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Ganha “sempre” o Benfica

Mário Silva · 3 min

Ganha “sempre” o Benfica

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cab basquetebol nacional

Sem surpresa o Benfica ganhou mais um troféu, desta vez a VI Taça Hugo dos Santos ao derrotar na final o Guimarães (73-62), depois de ter ultrapassado na meia final a Oliveirense (83-64). Plagiando o ex-jogador de futebol Gary Lineker e fazendo a adaptação ao basquetebol, podemos afirmar: “o basquetebol é um jogo de cinco contra cinco. Os jogadores têm como objectivo marcar cesto. O jogo demora 40 minutos e no final ganha sempre o Benfica”. Na economia do desporto, o grau de competitividade das provas é determinante para o sucesso das mesmas. Sem equilíbrio competitivo não há incerteza nos resultados desportivos e as provas perdem interesse, afastando público e patrocinadores. As vitórias desportivas geram quase sempre proveitos financeiros e as derrotas o seu contrário. É pois, legítimo, que os organismos que dirigem o desporto tomem medidas para assegurar esse equilíbrio .

O exemplo da NBA

O problema não é novo e a NBA já o resolveu com a aplicação do tecto salarial ( limite autorizado a pagar aos jogadores “salary cap “ ) e com o “DRAFT” ( onde as equipas pior classificadas escolhem os melhores jogadores jovens ), entre outras medidas. Assim, os Lakers valem presentemente 2.600 milhões de dólares e estão nos últimos lugares da classificação. O sucesso da NBA baseia-se nos esforços colectivos e nos investimentos de todos. Nenhuma organização conseguiria tantos recursos se agisse por conta própria. O investimento máximo por equipa é de $63.065 milhões de dólares.

quadro 1

Na “Euroleague Basketball”, a competição mais importante no Continente europeu , já vai na 15 edição, também tem diferenças significativas :

quadro 2

Contudo , está competição procura encontrar o equilíbrio e no futuro, teremos certamente na Euroliga o “ Salary Cap”, tal como na NBA. “ Vamos ter de actuar na parte económica. Os clubes têm que ser capazes de se adaptarem. Sei que este plano não vai ser popular para as equipas mais poderosas, como o Panathinaikos, o CSKA de Moscovo e outras com grandes patrões no topo. Mas, se queremos que a Liga seja jogada de forma profissional, tenha futuro e seja sólida, teremos de avançar nesta direção. Os clubes maiores também têm de ceder”, disse o Director Financeiro , Salvador Alemany , O novo modelo será baseada não só nos resultados desportivos , mas também na transparência financeira e na gestão. O conceito de “FairPlay financeiro não irá ainda incluir o tecto salarial, mas terá regras rígidas sobre a percentagem do orçamento total que o clube pode gastar com salários dos jogadores . O regulamento (“FINANCIAL STABILITY AND FAIR PLAY REGULATION” ) vai entrar em vigor na temporada 2015-2016 e contemplará entre outros, os seguintes pontos: a) Os clubes não podem ter dívidas com jogadores, técnicos, funcionários ou impostos em atraso. b) Não podem ter sido declarados falidos ou insolventes, formalmente, por um órgão competente do seu país de origem . c) Não podem apresentar um déficit acumulado, provenientes das três anteriores épocas , que ultrapasse 10% do orçamento do clube. d) Devem apresentar um orçamento mínimo de 4.000.000 euros. e) Devem ter um orçamento para salários que não exceda 65% do total orçamentado para as despesas do clube. f) Não podem ter directa ou indirectamente contribuições dos acionistas que ultrapassem as seguintes percentagens : 75% na primeira temporada (2015-2016), 70% em na segunda e 65 % na terceira e seguintes .

À espera do F. C. Porto

A realidade em Portugal é, infelizmente, bem diferente. A nossa competição , com a honrosa excepção do SL.Benfica, ė disputada de forma quase amadora e nivelada por baixo. Mesmo o orçamento do campeão, não se compara aos mínimos verificados no quadro anterior e a maioria dos restantes clubes tem ao seu dispor, verbas irrisórias para formarem equipas. Sem Liga Profissional, sem televisão em sinal aberto, com apoios residuais das Câmaras Municipais , e sem “sponsors”, a situação é muito complicada para os clubes, o que justifica o baixo nível apresentado . Se no passado, com a LCB tínhamos uma prova bem disputada e com vencedor incerto, como se constata no quadro seguinte, hoje, com a prova Federativa, ganha quase sempre o mesmo:

quadro 3

Para que a prova ganhe alguma animação, resta a esperança de que na próxima época, o F. C. Porto regresse e que num futuro próximo o Sporting C. P. e outros lhe sigam o exemplo.

Mário Silva

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