Steve McClaren revelou que Cristiano Ronaldo entrou em conflito com Erik ten Hag por se recusar a fazer pressão alta. Essa recusa dividiu o balneário e ditou a saída do português do Manchester United.
Steve McClaren, antigo adjunto de Erik ten Hag no Manchester United (entre 2022 e 2024), concedeu uma entrevista ao portal britânico The Athletic, na qual revelou os reais motivos que estiveram na origem do confronto entre o treinador neerlandês e Cristiano Ronaldo. A discórdia culminou com o corte de relações e a rescisão do internacional português com o emblema inglês em novembro de 2022, antes da sua ida para o Al Nassr.
Segundo o veterano técnico inglês de 64 anos, o conflito nasceu da exigência tática de Ten Hag, que insistia que o avançado luso, apesar da idade, fosse o principal elemento na primeira linha de pressão sobre as equipas adversárias.
«O Erik tentou impor o seu estilo e foi por isso que esteve em conflito com o Cristiano Ronaldo durante todo o tempo. Eu disse ao Erik, logo no início: ‘Ou és tu ou é ele’», revelou McClaren, acrescentando que, embora Ronaldo estivesse bem no geral, «não queria fazer o trabalho que o Erik queria que ele fizesse. Ou não se sentia capaz de o fazer».
As instruções da equipa técnica quando não tinha a posse de bola eram claras e exigiam um desgaste considerável: fechar no meio, ser o primeiro a pressionar assim que regressasse à posição e realizar corridas duplas ou triplas. Face à resistência do português, o adjunto tentou intervir de forma direta:
«Eu costumava dizer ao Ronaldo: ‘Se queres jogar, é isso que tens de fazer’. Ele argumentava: ‘Ah, ninguém quer pressionar’. Eu dizia: ‘Bem, são todos rapazes jovens, eles conseguem pressionar’. (…) Tens de correr, é simples, Ronaldo. Se não o fizeres, não jogas».
A intransigência de ambas as partes acabou por dividir o balneário dos red devils. De acordo com McClaren, o equilíbrio na questão era significativo:
«Provavelmente, metade do plantel dizia: ‘Achamos que o Ronaldo tem razão’, e a outra metade dizia: ‘Achamos que o Erik tem razão’».
Para enquadrar a situação, o ex-adjunto traçou ainda um paralelo com a autoridade de Sir Alex Ferguson, referindo que o histórico treinador escocês lidou exatamente com os mesmos problemas na sua época, mas detinha um poder indiscutível no clube.
«Com o Ferguson, ou ele tinha razão ou estavas fora. (…) E essa é a autoridade, o poder que ele tinha desenvolvido ao longo de muitos anos. O Erik não teve o mesmo tempo», concluiu.



