Cabo Verde escreveu o prólogo de um livro de bonitos empates com epílogo dedicado a Donald Trump – Diário do Mundial 2026 #5

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Um pedaço de história escrito a uma só Vozinha | Espanha 0-0 Cabo Verde

Cabo Verde Espanha
Fonte: Federação Cabo-Verdiana de Futebol

Não havia muitas maneiras mais belas para arrancar a história de Cabo Verde no Mundial 2026, o primeiro de sempre. No sonho dos Tubarões Azuis, a Espanha era o primeiro obstáculo. Não haveria maneira mais complicada de arrancar a participação senão diante da melhor seleção do mundo em termos coletivos, com uma identidade e ideia de jogo restrita ao futebol de clubes, chegada a esta competição depois de uma qualificação praticamente imaculada e de um título no Euro 2024. Pela frente, o segundo país com menos população, apenas atrás de Curaçau, e um sonho.

Cabo Verde não é Curaçau, de longe a seleção mais frágil que marca presença nas Américas este verão. E a estreia de Cabo Verde mostrou as mais-valias que Bubista, mítico treinador, imprimiu na equipa, pelo menos as do ponto de vista defensivo. Seria sempre um jogo exigente do ponto de vista mental, resistindo à Roja e à sua obsessão natural por conservar a bola. Por mais que Luis de la Fuente não tenha contado com o talento que agride a baliza – nem o tenha procurado substituir de qualquer forma, mas já lá vamos – não há como não exaltar o mérito caboverdiano.

À exceção dos últimos minutos da primeira parte e de um ou outro lance na segunda, foi uma exibição perfeita dos Tubarões Azuis, comprometida defensivamente e evitando más abordagens e reduzindo ao máximo os erros com bola. Estrategicamente, o 4-1-4-1 de Cabo Verde reduziu o espaço no corredor central, orientou a Espanha a jogar por fora e aí, impediu qualquer superioridade. Com os extremos em cima dos laterais, Ryan Mendes e Jovane Cabral tornados autênticos cães de caça, por fora não havia maneira da Roja criar e por dentro o espaço estava congestionado. Olhando aos corredores, a exibição de Sidny Cabral é assinalável, quer pela forma como controlou Ferran Torres do ponto de vista defensivo, quer como procurou acelerar e criar hipóteses de respirar mais à frente.

Cabo Verde Adeptos
Fonte: Federação Cabo-Verdiana de Futebol

Ainda assim, e numa Espanha com mais cruzamentos do que o seu ADN indica, foi na área que Cabo Verde fez a diferença. Pico Lopes, mais sóbrio e discreto, e Diney Borges, um autêntico polvo na limpeza, como uma daquelas gruas com braços infinitos e capazes de chegar a todo o lado, quer acima, quer ao lado, quer ao solo, dominaram a área. Mais atrás, Vozinha teve o jogo de uma vida. Depois de uma carreira tão alternativa quanto honrosa, e de saída do Chaves, defendeu tudo o que podia. Mais do que isso, segurou Cabo Verde, passou conforto aos colegas e deu a sensação de estabilidade que era necessário.

Há um par de defesas vistosas e de gabarito, mas a exibição de Vozinha, a voz da equipa, não se reduz a isso. A forma como controlou o espaço à sua frente, respondendo a cruzamentos e evitando perigos maiores, como foi gerindo os ritmos do jogo e como, quando percebia que ia ter a bola, chamava os jogadores espanhóis, frustrados depois de a terem tantas vezes nos pés sem destino aparente, foi dando confiança e estrutura a Cabo Verde. As lágrimas que lhe escorreram no rosto depois do jogo e a forma como, à distância, foi abraçado por portugueses e brasileiros, na comunhão da mesma língua, é simbólica. O Mundial 2026 ainda não acabou para Cabo Verde e, mais do que nunca, há uma possibilidade real de apuramento. Ainda assim, na estreia, não haveria história escrita de forma mais bonita. 

