Esta segunda-feira trouxe ao Dragão um empate a uma bola que espelha quase na perfeição aquilo que foi o jogo entre FC Porto e Sporting: duas equipas que se respeitaram demasiado para se soltarem verdadeiramente. Sporting e FC Porto entraram em campo plenamente conscientes do peso do adversário e isso traduziu-se num encontro de cautelas, de linhas juntas e de riscos muito bem medidos. Não foi um jogo pobre por falta de ideias, mas sim um jogo condicionado por um respeito mútuo que travou qualquer veleidade mais ousada.
O Porto apresentou-se numa lógica curiosa: ao preterir Pablo Rosario em detrimento de Gabri Veiga, optou por uma abordagem respeitadora, mas longe de ser tremendamente defensiva. Houve intenção de ter bola, de gerir ritmos e de não oferecer transições, sem nunca abdicar totalmente de chegar à frente. Do outro lado, o Sporting regressou à sua equipa mais base, deixando os reforços no banco e apostando num trio móvel no apoio ao avançado: Geny na direita, Pote no meio e Trincão pela esquerda, com permutas constantes entre Pote e Trincão. A dinâmica foi interessante e até prometedora, mas acabou por produzir poucos efeitos práticos frente a um adversário com uma defesa altamente disciplinada e rigorosa nos posicionamentos.
Nesse sentido, o Porto foi minando o jogo do Sporting. Não permitia que os leões chegassem muito longe, não concedia profundidade nem espaço entre linhas e, sobretudo, neutralizava de forma inteligente o jogo de coligação de Suárez com os colegas. O papel de Alan Varela foi absolutamente decisivo: sempre que descia no terreno para a linha dos centrais, impedia que Suárez conseguisse girar; e mesmo quando o avançado leonino o conseguia fazer, estava imediatamente tapado, sem que o Porto tivesse de movimentar ou desorganizar as suas peças defensivas. Um controlo silencioso, mas eficaz, que explica muito do equilíbrio da primeira parte.


A segunda parte seguiu exatamente a mesma tónica. Jogo fechado, blocos compactos, equipas a tentarem ser audazes, mas sempre com uma audácia bastante contida. O golo do Porto surge como consequência direta da entrada de Rodrigo Mora e de Fofana. Rodrigo Mora já merecia a vaga de titular há muito tempo e a insistência, por vezes algo rasa, de Farioli tem, no meu entender, impedido que o Porto consiga ganhar jogos de forma mais confortável. Mora estabilizou o corredor e criou problemas sérios à defesa do Sporting, em particular a Fresneda. O golo nasce depois numa jogada algo caótica, de ressaltos e estrampelhões, mas o futebol também é isto.
E no final do dia, o futebol foi justo. Pode ser muitas vezes injusto, mas esta segunda-feira foi equilibrada: nenhuma das equipas se superiorizou claramente à outra. O penálti convertido por Suárez, na recarga após a defesa inicial de Diogo Costa, acabou por devolver ao marcador aquilo que o relvado contou durante 90 minutos. Também nas contas do campeonato tudo fica praticamente na mesma: Porto e Sporting continuam separados por quatro pontos, com o Benfica a sete dos portistas e a três dos leões, mantendo-se um equilíbrio tenso no topo da tabela.


Fica, contudo, uma nota final marcada por tristeza. A atitude antidesportiva da organização do jogo do Futebol Clube do Porto manchou um espetáculo que, dentro de campo, foi sério. A cerca de dez minutos do fim, apanha-bolas e outros elementos junto ao relevado decidiram retirar deliberadamente as bolas que se encontravam à volta do campo, numa tentativa clara de retardar o jogo do Sporting, contrariando as novas práticas definidas pela Federação. É um episódio lamentável que não se coaduna com a boa-fé desportiva.

