Mais do que um tropeção, um aviso | St. Gallen 2-1 Benfica

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O Benfica perdeu, por 2-1, frente ao St. Gallen na primeira mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa, realizada esta quinta-feira, e complicou uma eliminatória que ainda continua perfeitamente ao seu alcance. Os suíços aproveitaram melhor o momento competitivo em que se encontram, foram mais intensos, mais agressivos e mais competentes nos momentos decisivos. Rafa Silva ainda anulou a vantagem construída por Aliou Baldé antes do intervalo, mas Tom Gaal voltou a colocar a equipa helvética em vantagem na segunda parte, novamente através de uma bola parada. O resultado deixa tudo em aberto para a segunda mão na Luz, mas também levanta dúvidas que vão muito além dos 90 minutos disputados na Suíça.

Ora, a boa notícia é exatamente a mesma que representa a maior preocupação. Ainda há mais 90 minutos para corrigir tudo isto. O problema é que este Benfica precisa desesperadamente de tempo, justamente aquilo que o calendário não lhe concede. É uma equipa em construção, com um treinador novo, ideias novas, vários jogadores importantes ausentes, reforços ainda por chegar e outros que continuam longe da melhor condição física. Tudo isso é verdade e tudo isso ajuda a explicar a exibição, mas nada disso a justifica por completo.

Deste modo, era impossível olhar para o onze inicial sem alguma curiosidade. Miguel Figueiredo apareceu ao lado de Manu Silva no meio-campo, precisamente depois de Marco Silva ter dado sinais claros de confiança no jovem durante a semana. Julgo que essa era mesmo a solução que muitos adeptos desejavam ver depois da lesão de Leandro Barreiro. Também a manutenção de Alexander Bah na frente de Daniel Banjaqui despertou atenção, sobretudo numa altura em que Amar Dedic já regressou e pode muito bem alterar essa hierarquia nas próximas semanas. Nas alas, surgiram Rafa e Jakub Kaminski, uma escolha lógica dentro das opções disponíveis, ainda que rapidamente se percebesse que a lógica nem sempre chega para resolver problemas dentro de campo.

Neste contexto, o mais curioso é que o plano até deixava perceber um caminho possível. Sempre que o Benfica conseguia ultrapassar a primeira linha de pressão do St. Gallen, a equipa suíça desmontava-se por completo. Havia metros para atacar, havia espaço para acelerar e havia ocasiões para criar superioridade. O problema é que isso aconteceu pouquíssimas vezes, muito porque a equipa parecia jogar com receio de errar, hesitava na saída, atrasava decisões simples e acabava frequentemente por entregar a bola ao adversário antes de conseguir instalar-se no meio-campo ofensivo. A tal pressão alta dos suíços parecia transformar um castelo de cartas numa muralha intransponível apenas porque o Benfica nunca mostrou confiança suficiente para a desmontar.

Por conseguinte, é claramente aí que o encontro começa a deixar de ser apenas um jogo de futebol e passa a ser um retrato bastante fiel do momento atual do Benfica. A equipa está amputada, faltam vários jogadores que seriam candidatos muito sérios à titularidade e, como é óbvio, nenhuma equipa atravessa uma situação destas sem perder qualidade. Esse contexto deve ser tido em consideração. No entanto, também convém não esconder uma evidência atrás dessa realidade. Se estes onze não conseguem competir de igual para igual com o St. Gallen, então dificilmente servem para garantir vitórias consistentes ao longo da temporada, independentemente da competição. Logo, a diferença entre compreender o contexto e aceitar tudo o que acontece é enorme.

