Filipe Martins recorda passagem pelo Chaves: «Houve alguns jogos em que era preciso darmos um bocadinho mais e nem sempre a equipa teve essa capacidade e essa resiliência»

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Filipe Martins foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O treinador português destacou exigências na passagem pelo Chaves.

Filipe Martins foi entrevistado pelo Bola na Rede e passou em revista vários dos momentos da carreira. O treinador português falou na passagem pelo Chaves, nesta época, e falou no impacto que o objetivo pela subida de divisão e consequentes expectativas nos adeptos teve no seu trabalho.

«Curiosamente, este ano no Desportivo de Chaves não foi assim tão feliz a nível de comunicação de objetivos. É óbvio que também são coisas diferentes e o Chaves é um clube que está habituadíssimo a estar na Primeira Liga. Entre mim, direção desportiva a direção, estávamos bem cientes que num campeonato tão competitivo como a Segunda Liga era importante fazermos a gestão de expectativas. É óbvio que ninguém pode dizer que um projeto como o Desportivo de Chaves não é para subir. É óbvio que tem que ser pela sua história, por tudo aquilo que foi o passado recente e mesmo o passado mais distante do Desportivo de Chaves. Agora, houve ali uma falha de comunicação que, na minha opinião, não foi profícua para o clube. Havia claramente uma mensagem, e é óbvio que era uma mensagem que não era bem real, mas que podia ter dado alguma tranquilidade àquela equipa para ter feito as coisas de maneira diferente e não lidar com tanta pressão desde o início. É óbvio que havia a pressão interna, mas muitas das vezes quando há pressão interna e externa acaba por ser um pouco mais difícil e não se conseguiu gerir tão bem. Fazia 40 anos que o Desportivo de Chaves tinha subido à Primeira Liga e ficou uma decisão de passarmos uma mensagem que era para fazer melhor do que o ano passado e se conseguíssemos subir… Mas depois quando se mete um logótipo de 40 anos nos equipamentos é um bocadinho mais difícil de gerir porque eu não podia depois ir contra a mensagem oficiosa do clube. Quando se começa a falar de subir de subida, de subida, de subida já não se pode andar para trás».

«Dentro do balneário, desde o primeiro dia que foi sempre o objetivo. Nunca em momento algum, e nem eu iria para o Desportivo de Chaves se não fosse com o objetivo de subir. Eu sabia que o Desportivo de Chaves ia mudar de administração e até me podiam dizer que iam dar mais ênfase a infraestruturas e no ano seguinte acelerar as coisas para a subida novamente, mas não. Claramente não foi esse não foi esse o objetivo. Eu acho que o Chaves é um clube que tem um orçamento que na minha opinião dá perfeitamente para subir divisão, e nós tínhamos uma equipa bastante competente. Aliás acabamos a primeira volta do campeonato em lugar de playoff e eu continuo a acreditar que o Chaves tinha quase tudo para poder lutar pela subida da divisão. Agora, não éramos nem de perto nem de longe dos melhores orçamentos e também já subi divisão sem o melhor orçamento. Acho que há fatores que eu acho que nos faltaram um bocadinho e que, na minha opinião, são tão importantes como um orçamento acima dos outros. Acho que foi um bocadinho isso que nos faltou ali. Faltaram-nos coisas que muitas das vezes colmatam essa falta de dinheiro. O Desportivo de Chaves tem boas condições de trabalho e não é por aí que as coisas não andam para a frente. Tem um microclima que não é muito fácil de trabalhar. Tal como eu disse é muito de extremos. O inverno é muito rigoroso e tem levado algumas lesões que já vêm do passado. Não sei se está só associado a isso, mas muita gente se questiona e foi uma coisa que me fez um pouco de confusão e ainda hoje não consigo explicar algumas coisas que se passaram nesta época. Puxando um bocadinho atrás, quando me perguntaram o que é que eu tinha feito [sem clube], a primeira coisa que eu fiz foi uma análise muito profunda daquilo que foi a época e o que é que correu bem e o que é que ficou mal. Fiz inclusive a mim próprio essa autocrítica ou essa análise. Acho que houve coisas que nos faltaram. Um balneário mais forte, um balneário mais resiliente. Tinha qualidade mas…».

«Eu não gosto de falar de liderança porque posso tocar em pontos que não são justos. Até tínhamos jogadores com perfil de líder, mas muitas das vezes não chega só teres um ou outro jogador com perfil de líder. Houve alguns jogos em que era preciso darmos um bocadinho mais e nem sempre a equipa teve essa capacidade e essa resiliência para ir buscar forças ou ir lá mais ao fundo».

Lê a entrevista de Filipe Martins na íntegra.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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