Vozinha, Cabo Verde
Fonte: FIFA

À Espanha, interessa uma reflexão e levanta-se um questionamento. A questão sobre o jogo da Espanha não se prende necessariamente com a ausência de Nico Williams e Lamine Yamal, mas sim com a intenção que baliza os seus substitutos. Com Marc Cucurella e Gavi a partir da esquerda e Marcos Llorente e Ferran Torres à direita, a ameaça exterior esfuma-se e a equipa capaz de conjugar a capacidade de controlar o jogo e a vertigem na direção da baliza perde-se na primeira dimensão.

Sem capacidade de acionar os múltiplos triângulos em todo o campo, a Roja mudou o foco para os corredores. Mikel Oyarzabal, por exemplo, esteve 30 minutos sem sequer tocar na bola. Orientada pelos corredores, pouco de rasgo exterior houve. É certo que Lamine Yamal – que proporcionou os melhores 15 minutos da carreira de João Paulo, dominante sobre o jovem espanhol – e Nico Williams só estavam disponíveis por uns minutinhos, mas no banco havia Alejandro Grimaldo, Pedro Porro, Yeremy Pino, Victor Muñóz e mesmo Alex Baena. Tudo gente mais capaz de retirar mais do jogo. Sem estas possibilidades, Espanha teve Pedri e as suas múltiplas façanhas para resolver jogos e os movimentos de Cucurella a procurar atacar as costas da linha defensiva. A força da candidatura a um título, juntando Euro 2024 e Mundial 2026, ficou no banco. 

Uns Faraós e uns que estiveram muito tempo a Fazer Ó-Ó | Bélgica 1-1 Egito

Emam Ashour Egito
Fonte: Federação Egípcia de Futebol

A Bélgica foi a seleção mais sortuda quando as bolinhas começaram a rolar e conheceu o seu grupo no Mundial 2026, uma sorte não extensível às opções e escolhas que Rudi Garcia quer ver na seleção que orienta. O Grupo G é um mar de facilidades aparentes que aos belgas geram uma dor de cabeça dura de resolver. Como pode uma equipa tão confortável a jogar sem bola e fazendo da transição o palco favorito ser destaque quando é obrigada e forçada a assumir a bola em quase todos os momentos.

Diante de Egito, Irão e Nova Zelândia, a Bélgica é favorita e terá de assumir o jogo. Um peso demasiado grande para a responsabilidade que Rudi Garcia, selecionador de um conjunto a passar uma fase de turbulência, no último estágio da transição da geração de ouro para uma equipa bem menos sonante, quer ter. Que não se tenham dúvidas: o maior adversário dos Diabos Vermelhos na fase de grupos é interior. O que não invalida os méritos do Egito que, tendo em conta a diferença de qualidade entre as duas seleções.

O bom nível dos faraós é mesmo a boa notícia. Num grupo acessível, o jogo mais complicado já passou e há espaço para fazer melhor. Ter Mohamed Salah no plantel e no onze é um luxo que Hossam Hassan consegue aproveitar sem que o egípcio acabe por ser um fardo, como acabou por ver retratada a sua passagem pelo Liverpool na última época. Num 4-2-3-1 já habitual, foi colocado por dentro, nas costas de Omar Marmoush, e compensado defensivamente. Sem jogar pelos corredores, é possível ao Egito garantir em simultâneo o compromisso defensivo que o mais forte dos Faraós já não consegue oferecer, mas também mantê-lo fresco por dentro para fazer a sua seleção jogar. 

Emam Ashour Egito
Fonte: Federação Egípcia de Futebol

Foi assim que Mohamed Salah fez a assistência para o golo egípcio, uma obra de arte capaz de fazer inveja às Pirâmides locais. O astro número 10 atrairá sempre marcações, por vezes em demasia, libertando espaço para os jogadores ao seu lado e para o próprio Omar Marmosuh, fundamental por permitir ao Egito uma ameaça constante à profundidade. Contra os belgas, o beneficiado por Emam Ashour, que já andou pela Europa e regressou ao Egito para reencontrar o conforto que permita calibrar os pezinhos delicados. A forma como dribla adversários, se lança em progressão e consegue ultrapassar adversários é sintoma claro de qualidade, tal como o foi o remate, ainda fora de área, que permitiu a surpresa. Quanto mais de Ashour houver no jogo egípcio, mais forte e coletivo este será.

