Diogo Costa falou de muitos temas: chegada de Francesco Farioli, morte de Jorge Costa, ser capitão do FC Porto, Mundial 2026 e mais.
Diogo Costa é o Jogador do Ano do Zerozero e deu uma larga entrevista, na qual falou sobre vários temas. Entre eles, o guarda-rede do FC Porto foi questionado sobre o que mudou da última temporada para esta, que culminou na conquista da Primeira Liga.
«Foi muito diferente da época passada. Para ser muito direto e muito simples, acho que a vinda de um novo treinador, o mister Farioli, foi o que mudou as dinâmicas do nosso estilo de jogo. Um treinador muito jovem, com muita qualidade para a idade que tem, para a experiência que tem… o ponto principal foi aí. É um treinador que tem os seus valores muito parecidos ou até iguais ao ADN do FC Porto».
Diogo Costa falou sobre a chegada de Francesco Farioli ao Dragão:
«O mister tinha aquela vontade de ganhar o seu primeiro título. Acredito que, pelo passado no Ajax, também vinha um pouco frustrado pelo que passou. E acho que mesmo ele sentiu que, à medida que fomos jogando, esse desejo que ele tinha de ganhar um título estava muito próximo, que podia ser possível. Acho que o ponto principal foi a vinda do nosso treinador, porque veio com novas ideias, métodos de treino muito bons, muito intensos e acho que isso foi sempre a nossa maior arma neste campeonato, assim como a confiança que o mister teve em fazer todas essas rotações da equipa. Acho que o estilo a que ele nos habituou, às suas ideias, sempre foi dar confiança a todos os jogadores, que todos os jogadores pudessem estar no seu melhor e, de certa forma, que desse uma base para o que foi a época, aquilo que ia ser a nossa época. Para mim, sinceramente, foi o ponto onde tudo começou, onde tudo mudou para melhor».
Diogo Costa recordou a morte de Jorge Costa:
«É um momento que eu nunca vou… Tudo o que aconteceu com ele, acho que nunca vou esquecer um dia tão mau. Mas acho que também nos deu muita força, porque não estávamos a jogar só por nós, estávamos a jogar pelo Jorge também. Pelo carácter que o Jorge tinha, meteu logo toda a gente a gostar dele, desde o primeiro dia da pré-época. Todos os jogadores, todo o staff, toda a equipa técnica, tínhamos algo para fazer a mais por uma certa pessoa, isso ainda foi um fator de mais motivação, de estar disposto a sofrer nos jogos para, no fim, conseguirmos o campeonato».
«Nós tínhamos um quadro que tinha lá o nome do Jorge Costa e todos rubricámos esse quadro com o compromisso de fazer mais do que é suposto fazer, por ele. E todos nós rubricámos esse quadro, que esteve connosco em todos os jogos, além de uma camisola pendurada, por isso foi algo que levámos para todos os jogos», referiu ainda.
Diogo Costa falou sobre o ADN FC Porto:
«Sinceramente, não sei ser de outra maneira, porque toda a minha vida passei cá no FC Porto, na cidade. Fui para a Casa Dragão aos 15 anos, comecei a morar lá. Eu não sei ter outro ADN, outra cultura, tenho muito orgulho de fazer parte desta região, somos um povo que está sempre disposto a sofrer pelo sucesso».
Diogo Costa recordou a derrota frente ao Casa Pia:
«Ia exatamente falar desse jogo. Nesse jogo percebemos o que é que realmente estava a faltar. E se calhar faltava fazer mais cinco metros. Ou seja, acho que foi um alerta muito bom para a equipa».
«Acho que as derrotas nunca são boas, mas foi bom para voltar a despertar a malta, dar uma chamada de atenção. Perceber que não ia ser um campeonato fácil, apesar de termos feito um bom início. Estrategicamente, as outras equipas já começavam a perceber como é que nós jogamos e nós tínhamos de tentar ser mais imprevisíveis, partindo de uma base. Mas ia pegar nesse jogo com o Casa Pia, foi o jogo que nos fez, se calhar, aumentar a voltagem da tomada», acrescentou de seguida.
