O Prémio Talento do Mês Bola na Rede referente ao mês de fevereiro de 2026 já foi entregue. Carolina Correia, defesa-central do Torrense, foi a jogadora distinguida com um galardão que premeia o bom mês da internacional portuguesa.
Quem é Carolina Correia?


Foi a 3 de abril de 2002, em Lisboa, que nasceu Carolina Correia, jovem central do Torreense e da seleção nacional que se vem destacando nas últimas temporadas na Primeira Liga Feminina.
Foi no Casa Pia que Carolina Correia iniciou a sua formação e no Benfica que a completou. Depois de dois anos nas águias a maturar o seu desenvolvimento, em 2020, ano em que atingiu a maioridade, a central seguiu por empréstimo para o Damaiense, onde fez a primeira época como sénior.
Seguiram-se duas épocas na equipa principal do Benfica, a primeira das quais ainda repartida pela equipa B. A competição feroz e os poucos minutos nas pernas foram os ingredientes que cozinharam um novo empréstimo para o Torreense, já em 2023. Com 25 jogos nessa época, a jogadora acabou por se transferir definitivamente para Torres Vedras.
Esta é já a terceira época da central na formação que se tem convertido numa das atrações desta temporada. Depois de fazer história com a conquista da Taça de Portugal Feminina no último jogo de 2024/25, a nova época já trouxe a Supertaça para o Torreense e uma final da Taça da Liga para disputar. Isto tudo, com Carolina Correia como capitã e uma das principais destaques da equipa.
Foi também no final da última época que Carolina Correia começou a ganhar o seu espaço na seleção nacional, onde já tem presença sólida nas convocatórias. Com 23 anos e numa altura em que se aproxima a renovação no setor defensivo, a defesa é uma das grandes esperanças para a posição e já leva cinco internacionalizações por Portugal e uma grande competição no currículo (Euro Feminino 2025).
Fevereiro em números:
- Jogos: 3
- Vitórias: 3 (incluindo penáltis)
Como joga Carolina Correia?


Não há como ignorar a evolução do futebol feminino em Portugal nos últimos anos, transparente a nível de resultados, mas também das condições. Para lá de todas as imperfeições que existem e que dão mostras de que não há trabalho finalizado e de que continua a haver muita necessidade de investimento e profissionalização, o reverso da moeda abre novas perspetivas sobre as jogadoras.
Carolina Correia é um dos produtos destas mudanças e tem, nas suas características individuais, vários traços que demonstram a importância da formação, da compreensão do jogo e dos princípios individuais e coletivos na construção de uma jogadora. É uma jogadora de academia e, como central, com mais-valias claras com e sem bola.
É, no cômputo geral, uma jogadora muito sóbria e consistente, sem grandes exuberâncias, mas com a missão certa e, em muitos momentos, facilitada por posicionamentos, perfilhamentos e abordagens certas. Defensivamente, consegue jogar na antecipação, prever cenários e vencer duelos a partir da imposição certa, mais do que pela bruta procura da afirmação física.
Com bola, a partir do eixo da defesa, tem vindo a ganhar mais recursos e influência na saída de bola da sua equipa. Procura evitar erros e jogar pelo seguro, alternando entre posses mais curtas e mais longas e fazendo-se valer das mais-valias no passe.
A estas características, assume-se também dentro de campo como a principal referência da equipa em termos de liderança e organização, como a braçadeira o faz transparecer. Aos 23 anos, carrega no braço o sinónimo da autoridade – num sentido positivo da palavra – que consegue aportar à linha defensiva nos alinhamentos e abordagens.
Como joga o Torreense de Carolina Correia?


Em quase todo o percurso de Carolina Correia no Torreense, foi Gonçalo Nunes quem orientou a formação de Torres Vedras. Já com mais de dois anos ao leme do mesmo treinador, o Torreense é um dos emblemas mais identitários da Primeira Liga Feminina.
Organizado num 5-2-1-2, o Torreense é uma equipa que procura um futebol atrativo e valorizar a bola. Com as alas a procurar projetar, a equipa de Gonçalo Nunes procura atrair o adversário a pressionar as centrais para fazer a bola chegar às médias ou à número 10, normalmente Daniuska Rodríguez, em condições de se virarem de frente para o jogo.
Para este jogo, pensado com o objetivo maior do domínio e da criação, há outras duas áreas fundamentais no terreno. Na linha defensiva, há capacidade para cobrir metros e para ter bola, não procurando despejá-la sem rumo definido. Na frente, e entre os múltiplos perfis de avançadas (para a dupla ou mesmo para um trio, juntando o vértice mais adiantado do meio-campo), há capacidade para definir complementos e jogar estrategicamente com o plano do jogo.
Sem bola, é uma equipa que procura montar pressões no campo adversário, com as alas a equilibrar a equipa do ponto de vista defensivo e a suportar o lado da bola e com a procura clara de incomodar as saídas de bola adversárias. Ainda assim, em certos contextos e momentos de jogo, é uma equipa também confortável na defesa da área e num bloco mais baixo.
Acima de tudo, para lá das condições técnicas das jogadoras, é uma equipa que se consegue impor também do ponto de vista físico. A capacidade para ganhar metros e vencer duelos em vários pontos do campo é essencial para balizar esta procura de jogo do Torreense e para potenciar as jogadoras.
Resultados em fevereiro:
- Torreense 3-1 Marítimo
- Torreense 0-0 (7-6 g.p) Benfica
- Torreense 1-0 Rio Ave
Carolina Correia na 1.ª pessoa
Lê toda a entrevista de Carolina Correia ao Bola na Rede.
«Acho que é o reconhecer daquilo que é o meu trabalho individualmente nesta época. Se não fosse o trabalho positivo da equipa também não estaria aqui. É um orgulho receber este prémio, por conseguir representar bem o Torreense e este projeto».
O Prémio Talento do Mês Bola na Rede
O Bola na Rede está atento ao melhor do desporto nacional, em particular o futebol. O antigo Prémio Revelação passa agora a chamar-se Talento do Mês. Desta forma, deixa de distinguir apenas jogadores emergentes e passa a premiar qualquer atleta que se destaque ao longo do mês, independentemente da idade ou fase da carreira.
A nova designação torna o prémio mais abrangente e coerente com a realidade competitiva desportiva. Assim, o Bola na Rede vai procurar premiar os desportistas capazes de brilhar nos mais diversos palcos de Portugal e, quiçá, do mundo.