Quem sofreu perante este cenário foi a Bélgica, adormecida durante 60 minutos. A forma como os adversários se apresentam, nos nomes de Egito, Irão e Nova Zelândia, convida a um relaxar que, numa seleção em construção e com necessidade de ser ligada à corrente em vários momentos, não é benéfica. Depois, há escolhas questionáveis nas opções de Rudi Garcia, bem para lá dos nomes em campo. A forma como Youri Tielemans esteve grande parte do tempo afastado do jogo, colocado sobre uma caixa à esquerda, impediu os belgas de encontrar ligações. Sem Zeno Debast e com Kevin De Bruyne mais avançado, sem o envolvimento dos laterais, nada aconteceu.

Também o Egito tem culpa pela forma como limitou a influência de Jérémy Doku. Primeiro à direita, depois à esquerda e por fim por dentro, nunca o avançado belga foi capaz de criar condições para assumir o drible ou encarar a baliza. Muito mérito ao que Mohamed Hany conseguiu fazer, contundente nos duelos e ao apoio de Ziko. O jogo só mudou quando Rudi Garcia fez algo pela vida, lançou Romelu Lukaku e Maxim De Cuyper, deu outra liberdade a Youri Tielemans, que tem tanto de passador como de médio de condução, e cresceu. Foi o avançado, depois de uma época a roçar o pesadelo, quem assinou as maiores responsabilidades no golo, um autogolo que não mancha a exibição de Hany, ao atacar a área com contundência, por se lançar ao espaço de trás para a frente. Fundamental numa seleção que anseia pelo papel de underdog. De resto, ficará sempre a saber a muito pouco.

O caos que abraçou o Uruguai foi o caos de que se livrou a Arábia Saudita | Arábia Saudita 1-1 Uruguai

Abdullah Al Khaibari Arábia Saudita Federico Valverde Uruguai
Fonte: Federação Saudita de Futebol

Arábia Saudita e Uruguai são seleções de dúvidas, incertezas e sem qualquer garantia. Era esta a base com que se enfrentavam no Mundial 2026 e abraçavam, numa espécie de consolo mútuo pela forma como dois dos países mais tradicionais no panorama continental se encontram.

Na magia das grandezas que o futebol saudita se tornou, com superestrelas em catadupa e exigências maiores para a sua seleção, a Arábia Saudita foi um elevador com múltiplas paragens para entrarem e sair treinadores, esteve muito perto de nem sequer garantir a qualificação e, só em abril encontrou o timoneiro para a guiar nas Américas. Pelo meio, o campeonato local trouxe estrelas e elevou o nível da competição, mas tirou espaço e protagonismo aos sauditas nos principais clubes. 

Agustín Cannobio Uruguai
Fonte: Federação Uruguaia de Futebol

De Marcelo Bielsa espera-se sempre um quê de loucura, mas o clima que se proporcionou no Uruguai, com declarações públicas a censurar os métodos e opções do treinador por próprios jogadores, só fazia adivinhar o pior. Para fora, foi comunicada uma aparente tranquilidade que se seguiu à tempestade, mas é difícil de imaginar que, diante de uma personalidade tão forte, tudo tenha ficado tranquilo. Pelo meio, uma crise identitária de uma seleção que sempre se fez valer pela força física e pela vontade de morder o adversário – pode ser lido de forma literal, também – mas que teve, nos últimos anos, talento diferencial. Que saudades de Diego Forlán, Luis Suárez ou Edinson Cavani.

Diante da Arábia Saudita, a primeira parte do Uruguai roça o pesadelo. A pressão não surtiu efeito tantas vezes como o desejado e, com bola, a exibição uruguaia foi quase constrangedora, com Federico Valverde desviado para a direita, Guillermo Varela em zonas de ninguém, Manuel Ugarte fixo entre os centrais e uma dupla ofensiva que não ofereceu complementaridade alguma. Para piorar a questão, Giorgian De Arrascaeta, o criativo da equipa, ainda não recuperou e o Uruguai foi uma versão cinzenta de si próprio.

