Ivan Baptista e Lúcia Alves analisaram a vitória do Benfica na Taça de Portugal Feminina. Técnico e ala responderam à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.
O Benfica venceu o FC Porto por 2-0 na final e conquistou a Taça de Portugal Feminina. O Bola na Rede esteve no Jamor e, no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão a Ivan Baptista e Lúcia Alves, treinador e jogadora das águias.
Lê ainda a pergunta e resposta de Daniel Chaves, treinador azul e branco.
Bola na Rede: O Benfica cria muitas combinações pelos corredores, procurando gerar vantagens e superioridades numéricas. Na primeira parte, principalmente, acaba por conseguir várias chegadas através dessas dinâmicas. Pergunto à Lúcia quais foram as sensações e dentro de campo como foi operacionalizada a estratégia e ao mister o que pretendia com estas dinâmicas?
Lúcia Alves: Antes de mais, vou dizer-lhe que o relvado estava muito pesado e seco, o que não facilita as coisas. Como já referi muitas vezes, sinto-me super confortável em jogar com a Catarina [Amado]. Acabamos por jogar muitas vezes de olhos fechados porque já sabemos o movimento uma da outra. Achei que sim, havia vantagens, e havia outras alturas que não. Seja jogo de corredores, seja jogo interior sinto-me confortável nos dois.
Ivan Baptista: Nós viemos preparados para ter jogo interior, jogo exterior. Foi mais a reflexão que fazia há bocado, de elas conseguirem interpretar os espaços e as dinâmicas a que o adversário nos obrigava nos momentos de primeira e segunda fase de construção. Como estava a dizer, a pressão das alas do FC Porto, porque a avançada praticamente não pressionava as nossas centrais e preocupava-se mais com a Pauleta e a [Anna] Gasper, com a 6 que ia mais perto das centrais, e com a Angeline [da Costa] a encaixar entre as centrais dela e a acompanhar a Diana, ia fazia com que o corredor central estivesse, de certa forma, preenchido, e que elas tivessem montado essa teia para que nós procurássemos as zonas interiores, para depois procurarem aproveitar o facto de terem as alas, as extremas, a Maria [Ferreira] e a Lara [Perruca] altas no terreno na pressão às nossas centrais e melhores posicionadas em comparação com as nossas laterais para explorar essas transições. Isso fez com que os espaços se abrissem por fora. Não fui eu que lhes disse que hoje íamos jogar em combinações por fora mais do que em combinações por dentro. Nós, felizmente, temos muita qualidade no corredor central e no corredor lateral e são elas que têm de interpretar isso dentro de campo. A pressão do adversário fez com que a nossa lateral estivesse quase sempre solta. O “segredo” passava por conseguir colocar a bola lá, umas vezes com largura da lateral e ala por dentro, outras vezes com dupla largura com lateral e ala por fora, e explorar esses espaços. Colocar aí e depois tentar capitalizar o 2X1 que tínhamos nos corredores. Como a Lúcia falou, muitas vezes não foi possível capitalizar porque a bola travava. O relvado, com o vento que se fez sentir, rapidamente secou e depois criava muita dificuldade naquilo que era a velocidade que precisávamos para entrar no último terço. De forma geral, foi isso a leitura que fiz.

