que definitivamente colocou Hokit nos holofotes da organização.
Um momento tão icónico que lhe garantiu a presença, como adição de última hora, no evento do UFC da Casa Branca, frente a Derrick Lewis.
Nota Performance: 10/10
Patrício Pitbull x Aaron Pico
Um “dream match” dos tempos de Bellator, que teve de esperar a organização ser desintegrada, a sua maior lenda e prospecto entrarem no UFC, para acontecer. Foram três rounds de pura dominação do americano, que dominou o brasileiro veterano tanto em pé, como (e principalmente) na luta agarrada.
Patrício Pitbull, agora com 38 anos, está longe dos tempos de Bellator e parece não conseguir trazer o mesmo ímpeto com os tops do UFC.
Nota Performance: 8/10
O UFC 327 surpreendeu todos, que esperavam um evento com pouco talento, e tiveram talvez o melhor da era “Paramount+”, que contou com guerras, reviravoltas e ainda a luta de despedida de Cub Swanson.
Nota do Evento: 9/10