A segunda etapa trouxe uma versão diferente que, sem encantar, foi capaz de competir. Do corredor esquerdo, com Maxi Araújo muito interior e com Matías Viña a dar alguma sequência ao jogo, foi o corredor direito quem acabou por se valorizar. Agustín Cannobio está bem longe de ser um craque, mas permitiu à Celeste racionalizar melhor os espaços e renunciar à rigidez posicional, com Guillermo Varela e Federico Valverde, já por dentro, a flutuar e a criar combinações. O empate resgatado no fim foi um mal menor, mas não apagou tanta coisa feita de mal. Olho em Cabo Verde na próxima jornada.

Abdulelah Al-Amri Arábia Saudita
Fonte: Federação Saudita de Futebol

A Arábia Saudita mostrou-se numa versão entretida na primeira metade, principalmente, antes de se subjugar a um trabalho defensivo extremo. Salem Al-Dawsari, estrela da companhia, até passou meio ao lado do jogo, mas já há qualidade individual para que tal não se note. À direita, lado forte da equipa, Saud Abdulhamid foi-se soltando e tendo impacto, atacando espaços por dentro e por fora e permitindo muita mobilidade quer a Abu Al-Shamat, por vezes indo até à esquerda gerar vantagens, e a Musab Al Juwayr. É um dos mais entusiasmantes talentos do futebol saudita pela facilidade com que assume o passe e procura as combinações. Também bate bolas paradas e foi, num destes casos, que a Arábia Saudita chegou ao golo.

A segunda parte, em sentido contrário à do Uruguai, foi menos entusiasmante. Acima de tudo, fica a sensação de que, com outros argumentos no lado uruguaio, a solidez defensiva da Arábia Saudita não seria suficiente. Ainda assim, mérito a três nomes, já parte da mobília. Na baliza, e embora com culpas no golo sofrido, Al-Ouwais foi decisivo, somando várias intervenções de peso. Mais uma exibição de competência de um guarda-redes de seleção menor. À sua frente, e depois de marcar golo, Al-Amri foi crucial a defender a área e impedir que Viñas, que ficou em campo em vez de Darwin Núñez, tivesse ainda maior protagonismo. Por fim, Mohammed Kanno. Começou mais recuado, como médio de ligação, terminou num meio-campo a três como elemento mais disruptivo. Tem um perfil físico que lhe permitiu ganhar duelos, mas também mostrar que sabe tratar bem a bola. Entre tamanhos destaques, e mesmo não sendo capaz de agarrar a vitória, os sauditas impediram que tudo fosse pelo Kanno abaixo. Entre tantas incógnitas, o ponto, esse, é certo.

Quando o mais alternativo se torna no mais mediático | Irão 2-2 Nova Zelândia

Asia Yousefi Irão Tim Payne Nova Zelândia
Fonte: Federação Neo-Zelandesa de Futebol

Há uns meses, o Irão x Nova Zelândia seria encarado como o ponto mais alto de futebol alternativo no Mundial 2026. Também o foi, na essência do jogo, mas o simples facto da bandeira iraniana ter sido destaque em Los Angeles e de o hino ter sido entoado em solo estadunidense ultrapassa qualquer golo, passe ou defesa. Quando alguém disser para não se misturar a política e o futebol, que se lembre de momentos como estes.

De resto, e antes do jogo, um dos melhores deste Mundial, há que encaixar sempre qualquer atividade iraniana na competição dentro de uma série de condicionantes, todas elas, em última instância, provocadas pelos próprios EUA, local de todos os jogos da seleção asiática na fase de grupos. Desde o último dia de fevereiro, quando Israel e os EUA bombardearam o Irão, que um conflito prolongado e arrastado no Médio Oriente afetou por completo a participação iraniana no Mundial 2026, naturalmente muito menos relevante que qualquer vítima da tirania das bombas. 