Marco Silva Gonçalo Santos Benfica
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

Do ponto de vista tático, a construção desde trás foi praticamente inexistente durante quase todo o encontro. Miguel Figueiredo e Manu Silva nunca conseguiram assumir o jogo porque raramente receberam em condições para o fazer. Os suíços bloquearam as linhas interiores, condicionaram os médios para receberem sempre de costas e obrigaram os centrais a procurar constantemente bolas longas. A consequência foi evidente, ou seja, Pavlidis passou grande parte da noite entregue aos centrais adversários, obrigado a disputar duelos físicos sucessivos, muitas vezes sem qualquer apoio próximo. O avançado grego fez provavelmente mais trabalho invisível do que qualquer outro colega, baixando para oferecer linhas de passe, segurando jogo, tentando ligar setores praticamente sozinho. Acabou até por ser ele o principal criativo da equipa em vários momentos. Isso diz muito sobre a noite do Benfica.

Também aqui entra um nome inevitável: Georgiy Sudakov. Chega um momento em que deixa de fazer sentido esconder o problema atrás do potencial. Defendi muitas vezes o talento do internacional ucraniano e continuo convencido de que existe jogador ali dentro, só que também existe uma realidade impossível de ignorar. A época passada foi profundamente dececionante e a estreia oficial desta nova temporada conseguiu ser ainda pior. Recebeu quase sempre mal, perdeu bolas básicas, nunca conseguiu acelerar o jogo entre linhas, revelou dificuldades sempre que teve de jogar de costas para a baliza e voltou a demonstrar que o seu rendimento cai drasticamente quando não dispõe de espaço para pensar.

Georgiy Sudakov Benfica
Fonte: Edmilson Monteiro/Bola na Rede

O Benfica investiu uma verba histórica no jogador e, como é lógico, isso aumenta inevitavelmente a exigência, sendo que a realidade é que o rendimento continua muito distante daquilo que o Benfica precisa. A determinada altura, começa mesmo a ser legítimo perguntar se o clube não deverá reavaliar seriamente a aposta feita, até porque, hoje, ninguém pagaria um valor sequer aproximado daquele que o Benfica investiu. De facto, é duro dizê-lo, mas é impossível ignorá-lo depois de mais uma exibição tão pobre.

Por outro lado, Kaminski merece uma análise diferente, mas nem por isso mais simpática. Não gosto de condenar um jogador por 90 minutos, até porque o polaco apresenta características muito específicas. É um extremo de ataque ao espaço, de condução longa, de aceleração, e Marco Silva pediu-lhe exatamente o contrário durante quase todo o jogo. Receber parado, enquadrar em espaços curtos, decidir rapidamente perante marcações apertadas. Ainda assim, algumas dificuldades técnicas básicas foram demasiado evidentes para serem ignoradas. Domínios falhados, incapacidade para desequilibrar no um para um, pouca qualidade nas decisões e uma sensação permanente de desconforto.

Já durante o amigável com o Villarreal ficaram sinais pouco animadores. Na Suíça, essas dúvidas cresceram. Claro que o tempo e a paciência devem continuar a ser dados, porque, como se sabe, o contexto também não ajuda ninguém, só que a primeira impressão ficou muito longe daquilo que seria desejável para um investimento desta dimensão. Aliás, até quando Tiago Gouveia entrou, mesmo estando de saída do clube, conseguiu acrescentar imediatamente mais imprevisibilidade ao corredor, o que, por si só, já merece alguma reflexão.

Há, depois, algo que preocupa ainda mais do que as exibições individuais. A falta absoluta de agressividade competitiva. Note-se que o árbitro deixou jogar praticamente sempre e rapidamente se percebeu qual seria o critério. Nesse sentido, o St. Gallen adaptou-se de imediato, ao passo que o Benfica nunca o fez. Houve jogadores que ficaram várias vezes caídos à espera de faltas que nunca apareceram, perdas de bola provocadas por maus domínios técnicos, momentos em que bastava ganhar um duelo para impedir uma transição e ninguém o conseguiu fazer. Ora, isto já não tem que ver com pré-temporada, mas, isso sim, com competitividade e esse é um problema muito mais difícil de resolver do que um simples automatismo tático.

Essa competitividade também se mede na forma como uma equipa responde aos momentos difíceis e o Benfica respondeu quase sempre mal. Não porque tenha desistido do jogo, mas porque nunca encontrou soluções para alterar o rumo dos acontecimentos. Houve posse de bola, algumas aproximações à área, e até uma sensação passageira de maior controlo durante parte da segunda parte.

