Chegou ao fim o Masters 1000 de Montreal, no Canadá, e Ben Shelton é o tenista do momento. Na final, o norte-americano bateu o compatriota Brandon Nakashima pelos parciais de 6-3 e 7-6 (4) e sagrou-se bicampeão no Canadá. Um feito que, neste século, só aconteceu por três vezes: Andy Murray (2009-10), Novak Djokovic (2011-12) e Rafael Nadal (2018-19).
O jovem de Atlanta aproveitou da melhor maneira as ausências de Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Novak Djokovic, além das eliminações precoces de Alexander Zverev, Daniil Medvedev e de Alex De Minaur. Shelton esteve ao seu melhor nível, não cedendo um único set durante todo o torneio, e vai para o US Open moralizado.
O norte-americano procura, em casa, uma melhor prestação num torneio do Grand Slam, depois ter sido eliminado nas rondas iniciais em Roland Garros e Wimbledon.
Ben Shelton soma agora quatro títulos conquistados esta temporada, depois dos triunfos em Estugarda, Munique e Dallas. Esta foi uma final totalmente norte-americana, algo que não acontecia num Masters 1000 desde a vitória de Andy Roddick sobre Mardy Fish em Cincinnati, em 2003.
A caminhada de Shelton começou contra o compatriota Jenson Brooksby. Num jogo que durou uma hora e 37 minutos, o tenista de 23 anos venceu pelos parciais 3-6 e 5-7. Na ronda seguinte, esmagou Zizou Bergs por 3-6 e 2-6. O norte-americano soube aproveitar as faltas de pé e as duplas faltas do adversário belga e começou a mostrar que a revalidação do título era possível.
Nos oitavos-de-final, o canhoto marcou encontro com o prodígio brasileiro, João Fonseca, que na ronda anterior tinha eliminado o norueguês Casper Ruud. Numa partida que durou quase duas horas, Shelton afastou João Fonseca por 6-3, 7-6 (7/3). No segundo set, o carioca comprometeu as suas hipóteses de vencer o jogo ao aterrar mal sobre o tornozelo depois de falhar um smash, num momento em que vencia por 3-1, 40-30.
Sendo o único tenista TOP 10 ainda em prova, Shelton qualificou-se para as meias-finais ao vencer Jakub Mensik por 6-3 e 6-1. O jovem de Atlanta bateu o checo com relativa facilidade, precisando de apenas 72 minutos para passar à fase seguinte. Shelton mostrou-se muito coeso e preciso, cometendo apenas três erros não forçados.
O que separava Shelton da tão aguarda final era Learner Tien. O tenista norte-americano, de apenas 20 anos, foi um dos destaques deste Masters 1000 de Montreal, onde só tinha perdido um set até ao momento. Contudo, Tien não conseguiu responder ao ritmo avassalador de Shelton, que venceu por 6-2 e 6-3 em uma hora e 24 minutos.
O norte-americano começou a construir a sua vitória ao conquistar os últimos quatro jogos do primeiro set de forma consecutiva. No segundo set, abriu uma vantagem de 3-0 e manteve o controlo da partida, mesmo depois de ter sido assistido devido a um corte no cotovelo esquerdo, fruto de um embate no fundo do court.
Brandon Nakashima foi o último obstáculo de Ben Shelton. O número 22 do ranking ATP deixou pelo caminho Daniel Altmaier, Titouan Droguet, Arthur Rinderknech, Luciano Darderi e a estrela em ascensão Rafael Jodar. Nakashima fez um torneio muito sólido, mas, na final, enfrentou uma exibição de luxo de Shelton e não conseguiu conquistar o seu primeiro título de um torneio Masters 1000.
Uma pequena nota para a prestação dos tenistas portugueses neste Masters 1000 de Montreal. Jaime Faria foi derrotado na sua partida inaugural pelo francês Titouan Droguet, pelos parciais de 7-6 e 6-2, e não conseguiu alcançar a primeira vitória da carreira num quadro principal desta categoria. O lisboeta levou o primeiro set para tie break, mas a eficácia de Droguet nos pontos decisivos foi crucial. No segundo set, o tenista francês não deu qualquer hipótese a Jaime Faria.
Nuno Borges não teve um começo fácil, ao precisar de duas horas e 28 minutos para vencer o norte-americano Aleksandar Kovacevic por 6-7 (7-9), 6-2 e 6-4. Na ronda seguinte, encontrou um velho conhecido, Tomas Martín Etcheverry, e, numa partida mais tranquila, afastou o argentino, por 6-4 e 6-2. Seguiu-se Yannick Hanfmann, e o tenista maiato a precisar apenas de dois sets para resolver o encontro.
A caminhada de Nuno Borges terminou nos oitavos-de-final contra o italiano Luciano Darderi. O português até venceu o primeiro set, mas Darderi deu a volta ao encontro e terminou o jogo com os parciais de 6-4, 3-6 e 5-7.

