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Opinião

Pavlidis foi Ulisses e Marco Silva foi Christopher Nolan na Odisseia do Benfica

Não foram precisos 10 anos para o Benfica regressar a casa, mas há semanas que se parecem arrastar por 10 anos. A Suíça não é sequer semelhante a Tróia na geografia ou na brutalidade dos seus habitantes. Neste período, não houve sereias, ciclopes ou jogadores do Benfica transformados em porcos para fazer equivaler a jornada de Ulisses, de regresso a Ítaca, à encarnada, no regresso às vitórias, uma estreia esta temporada. Como um bom filme, a uma quinta-feira. Como o que Christopher Nolan (e Homero, justiça seja feita), com um grego a desafiar os deuses, num estatuto de invencível que quase o coloca no mesmo patamar. Não foi no IMAX do Colombo, mas foi no outro lado da rua, com nota máxima e, superiorizando-se a qualquer tecnologia, em 5D. A Odisseia do Benfica foi escrita e resultou numa vitória incontestável e numa goleada que, noutras condições, seria óbvia. Pela primeira mão, tornou-se necessária e imperativa. A exibição de Vangelis Pavlidis é daquelas para emoldurar e colocar na parede, não de casa, não de um museu, mas do Olimpo. Os golos, quatro, a cair que nem cerejas, são apenas a ponta de um icebergue bem mais profundo. Antes deles, vieram as constantes ligações em apoio. Que o avançado grego sabe ligar e associar-se aos companheiros é verdade, mas poucas vezes se viu tamanho esclarecimento e acerto na definição. Joga a dois ritmos diferentes. Ou vem cá atrás, qual Harry Kane na ligação, para atrair a marcação (fundamental diante marcações individuais tão agressivas como a do St. Gallen), ligar e meter alguém de frente com espaço nas costas para a bola entrar, ou funciona como opção para jogar na área, procurando os intervalos para receber e estar de frente com a baliza. Nem sempre é o mais eficaz, mas até Ulisses teve problemas em lidar com o canto das sereias.

Diogo Ribeiro · 6 min de leitura
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