Todavia, faltou quase tudo o resto, isto é, velocidade na circulação, movimentos interiores para desmontar encaixes individuais que o St. Gallen executou praticamente na perfeição, trocas posicionais capazes de confundir referências, jogadores que recebessem entre linhas orientados para a frente. Faltou criatividade e, acima de tudo, faltou personalidade.

Já o St. Gallen fez justamente aquilo que se esperava de uma equipa bem trabalhada e que está várias semanas à frente na preparação. Pressionou alto num 3-5-2 que rapidamente se transformava quando o Benfica tentava construir, encaixando praticamente homem a homem em todo o campo. Os dois avançados condicionavam imediatamente os centrais, o trio do meio-campo anulava os médios encarnados e as referências exteriores eram constantemente empurradas para zonas onde o risco de perda aumentava. Repare-se que não foi um plano particularmente sofisticado. Foi “apenas” muito bem executado e isso chegou para deixar o Benfica completamente desconfortável durante largos períodos.

Do lado encarnado, sempre que Sudakov conseguia escapar à marcação e receber de frente para o jogo, surgia finalmente uma pequena nesga de luz. Pavlidis baixava para criar superioridade numérica, Kaminski procurava atacar a profundidade e a equipa encontrava finalmente espaço para respirar. O problema é que esses momentos foram residuais, sobretudo porque bastava ao St. Gallen voltar a fechar o corredor central para tudo regressar ao mesmo cenário.

Por exemplo, os extremos recebiam sempre de costas ou junto à linha e revelavam enormes dificuldades para decidir em espaços reduzidos. Rafa e Kaminski são jogadores com perfil para atacar metros, não para inventar soluções quando o jogo exige talento puro no um para um. Depois, o banco também não oferecia alternativas desse perfil. Talvez Gonçalo Moreira pudesse dar algo diferente e/ou talvez João Rego pudesse aparecer mais por dentro, só que isso já pertence ao campo das hipóteses, dado que o que ficou evidente foi outra coisa: o facto de, neste momento, este plantel possuir poucos recursos técnicos para desbloquear jogos fechados.

Essa limitação coletiva acaba, inevitavelmente, por ampliar as dificuldades individuais. É por isso que seria profundamente injusto resumir esta derrota às más exibições de Sudakov ou Kaminski. No global, eles estiveram mal, mas o problema é bem mais fundo. O Benfica mostrou poucos mecanismos para sair da pressão, poucos automatismos ofensivos, poucas ligações entre setores e uma dependência excessiva de ações individuais. Consequentemente, quando uma equipa vive quase exclusivamente da capacidade de Pavlidis receber de costas, proteger a bola e ligar o ataque, dificilmente conseguirá controlar jogos deste nível, mesmo perante um adversário teoricamente inferior.

Aliás, foi dele a assistência para Rafa no empate. Acabou, assim, por fazer muito mais do que aquilo que normalmente se pede a um ponta-de-lança, pois quando o avançado é simultaneamente referência, apoio frontal e principal criador, há qualquer coisa na estrutura coletiva que claramente não está a funcionar.

Também o próprio Rafa procurou remar contra a corrente. O golo voltou a mostrar aquilo que continua a diferenciá-lo, ou seja, o facto de atacar a profundidade como poucos. Decide quase sempre bem quando aparece lançado, mas também ele acabou muitas vezes isolado, sem combinações próximas, sem apoios suficientes e obrigado a procurar soluções individuais porque o coletivo raramente lhe ofereceu melhores alternativas.

Além disso, há capítulos que deixam de poder ser classificados como acidentes. As bolas paradas defensivas entram nitidamente nessa categoria.

O segundo golo resume um problema que já se tinha manifestado várias vezes antes. Nem sequer foi um lance particularmente elaborado. Um livre lateral, uma bola colocada ao segundo poste e Tom Gaal aparece completamente sozinho para cabecear sem precisar sequer de saltar. É difícil encontrar uma imagem mais elucidativa da desorganização defensiva do Benfica neste jogo.

