Filipe Martins foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O treinador português explicou saída do Chaves.
Filipe Martins foi entrevistado pelo Bola na Rede e passou em revista vários dos momentos da carreira. O treinador português recordou e explicou a sua saída do Chaves e deu um olhar geral para a temporada.
«Agora posso falar disto à vontade porque os diretores sabem disto, a minha ideia era sair três, quatro semanas antes. Pelo menos três semanas antes. Porque eu já não estava a sentir, até mesmo de fora para dentro. Depois houve um fator que, inconscientemente ou não, também começou a afetar um bocadinho o grupo, o clube, e os adeptos. Nós, em novembro, mudamos de administração. Passámos de administração local, pessoas que estão ligadas à cidade de Chaves, como é a família de Carvalho e que tem um passado de sucesso, para um grupo mexicano que vinha, claramente, com muito boas intenções. E, na minha opinião, vem. Não tenho minimamente nada a apontar, pelo contrário. Acho que o presidente Dante [Elizalde] sempre passou uma mensagem muito positiva e, na minha opinião, no futuro, se conseguirem transportar as ideias que trazem, podem, claramente, voltar à Primeira Liga. Agora, Chaves é uma cidade pequena e sente-se muita coisa. Há muita pressão e é fácil passar para dentro de um balneário, porque os jogadores moram todos em Chaves. Não se abstraem daquilo e não podem passar a vida em casa. E eu próprio, como treinador, foi o clube em que eu senti mais pressão em cima da equipa, desde a primeira jornada em casa».
«Começamos com oito jogos sem perder, com muitos empates ali pelo meio. Depois temos uma boa sequência de quatro vitórias e um empate pelo meio, que nos cola lá em cima. Depois há aqui um fator que cheguei a falar com o Nélson [Lenho], o diretor desportivo. Tivemos ali depois uma pausa de três ou quatro semanas, porque antecipámos um jogo e adiámos outro, alguma coisa do género, para deixar que os jogadores fossem a casa no Natal. Pode ter sido uma coincidência ou não. Começámos essa sequência no jogo antes de irmos de férias, até fizemos um plano motivacional para os jogadores. Íamos ter quatro ou cinco jogos antes da paragem do Natal e até dissemos que por cada jogo que conseguissem ganhar, dávamos um dia extra. Depois demos quase uma semana nessa altura. No último jogo perdemos em casa com o Portimonense, mas senti que também foi um fator que, se nós pensávamos que podia ser motivador, o que é certo é que a ausência de competição, se calhar retirou-nos um bocadinho aquela ambição que nós estávamos a conseguir ganhar».
«Pode ter sido, pode não ter sido, mas, acima de tudo, acho que tudo o que vinha para trás demonstrou aquilo que era um bocadinho a equipa. Era uma equipa que, quando ganhava, conseguia galvanizar-se muito e depois, quando perdia, começava a perder muita crença naquilo que era preciso fazer. Isso fez-me pensar muito, porque, como sempre, a primeira coisa que eu tento perceber é se estou a fazer as coisas bem, mas eu sentia que era um bocadinho mais o coletivo e não apenas a mensagem. E a minha saída leva um bocadinho a isso. Sai à 21.ª jornada, salvo erro, numa fase em que, claramente, se podia chegar acima, mas que era preciso uma sequência de vitórias, como nós já tínhamos tido. Disse claramente isto, mas o Chaves nunca foi capaz de fazer essa sequência de vitórias. O máximo que conseguiu fazer foi duas vitórias seguidas. Foi ganhando em casa, ou seja, até nisso houve alguma bipolaridade. Nós em casa estávamos com muita dificuldade de ganhar e fora éramos a segunda melhor equipa, atrás do Marítimo. O Vítor Martins [sucessor no Chaves] conseguiu que aquela equipa fizesse exatamente o contrário, ou seja, que ganhasse os jogos em casa e que depois, fora, salvo erro só ganhou ao Sporting B. Levou a ter uma média de pontos que não é suficiente para subir de divisão. Agora, acho que houve alguns fatores que fizeram a equipa também não ter a estabilidade necessária, desde as lesões, desde a urgência de subir à Primeira Liga e eu diria até que a troca de administração antes do mercado de inverno também pode ter mexido um bocadinho com a cabeça dos jogadores. Vem um investidor novo, e não estou dentro da cabeça dos jogadores, mas podem ter pensado em muitas mudanças no mercado, apesar de nunca ter sido essa a mensagem que eu passei. Aliás, nós só tivemos um jogador, que foi o André Rodrigues, que entrou no mercado de inverno. Eu sempre tentei, e a própria administração estava com essa ideia, estiveram sempre muito alinhados com aquilo que eram as minhas ideias, mas na cabeça dos jogadores, pode ter passado a ideia de que “agora vem o grupo mexicano e vão meter aqui oito ou jogadores e vão trazer os jogadores do México”. Pode ter mexido um bocadinho também com a equipa, porque é o mês de Janeiro que mata a época do Chaves».
Lê a entrevista de Filipe Martins na íntegra.

