Fórmula à prova de fogo: ideias arrumadas, cofre fechado e a cartada decisiva do banco | Braga 2-0 Austria Viena

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Numa fase em que a exigência europeia aumenta a cada eliminatória, o Braga deu mais uma demonstração categórica de maturidade ao superiorizar-se ao Austria Viena com um triunfo por 2-0 na Pedreira. Mesmo privados do seu capitão e grande figura, Ricardo Horta (ausente por lesão) e com uma versão renovada no onze inicial, os Gverreiros assumiram o controlo do encontro do primeiro ao último minuto, expondo uma clara diferença de qualidade individual e coletiva perante o conjunto austríaco. Com o jogo sempre sob controlo e sem passar por grandes apertos, a equipa somou mais um jogo sem sofrer qualquer golo na Conference League.

Carlos Vicens apostou em Pau Víctor para o lugar de Ricardo Horta, numa posição na qual o espanhol não tem experiência, apesar de possuir todas as ferramentas necessárias e mais algumas para a cumprir. O jovem não só cumpriu essa função, como também assumiu a responsabilidade dos penáltis, acabando por registar uma eficácia de 50%, convertendo o primeiro e falhando o segundo.

Pau Víctor, Braga
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Aos 38 anos, João Moutinho voltou a ser titular no meio-campo, como aconteceu em todos os jogos na competição, mas desta vez foi acompanhado por Demir Tiknaz, que voltou a demonstrar a sua qualidade e o perfil distinto que trás, comparando com Gorby Baptiste. Fran Navarro assumiu a frente de ataque e fez uma exibição competente, mas não foi capaz de converter uma oportunidade de ouro na primeira parte, que foi completamente dominada pelos anfitriões.

Ao contrário do habitual 2+1 na primeira linha de pressão, Vicens optou por uma mudança para um 1+2, permitindo uma pressão individual do Braga ao trio defensivo do Austria Viena. Os austríacos defendiam e iniciavam as posses de bola em 5-2-3, adotando depois um 4-2-3-1 a partir da primeira fase de construção, com o central do lado direito (Johannes Handl) a abrir em largura e com o ala direito a juntar-se ao meio-campo em zonas interiores. A distância entre as linhas acabou por causar bastantes dificuldades à equipa de Stephan Helm na primeira parte, sendo forçados a apostar em saídas longas, que foram muito bem controladas, com destaque para o trabalho de Vítor Carvalho e Gustaf Lagerbielke.

Braga x Austria Viena
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Na saída minhota, o Austria Viena tentou condicionar a saída pelo centro do terreno, orientando a pressão para os corredores. Esta estratégia até foi resultando, principalmente quando a bola caía para o lado esquerdo de Adrian Bajrami. Isto deveu-se ao facto de Gabriel Silva estar sempre fixado em largura com o lateral adversário, deixando um espaço entre-linhas que não estava a ser bem aproveitado pro Pau Víctor no arranque da partida. A partir do momento em que o espanhol ajustou o posicionamento, abriu bastantes mais opções para o central suíço, forçando um ajuste de marcações ou maiores distâncias de perseguições do adversário.

Outro dos fatores importantes no processo ofensivo do Braga que mais se destacou foi a capacidade de Gabriel Silva desequilibrar no 1v1. O brasileiro difere de Gabri Martínez, oferecendo uma maior habilidade em espaços curtos e uma melhor tomada de decisão no último terço (longe de ser perfeita). Além disso, é impossível ficar indiferente com a qualidade individual de Demir Tiknaz. O médio de 1,93m dispõe de recursos técnicos muito difíceis de encontrar num jogador com a sua estatura, juntando ainda uma leitura de espaços e inteligência tática muito acima do normal num jovem de 22 anos.

Demir Tiknaz, Braga
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Assim como aconteceu na temporada passada e nos primeiros jogos de 2026/27, os substitutos do Braga voltaram a ter um grande impacto na partida. A entrada de Diego Rodrigues permitiu que Pau Víctor voltasse à posição de origem e a sua capacidade no jogo interior foi muito importante, depois de um arranque de segunda parte em que o Austria Viena assumiu uma saída de bola mais curta, retirando o habitual domínio da posse de bola do Braga. Gabri Martínez refrescou o corredor esquerdo e ainda teve algumas oportunidades para utilizar a velocidade em transições, mas a já mencionada tomada de decisão não foi a melhor, acabando por não gerar perigo nestes momentos. Carlos Vicens apostou ainda em Mario Dorgeles, acrescentando mais um elemento perigoso no último terço. Já perto do apito final, os gverreiros garantiram algum conforto para a segunda mão, num lance em que Mario Dorgeles lê bem a movimento vertical de Diego Rodrigues, que finalizou com o pior pé para fechar as contas da partida.

Em suma, a vitória por 2-0 assenta como uma luva a um Braga que soube ler, adaptar-se e dominar todas as fases do jogo. Mesmo rodando peças fulcrais e sem a sua principal estrela em campo, a equipa de Carlos Vicens provou que a força bracarense reside na riqueza do coletivo e na capacidade de resposta do banco. O resultado deixa uma margem preciosa para a viagem a Viena, mas, mais do que a vantagem na eliminatória, fica a demonstração de uma identidade madura e de uma baliza que continua imaculada na Europa. Sendo o plano dar um passo firme rumo à fase de liga da Conference League, os Gverreiros cumpriram a missão com distinção na Pedreira, deixando indícios positivos para um clube que aspira alcançar a final em Istambul, onde estiveram muito perto de chegar na temporada passada.

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Na primeira parte, o Braga entrou com uma pressão diferente da habitual, com um 1+2 na primeira linha de pressão, mas depois voltou ao 2+1 habitual na segunda parte, com a saída de Fran Navarro. O que pretendia com a ideia inicial e o que o motivou a mudar na segunda parte?

Carlos Vicens: Iniciavam a construção com três centrais que se convertia para uma construção em 4-2-3-1. O central da direita abria em largura e profundidade, o central do meio abria e o jogador mais aberto à direita subia para uma posição mais central, fazendo o 4-2-3-1 que nos obrigou a mudar algumas coisas.

Bola na Rede: O Austria Viena melhorou na construção desde trás na segunda parte, com o trio ofensivo a recuar mais, criando uma distância maior para o trio defensivo do Braga. Gostaria de saber o raciocínio por detrás deste ajuste e o que achou da prestação da sua equipa na segunda parte.

Stephan Helm: Antes de mais, gostei (da pergunta). É uma pergunta muito tática. Obrigado. Sim, fazia parte do plano jogarmos também com muita coragem, e acho que é necessário, num jogo destes, ter períodos de tempo em que também estamos na posse de bola. Claro que eu sabia que o Braga também pressiona bastante e que, por vezes, joga um contra um na última linha, ficando na linha do meio-campo. E, depois, faz parte do plano puxá-los para fora e tentar entrar nas costas deles, mas é difícil. Mas, de um modo geral, acho que também tivemos os nossos momentos em que controlámos o jogo. Mas é preciso ser-se muito bom na execução para se conseguir criar algumas oportunidades de golo. Isso é muito difícil contra uma equipa tão forte. Mas, no geral, acho que fizemos um trabalho bastante bom se pensarmos em qual das equipas era a favorita.

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