A participação do Irão no Mundial 2026, conquistada com base no mérito desportivo, foi questionada por dirigentes norte-americanos, nomeadamente Donald Trump, que chegou mesmo a sugerir chamar Itália para ocupar o lugar iraniano. Certamente terá sido apenas um equívoco pela semelhança das bandeiras. De volta à realidade, a viagem da delegação iraniana para os EUA foi uma incógnita até, de facto, acontecer. Para lá de todas as questões relacionadas aos vistos, que afetaram outras seleções, o Irão foi ainda proibido pelo governo local de pernoitar em solo norte-americano, sendo obrigado a regressar ao México onde, embora não dispute qualquer jogo, tem instalado o quartel-general.

Irão Jogadores
Fonte: Federação Iraniana de Futebol

Entre todas as condicionantes, o jogo foi muito mais do que tal para o Irão. É natural que, neste cenário, muito tenha passado pela cabeça dos jogadores iranianos, cuja maioria joga no campeonato local e está, portanto, sem somar minutos desde que o som das explosões substituiu o dos apitos. Não é, portanto, de estranhar que o início tenha sido marcado pela ansiedade, pelo nervosismo, por um estado de ausência na presença.

Só a meio da segunda parte se viu o Irão em campo, aproveitando as dificuldades da Nova Zelândia na transição defensiva para ameaçar. O trabalho em dupla, agora sem Serdar Azmoun, afastado da seleção depois de um aperto de mão a um governante dos Emirados Árabes Unidos, aliado dos EUA e Israel, feito pelos avançados do Irão continua a ser uma ferramenta fundamental. Desta feita foi Shahriar Moghanlou o alvo para as ligações mais diretas iranianas, com Mehdi Taremi a funcionar nas suas costas e a ser o principal motor das transições iranianas.

É, neste momento e de forma destacada, o mais impactante jogador do Irão. Não se livrou de batalhar junto dos defesas adversários pela bola, mas é cada vez mais um jogador de ligação para a sua seleção, jogando muitas vezes em linha com Saeid Ezatolahi para pegar no jogo e levar a equipa para a frente. Em sentido contrário, Saman Ghoddos foi destaque pelos movimentos contrários, de trás para a frente, ocupando o espaço de ataque e procurando entrar como surpresa. Foi fundamental na relação com os jogadores do corredor direito, quer Mohmmad Mohebi, que acabaria por circular também pelo outro lado onde marcou o golo, quer Ramin Rezaeian. É um dos destaques antigos da seleção iraniana, mas, aos 36 anos, fez o melhor jogo com a camisola do seu país. Tem um pé direito calibrado e, foi com este recurso que marcou o primeiro golo, com um belo gesto técnico depois de uma trivela a iniciar a jogada, e que assistiu para o segundo com um belo cruzamento. 

Elijah Just Chris Wood Nova Zelândia Jogadores
Fonte: Federação Neo-Zelandesa de Futebol

Seria o destaque claro do jogo não fosse a dupla que fez estragos na outra área. Não deixa de ser curioso como, finalmente, a Nova Zelândia está inserida num grupo onde poderá, ao mais alto nível, jogar sem abdicar a 100% da sua identidade local, expressa num contexto de futebol no máximo semi-profissional como é a Oceânia. A dupla Chris Wood-Elijah Just, suportada por laterais projetados, pelo impacto de Marko Stamenic na construção e pela criatividade e definição de Sapreet Singh perto da área foi decisiva no jogo neozelandês. 

Chris Wood é uma espécie de cheat code para a Nova Zelândia. Não basta estar um patamar acima de todos os outros, como também tem as características ideias para encaixar como uma luva numa equipa desta génese. Tal como em Inglaterra, também aqui joga muitas vezes a solo, tendo de batalhar com os defesas e de conseguir retirar algo de situações com muito pouco potencial. Consegue ganhar duelos, vencer bolas e saber o que fazer, quer esperar, quer tocar, quer rodar para encarar a baliza. Desta feita, foi fundamental como facilitador da entrada dos extremos, de fora para dentro a romper no espaço por si criado. Da esquerda para dentro, entrando por toda a largura, Elijah Just bisou. Passará a noite – nos EUA, claro – na liderança da lista de marcadores.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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