O mais preocupante é que esse lance não surgiu do nada, visto que, durante toda a primeira parte, já tinham existido vários avisos praticamente iguais. Jogadores suíços a aparecerem soltos dentro da área, cruzamentos mal controlados, marcações perdidas e uma incapacidade constante para atacar a bola com agressividade. O Benfica não aprendeu durante o jogo e acabou pontualmente castigado pelo mesmo erro.

Enzo Barrenechea Benfica
Fonte: Edmilson Monteiro/Bola na Rede

Enzo Barrenechea falhou o corte no lance decisivo, é verdade, mas reduzir tudo a esse erro seria profundamente simplista. É importante perceber que o problema nasce muito antes, principalmente nas marcações, na ocupação dos espaços, na comunicação entre os jogadores e na própria preparação destes momentos. Portanto, é impossível olhar para aquilo que aconteceu e tratá-lo como mero azar.

Também as laterais deixaram motivos para preocupação. Samuel Dahl iniciou a temporada bastante abaixo do esperado e Bah, depois dos sinais positivos deixados na pré-temporada, voltou a mostrar limitações importantes quando foi colocado perante uma pressão intensa. A perda que origina o primeiro golo é apenas a consequência mais visível de uma exibição marcada por decisões pouco felizes. Com Dedic já de regresso, dificilmente estas hierarquias poderão permanecer intocáveis durante muito tempo.

Enzo Barrenechea Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Enfim, nem Trubin escapa à análise. Há muito que vive preso à mesma avaliação, até porque raramente compromete de forma escandalosa. Contudo, ao mesmo tempo, fica quase sempre a sensação de que poderia fazer mais. O remate de Baldé é difícil, muito difícil de travar, só que continua a parecer um lance em que um guarda-redes de topo talvez encontrasse forma de impedir o golo e um clube que luta por títulos precisa precisamente desse tipo de diferença. Neste momento, Trubin continua sem transmitir essa capacidade de decidir jogos.

No entanto, por muito que se analisem erros individuais ou decisões técnicas, este jogo acaba por conduzir, inexoravelmente, a uma discussão mais ampla, arriscando-me a dizer que talvez seja rigorosamente aí que reside o maior problema do Benfica atual.

A derrota na Suíça não nasceu apenas dos 90 minutos disputados em St. Gallen. Nasceu de muitos meses de decisões acumuladas, nomeadamente de um planeamento que, depois de uma quase interminável novela em torno do futuro de José Mourinho, voltou a deixar um treinador a iniciar uma época sem as ferramentas de que necessita.

Desta maneira, nem o próprio Marco Silva escondeu durante a pré-temporada que pretendia reforços e admitiu que eles poderiam não chegar ao ritmo desejado. A questão é outra, designadamente a de que a direção do Benfica sabia perfeitamente quando começava a época oficial e sabia perfeitamente que existiam várias pré-eliminatórias europeias para disputar, pelo que quem quer que fosse o novo treinador precisava de tempo para implementar ideias. Porém, chegou ao primeiro jogo oficial praticamente sem soluções para mudar o rumo de uma partida complicada.

Franjo Ivanovic Benfica
Fonte: Edmilson Monteiro/Bola na Rede

Basta olhar para o banco. Num momento em que precisava de ganhar e, depois, de recuperar da desvantagem, Marco Silva lançou Enzo Barrenechea, Tiago Gouveia, Franjo Ivanovic e João Rego. Não é uma crítica aos jogadores, mas uma constatação sobre a profundidade do plantel e isso não é responsabilidade do treinador recém-chegado à Luz.

É evidente que a integração dos mundialistas ajudará muito. Fredrik Aursnes, Andreas Schjelderup, Richard Ríos, Dodi Lukebakio e os restantes aumentarão imediatamente o nível competitivo da equipa. Também Jhon Durán dará outro peso ao ataque quando puder ser utilizado. Tudo isso é verdade, mas também é verdade que o Benfica, mesmo com todas essas ausências, tinha obrigação de apresentar muito mais perante o segundo classificado da última edição do campeonato suíço.

