Filipe Martins foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O treinador português relembrou passagem pelo Wuhan Three Towns.
Filipe Martins foi entrevistado pelo Bola na Rede e passou em revista vários dos momentos da carreira. O treinador português recordou a passagem pelo Wuhan Three Towns, na China.
«Ficou uma porta bem aberta e falo ainda muito com os dirigentes e com algumas pessoas do próprio clube [Wuhan Three Towns]. Acima de tudo acho que houve mais um choque de mentalidade da minha parte, porque também foi a minha primeira experiência no estrangeiro. Eu não ia muito bem preparado para aquilo que ia encontrar e fui português 100%, ou seja, tentei incutir uma mentalidade que acho que é aquilo que nos faz grandes. Não digo só eu, o treinador português, muito pela sua exigência, o seu conhecimento do jogo, o seu profissionalismo, faz a diferença. Não fui completamente compreendido nos primeiros tempos. Apontei na altura à administração que tínhamos claramente que mudar a mentalidades, porque senão a equipa iria ter muitas dificuldades. Tinha sido uma equipa que tinha sido há uns anos, em 2020 salvo erro, campeã chinesa, só que os jogadores vão ficando mais velhos e há vícios que se criam dentro dos clubes que muitas das vezes não são bem aceitos quando são apontados. O que é curioso é que passado algumas semanas, alguns meses, o feedback era exatamente o contrário. “Mister, você é que tinha razão, você apontou-nos os problemas nós não quisemos muito não quisemos muito aceitar, achámos que era exigência a mais ou que estávamos a ser um bocadinho cobrados de forma injusta”. O que é certo é que, infelizmente, esta época revelou que era preciso fazer uma transformação radical para o clube dar um passo em frente. Se calhar naquele momento não foram bem recebidas as minhas críticas em relação à atitude, principalmente dos jogadores mais velhos, os jogadores que viveram a Superliga Chinesa no seu auge. Sentia que estavam muito acomodados para as minhas ideias e a minha intensidade do treino. Mas também cometi alguns erros porque não respeitei tanto a cultura do futebol chinês e vou dar um exemplo. Fui alertado que não deveria treinar de manhã porque eles não estão habituados a treinar de manhã. Não gostam de se levantar cedo para treinar e preferem treinar à tarde e eu fui um bocadinho inflexível nas minhas ideias».
«Não digo uma guerra, mas acho que foi uma coisa em que eu podia ter-me moldado, apesar de acreditar muito que o treino de manhã é muito mais produtivo. Porque é que iria arranjar uma guerra por causa de uma situação dessas? Se é cultural e se os jogadores se sentem mais confortáveis, eu acho que também faz parte do treinador e do ser humano adaptar-se e eu se calhar podia ter-me adaptado. Havia muito trânsito na cidade, é uma cidade que a nível de de ambiente ou é muito quente ou é muito frio, ou seja, ao final da tarde é sempre um bocadinho… Mas foram decisões que eu tomei na altura, que tomei de consciência, mas que se calhar hoje faria as coisas um bocadinho diferentes. Acho que, quando nós vamos para fora, temos de ser muito fiéis às nossas ideias, mas também temos de nos habituar e temos que nos adaptar rapidamente ao ambiente à nossa volta porque não conseguimos mudar as coisas de um dia para o outro e, no futebol, muitas das vezes não temos tempo para mudar as coisas como queremos».
Lê a entrevista de Filipe Martins na íntegra.