Diogo Costa falou sobre ser o capitão do FC Porto:
«Acho que, num todo, todos os colegas me respeitam. Sabem que sou uma pessoa que está no Clube há algum tempo, sempre senti carinho de toda a gente, nunca senti falta de respeito de ninguém. Tentei sempre ser o exemplo para eles, porque lembro-me de ser mais novo e também olhar para os exemplos da casa, os jogadores que estavam no FC Porto. E eu, no fundo, quero também continuar a ser esse exemplo para eles e, claramente, ser uma ajuda para todos. Foi fundamental não só como eles olharam para mim, mas mesmo com a chegada de algumas «carcaças». Toda a gente teve um respeito muito grande por todos e é muito bonito recordar. Acho que veem um amigo pronto a ajudá-los e que olha sempre para o coletivo».
«Sempre senti respeito de todos os jogadores, incluindo o (Jan) Bednarek, além da vinda do Thiago Silva. E o que também procurei foi aprender com eles. Eles sempre me ajudaram nessa liderança, tal como todos os outros capitães. Mas foi uma ligação muito saudável, todos estamos à procura de ganhar. É mais de meio caminho andado para termos sucesso», também referiu.
Diogo Costa falou sobre a relação com Cláudio Ramos:
«Já estamos há algum tempo juntos no FC Porto, temos uma ligação muito gira, ao mesmo tempo de muito respeito, com princípios muito parecidos. Nas Aves foi exatamente essa sensação que eu tive, de que ele não merecia. Pelo colega que ele é, pelos seus princípios, pelo seu carácter, pelo amor que ele ganhou no Clube desde a chegada. Ele não era portista e vai ser portista até morrer. Esse sentimento foi o que tive naquele momento, logo a seguir ao jogo, tive que o abraçar e mostrar todo o respeito que ele sempre mostrou por mim e queria fazer-lhe o mesmo».
Diogo Costa recordou Sérgio Conceição:
«Lembro-me das primeiras vezes que cheguei para treinar com ele, vinha da formação, mais gordo e ele dizia que isso não era de profissional. Aquelas lições de vida que, olhando para trás, estou mesmo muito grato, levo um carinho muito grande para com ele sempre e levo isso para toda a minha vida profissional».
Diogo Costa foi questionado sobre o desafio proposto pelo presidente André Villas-Boas quanto à camisola 2:
«Obviamente fico muito honrado por esse desafio do presidente, mas ao mesmo tempo é um número com muita responsabilidade. Vem de uma pessoa (Jorge Costa) pela qual eu tenho muito carinho. Mas é algo que ainda estou a pensar. Depois, tenho o Mundial para fazer e a seguir terei tempo para tomar uma decisão. Mas é algo que tem de ser pensado».
Diogo Costa falou sobre o mercado:
«Acho que esse medo já existe para aí há três anos. O que procurei foi sempre dar o meu melhor onde estiver. E, jogando por este clube, é um amor especial, é um amor diferente. Acho que não há muito para pensar, como estar no dia-a-dia, acho que é algo natural. Obviamente, somos profissionais, são coisas que não dependem só de mim, mas o meu foco agora é com o FC Porto. E é isso que vai continuar a acontecer».
Diogo Costa daria o prémio de Jogador do Ano a Victor Froholdt:
«Acho que dava ao (Victor) Froholdt. A energia que ele nos trouxe para o nosso estilo de jogo acho que é mesmo muita, não há como fugir. É uma peça-chave, deu-nos muita gasolina e era completamente merecido se fosse entregue a ele».
Diogo Costa daria a Francisco Trincão, quando questionado sobre fora do plantel do FC Porto:
«Talvez ao Trincão. Está um jogador que evoluiu muito, cresceu muito e eu admiro-o. Também o conheço a nível de seleção… acho que daria ao Trincão».
Diogo Costa olha para o Mundial 2026:
«Acho que é bastante óbvia a expectativa: nós todos queremos ganhar o Mundial. Acho que devemos pensar jogo a jogo, porque já passei por experiências a pensar na final e esquecemos de fazer o que está no presente. Obviamente somos uma seleção com muita qualidade. Temos uma geração mesmo muito rica em qualidade, não só em qualidade técnica. Quando digo qualidade, refiro-me a um conjunto de fatores, mas obviamente temos a expectativa de ganhar o Mundial, até porque queremos muito jogá-la pelo Diogo Jota e o seu irmão. Obviamente é mais uma força para este Mundial, mas acho que agora como capitão também a falar do FC Porto, acho que devemos pensar jogo a jogo e estarmos unidos. A expectativa está muito alta. Acho que todos nós, jogadores da seleção, sentimos essa responsabilidade de representar bem o país e é isso que vamos fazer».

