

O dérbi vira à boleia do póquer de Martín Dorda: Caxinas tomba Rio Ave em noite de Loucura
O Pavilhão do Centro Comunitário das Caxinas vestiu-se de gala, lotou por completo e assistiu a um dérbi memorável. Numa partida onde o Rio Ave FC esteve a vencer por o-2, a ADCR Caxinas e Poça da Barca assinou ma reviravolta épica (6-3) na segunda parte, impulsionada por uma exibição estratosférica de Martín Dorda. Caxinas passa a somar 13 pontos (11.º lugar), enquanto o Rio Ave FC, apesar do desaire, mantém o 5.º posto da tabela, com 22 pontos.
Da eficácia Vilacondense à explosão Caxineira
O dérbi de Vila do Conde prometia fáisca e não desiludiu. Com as bancadas a abarrotar e um ambiente ensurdecedor -, o jogo começou numa toada tática, mas de alta intensidade.
O Caxinas entrou a rematar mais, esbarrando numa excelente exibição inicial do guardião Moreira. Contudo, o Rio Ave compensou a menor posse com agressividade e pragmatismo. oi com naturalidade que a eficácia forasteira gelou o pavilhão: Kayque, assistido por Gustavo Rodrigues, abriu o ativo. Pouco depois, após uma excelente intervenção de Osuji a remate de Rúben Góis, a bola sobrou para Tiaguinho encostar ao segundo poste para o 0-2.
O Caxinas precisava de um “abre-latas” e encontrou-o em Martín Dorda. O camisola 21 reduziu após uma excelente combinação lateral com Sévio e, pouco depois, empatou a partida (2-2) com uma finalização ao segundo poste após grande arrancada de João Machado. O jogo parecia encaminhar-se para o descanso em igualdade, mas, a apenas 13 segundos da buzina, Serginho finalizou uma jogada de Pedro Rodrigues e devolveu a vantagem ao Rio Ave (2-3).
O colapso Disciplinar, a “Magia” de Dorda e o “Gelo” de Matheus
Na segunda metade, o cenário mudou drasticamente. O Rio Ave, que já na primeira parte mostrara excesso de agressividade, perdeu por completo o controlo emocional e disciplinar, acumulando faltas a um ritmo vertiginoso.
O Caxinas aproveitou. O momento do jogo surgiu das sapatilhas de Martín Dorda: encostado à linha de fundo e sem ângulo aparente, o argentino assinou um golo de antologia, passando a bola “pelo buraco da agulha” para o 3-3. O pavilhão explodiu.
A partir daí, o jogo pediu cabeça fria, e foi aí que Matheus se agigantou. Se Dorda trouxe a magia, o camisola 12 do Caxinas trouxe o gelo nas veias. Com o Rio Ave a atingir a sexta falta cedo na etapa complementar, o Caxinas não perdoou. Matheus, frio como o gelo, converteu o livre de 10 metros e operou a reviravolta (4-3). A história repetiu-se instantes depois: nova falta rioavista, novo livre de 10 metros, e Matheus a bisar (5-3), castigando de forma letal a indisciplina forasteira.
Nos minutos finais, o Rio Ave apostou no 5 para 4, com Carabete como guarda-redes avançado, mas a estratégia esbarrou na organização caxineira. Para coroar uma noite de sonho, Martín Dorda roubou a bola no meio-campo, contornou o guarda-redes e atirou para o fundo das redes (6-3), selando o seu póquer.
A Mancha fora das quatro linhas
Nas bancadas, o jogo terminou num misto de provocações próprias da rivalidade (“tudo a saltar é para a segunda” vs “só mais um”), com os adeptos do Rio Ave a darem uma lição de amor ao clube, aplaudindo a sua equipa mesmo após a derrota. Infelizmente, o mesmo não se passou nos bastidores. Após o apito final, registaram-se incidentes e momentos de forte tensão no túnel de acesso aos balneários entre elementos de ambas as equipas, uma mancha lamentável num dérbi que, na quadra, foi um verdadeiro hino ao futsal.
A Figura:


Martín Dorda (Caxinas) – Uma exibição para emoldurar. Num dérbi tenso, o jogador do Caxinas fez quatro golos, carregou a equipa às costas nos momentos de maior aperto e ainda sacou um golo de pura magia sem ângulo (o 3-3). Foi o pesadelo da defesa rioavista e o grande arquiteto da reviravolta.
O Fora de Jogo – Cigano (Rio Ave) – Numa equipa que deitou tudo a perder na segunda parte devido ao descontrolo emocional e excesso de faltas, Cigano personificou a frustração e a incapacidade de travar o ímpeto adversário sem recorrer à infração.
Análise ADCR Caxinas e Poça da Barca
A equipa da casa mostrou uma resiliência brutal. Entrou apática defensivamente, sofrendo com as transições do rival, mas teve a capacidade de manter a cabeça fria. Na segunda parte, com um bloco mais subido e uma excelente leitura das debilidades do adversário, capitalizou o excesso de faltas do Rio Ave com extrema eficácia nos lances de bola parada (10 metros) e geriu na perfeição a vantagem no 5 para 4 adversário.
5 Inicial do Caxinas: Daniel Osuji (GR), Tomas Bazan, Sévio Marcelo, Matheus Correia e João Machado.
Análise Rio Ave FC
Uma equipa de duas caras. A primeira parte foi de grande qualidade tática, pragmática a defender e letal a atacar. No entanto, deitou o jogo a perder na segunda metade por manifesta falta de inteligência emocional. Acumulou faltas de forma infantil num dérbi que exigia frieza, entregando ao Caxinas a oportunidade de virar o jogo na marca dos 10 metros. A aposta no 5 para 4 foi previsível e ineficaz. Nota dez, contudo, para os seus incansáveis adeptos.
5 Inicial do Rio Ave: Moreira (GR), Carabete (C), Cigano, Fábio Neves e Sérgio Costa.

