César Peixoto analisou a derrota do Gil Vicente na receção ao Vitória SC. O treinador respondeu à pergunta do Bola na Rede.
César Peixoto marcou presença na conferência de imprensa, após a derrota do Gil Vicente por 1-0 frente ao Vitória SC , na 30.ª jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve no Estádio Cidade de Barcelos e, no final do encontro, teve oportunidade de colocar uma questão ao treinador.
Bola na Rede: O Gil Vicente demonstrou dificuldades na saída de bola, sobretudo na primeira parte e vi o mister a pedir calma muitas vezes à equipa. O que é que acha que condicionou a contrução de jogo desde trás, para além da ansiedade que já mencionou?
César Peixoto: O Vitória estava a defender em 5-4-1 e veio cá defender em 4-4-2. Foi diferente, a saltar com dos extremos ao central oposto. Nós tínhamos trabalhado isso e a equipa nunca entendeu que a bola teria de entrar diretamente no lateral ou no nosso extremo. Por dentro, também defenderam homem-a-homem, e faltou o Varela baixar mais vezes para fazer a ligação. E nas vezes que baixou, nós temos muito os apoios frontais, mas ele quis sempre rodar. Isso foi outra questão que me deixou chateado. A equipa chegou a um momento, na primeira parte principalmente, em que queria fazer tudo individualmente. E esta equipa funciona coletivamente. Toda a gente é valorizada, toda a gente joga, seja na organização ofensiva ou defensiva, é uma equipa forte. Quando as cisas não saem e queremos fazer tudo individualmente, as coisas não saem. Acho que no intervalo conseguimos corrigir algumas coisas e a equipa entrou totalmente diferente, criámos mais oportunidades, estivemos mais em cima. O Vitória não criou uma oportunidade claríssima de golo para além do golo anulado. Nós tivemos algumas, mas não as concretizámos e, se concretizássemos uma delas, secalhar desbloqueávamos em termos mentais e o jogo seria totalmente diferente. Mas acho que sobretudo amarraram-nos no meio, com um meio-campo homem-a-homem e o extremo oposto a saltar no central, coisas que tínhamos falado. E depois começamos sempre a jogar para trás e para o guarda-redes, que muitas vezes faz parte do nosso processo, mas tem de ser com intenção, para os trazer para depois irmos. Mas nós hoje nunca tivemos esse discernimento e essa frieza, e era por isso que eu dizia ‘calma, calma, calma’. Estava a tentar dizer-lhes que não era nada de novo, era tudo coisas que já estão habituados a fazer e, em condições normais, eles conseguiam ler e desbloquear, como sempre fazemos. Hoje, principalmente na primeira parte, deixa-me frustrado, porque foi muito má. Na segunda parte, a equipa já jogou mais coletivamente, faltou-nos uma pontinha de sorte, mas isso não invalida que o Vitória tenha ganho bem.

