Luís Freire concedeu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede. O selecionador dos sub-21 olhou para a importância de trabalhar as áreas.
O Bola na Rede entrevistou em exclusivo Luís Freire, selecionador dos sub-21 de Portugal. O treinador olhou para a falta de defesas centrais e pontas de lança na formação portuguesa e apontou razões, nomeadamente o treino focado nas áreas.
«Temos um guarda-redes que está a jogar na Segunda Liga, um central que está a jogar na Segunda Liga, um lateral esquerdo que está a jogar na Segunda Liga, um lateral direito que está a jogar na Segunda Liga. O nosso ponta de lança não, seja um ou seja outro, mas às vezes não se está a apostar tanto nos jogadores em determinadas posições. Mesmo pontas de lança há poucos a jogar na Primeira Liga. Essa falta de aposta nessas posições faz com que, se calhar, médios conseguimos apontar aqui 12 ou 13 que podem jogar nos sub-21 com rendimento alto e se calhar avançados apontamos 6 ou 7, se calhar centrais apontamos 6 ou 7. Há qualidade, não há quantidade, porque também não estão a chegar a contextos muito altos. Penso que não é uma questão de qualidade, é uma questão de aposta e de oportunidade. Temos agora o Chermiti, que foi para o Rangers, e tem 15 golos no Rangers. O [Rafael] Nel fez agora uns golos também na Liga dos Campeões, o Rodrigo Ribeiro fez dois golos na Alemanha, o [Gustavo] Varela fez seis ou sete na oportunidade que teve na Primeira Liga. As oportunidades têm que surgir nessa posição também. Eu penso que o treino em Portugal também tem que ser mais focado nas áreas, sinceramente. Olhando em retrospectiva para o que fiz em alguns momentos da minha carreira e para o que ando a fazer nos últimos tempos, é olhar muito mais para as áreas, seja a defender ou atacar. É nas áreas onde se resolvem os jogos e acho que o nosso treino tem que evoluir para as áreas, honestamente».
«Acho que na formação é importante trabalhar nas áreas. As áreas é onde se definem os jogos. Nós temos médios e extremos porque também temos um treino muito orientado para o drible, para a posse, para a qualidade técnica, mas depois, tudo o que se passa dentro das áreas, tudo o que é contacto nas áreas, tudo o que é desmarcação nas áreas, tudo o que é capacidade física nas áreas e os primeiros toques nas áreas, de esquerda, de direita, de confronto no ar, o ataque à bola, a desmarcação, o contra-movimento na área, estes princípios… Olhando para a escola portuguesa tradicional de que eu faço parte, penso que nós, treinadores portugueses no geral, temos cada vez mais de olhar para as áreas, porque temos que formar grandes centrais e temos que continuar a formar grandes pontas de lance. Fazem falta ao nosso futebol. Nós olhamos para a Primeira Liga e não temos defesas centrais [portugueses sub-21] a jogar regularmente. Pontas de lança a jogar regularmente, temos o Varela, que começou a jogar mais na segunda parte da época, mas não há muitos. Guarda-redes, tivemos o André [Gomes] no Alverca. E penso que há qualidade em todos os setores».
Lê toda a entrevista de Luís Freire.