Ainda assim, convém fazer aqui uma distinção importante. O St. Gallen não é uma equipa qualquer e está longe da caricatura que alguns fizeram antes da eliminatória. É uma equipa bem recrutada, bem orientada por Enrico Maassen, com uma identidade muito clara e que tem vindo a realizar campanhas internas bastante consistentes. Existe uma ideia de jogo sólida, uma pressão coordenada, jogadores agressivos nos duelos e um modelo perfeitamente assimilado. Merece respeito e elogios pelo trabalho desenvolvido, mas é óbvio que continua a estar vários patamares abaixo daquilo que deve ser um Benfica preparado para lutar por títulos nacionais e por presenças regulares na Liga dos Campeões, pelo que é essa diferença de estatuto que torna esta derrota tão pesada.

Pelos lados da Luz, aquilo que mais inquieta nem sequer deve ser o resultado. O 2-1 é perfeitamente recuperável na Luz. O que inquieta é a facilidade com que os problemas se repetem época após época.

Talvez seja por isso que este resultado diga tanto sobre os últimos anos do clube. Há uma sucessão de erros que parece nunca gerar verdadeira aprendizagem. Repete-se o mesmo tipo de planeamento, repetem-se os mesmos atrasos, repetem-se as mesmas justificações e repetem-se demasiadas vezes as mesmas fragilidades dentro de campo.

A gestão, a comunicação, o scouting e o próprio planeamento desportivo continuam a transmitir a ideia de que trabalham em compartimentos separados, quando uma organização vencedora exige precisamente o contrário. O futebol profissional acaba por ser apenas o espelho de tudo isso. Nenhum clube constrói sucesso sustentado sem uma cultura organizacional forte nem sem uma liderança consistente. É certo que ainda há tempo para corrigir o caminho, só que para isso será preciso reconhecer primeiro que o problema existe, humildade para aceitar que nem tudo tem sido bem feito e, acima de tudo, coragem para mudar o que tem de ser mudado.

Marco Silva Benfica
Fonte: Edmilson Monteiro/Bola na Rede

Isso não significa que Marco Silva fique isento de responsabilidades. Muito pelo contrário, pois o treinador também terá de encontrar respostas rapidamente e de tomar decisões difíceis relativamente a jogadores que continuam sem justificar a confiança que lhes tem sido dada. Desta forma, o tempo é curto e a margem de erro também.

Contudo, seria profundamente injusto transformar esta derrota numa sentença definitiva sobre um treinador que trabalha há menos de um mês com um grupo incompleto. O verdadeiro julgamento começará quando o plantel estiver estabilizado, os reforços estiverem integrados e os processos consolidados. Aí já não haverá a proteção do contexto.

Até lá, permanece uma certeza. O Benfica continua favorito para seguir em frente nesta eliminatória. Tem qualidade suficiente para vencer na Luz e corrigir esta primeira mão. Provavelmente até o fará, mas esse eventual apuramento não deverá apagar aquilo que aconteceu na Suíça. Se bastar uma vitória para fingir que nada disto existiu, então o clube voltará a cair no mesmo ciclo que o trouxe até aqui.

Em suma, St. Gallen não expôs apenas um Benfica sem ritmo. Expôs um Benfica sem soluções para muitos dos problemas que já transportava da época passada e a realidade é que a imagem deixada em campo será muito mais difícil de apagar.

Porque a boa notícia continua a ser o facto de haver uma segunda mão e a má notícia é exatamente a mesma. O Benfica tem mais 90 minutos para salvar a eliminatória. Já o tempo necessário para construir uma equipa capaz de não voltar a repetir uma exibição destas continua, esse, muito longe de existir.

Raul Saraiva
Raul Saraiva
O Raúl tem 19 anos e está a tirar a Licenciatura em Ciências da Comunicação. Pretende seguir Jornalismo, de preferência desportivo. Acredita que se aprende diariamente e que, por isso, o desporto pode ser melhor.

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