Pedreira volta a ser fortaleza e Braga dá primeiro passo rumo à final | Braga 2-1 Friburgo

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A Pedreira recebeu um jogo de meias-finais da Europa League pela segunda vez e, com casa cheia, o Braga respondeu como pedem as grandes noites europeias: intensidade, risco e crença até ao último segundo. Num duelo marcado pelo equilíbrio e por momentos de superioridade repartida, foi já em tempo de compensação que os gverreiros encontraram o golpe decisivo, garantindo uma vitória por 2-1 frente ao Friburgo e levando uma vantagem curta, mas muito valiosa, para a segunda mão.

O Braga entrou para o jogo com várias baixas de peso, obrigando Carlos Vicens a ajustar o onze inicial e algumas das dinâmicas. Apenas com Lagerbielke em condições da habitual linha de 3, Vítor Carvalho voltou a ser titular, depois do golo crucial em Sevilha, ao lado do experiente Paulo Oliveira, que voltou a demonstrar ser um grande líder no eixo da defesa, apesar das oportunidades reduzidas esta temporada. Ambos os lados entraram com a ideia de pressionar alto e condicionar as principais armas adversárias. Contudo, a proximidade dos elementos do meio-campo ao portador da bola ofereceu constantemente linhas de passe, e mesmo sob pressão, jogadores com a qualidade técnica como o trio do Braga foram capazes de negá-la através de combinações a um toque. Esta dinâmica foi evidente nos corredores laterais, onde os arsenalistas obtinham superioridade numérica.

Rodrigo Zalazar, Braga
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Com o emergente Demir Tiknaz e o intemporal João Moutinho na base do meio-campo, Gorby teve a liberdade para adotar um posicionamento mais livre no ataque e mais avançado na pressão alta do Braga. As movimentações destes três elementos forçaram as marcações alemãs a grandes deslocações, abrindo espaço para a frente de ataque cair em zonas entre-linhas. Quando a pressão do Friburgo era bem executada, o plano passava pela aposta na bola longa de Hornicek, que encontrou Zalazar várias vezes em diagonais na profundidade. A ideia inicial no último terço passava por ter o uruguaio e Ricardo Horta no corredor esquerdo, o que forçou Johan Manzambi a adotar uma postura mais defensiva, o que favorece os minhotos, visto que o médio suíço é uma das principais armas do conjunto orientado por Julian Schuster. Com essa fórmula, o Braga abriu o marcador na Pedreira, depois de um cruzamento de Zalazar sobrar para Victor Gomez, que encontrou Tiknaz em zona de finalização, depois de escapar da marcação de Manzambi.

Depois de uma entrada de qualidade, foi um erro básico que estragou a vantagem no marcador, num lance em que uma falha de comunicação resulta num ‘dois para zero’, aproveitado por Vincenzo Grifo para gelar o ritmo da partida. Contudo, a pior notícia ainda estava para vir: 10 minutos depois, Ricardo Horta abandona o relvado em lágrimas, com uma lesão que o afastará do encontro decisivo. Desta forma, os gverreiros adotaram 3-5-2 mais tradicional, com Mario Dorgeles no corredor esquerdo e Zalazar a formar uma dupla de ataque com Pau Víctor.

Ricardo Horta
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

A partir deste momento, o brilho de Pau Víctor foi cada vez mais evidente, com vários lances em que consegue escapar à marcação individual, seja através do drible ou com apoios frontais. O avançado espanhol assumiu um papel de progressão com bola que foi essencial para criar o desiquilíbrio na maioria dos ataques do Braga ao longo de todo o jogo. Do lado do Friburgo, que alinhou num 4-2-3-1, o lateral-esquerdo Jordy Makengo foi o elemento mais adiantado da linha defensiva, o que permitiu ao extremo-esquerdo Vicenzo Grifo ocupar zonas intermédias. Com tantos números por dentro, os alemães procuraram beneficiar das segundas bolas, utilizando o avançado de 1,94m Igor Matanovic como referência no jogo direto. Porém, na primeira parte, o gigante croata encontrou uma defesa bracarense muito aguerrida nos duelos, com batalhas intensas no ar.

Ao longo do encontro, o avançado foi capaz de vencer uma maior percentagem desses duelos, o que abriu portas para a exploração da velocidade de Beste no corredor direito, as movimentações sem bola de Suzuki e as corridas desde trás de Manzambi. Outro dos fatores que Carlos Vicens teve em conta foram as bolas paradas, apostando por colocar 11 jogadores dentro da área em pontapés de canto. Este era um aspeto importante de neutralizar, visto que o Friburgo vinha de vários jogos consecutivos a marcar nestas situações.

Igor Matanovic, Friburgo
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

A fechar a primeira parte, os gverreiros tiveram uma oportunidade para regressar à liderança, mas Noah Atubolu voltou a demonstrar que é um dos melhores, senão o melhor, guarda-redes da atualidade a defender grandes penalidades, parando um remate forte e colocado de Rodrigo Zalazar. Após o intervalo, o Friburgo foi capaz de crescer e criar algumas oportunidades, uma delas com a já mencionada corrida desde trás de Manzambi, e a segunda em que Beste coloca a bola no segundo poste com um bom cruzamento, que acaba por sobrar para Eggestein. O médio alemão rematou forte, mas não foi capaz de desviar de Hornicek.

Com a entrada de Fran Navarro para a frente de ataque, o Braga ganhou uma referência na área. Os arsenalistas continuaram a acreditar que podiam sair do jogo com a vitória e num lance de inspiração de João Moutinho, que ultrapassou Paolo Maldini em presenças nas competições europeias, o médio encontra Victor Gomez. De seguida, é o movimento de Fran Navarro que arrasta a defesa do Friburgo e abre espaço para o cruzamento atrasado para Vitor Carvalho. Num momento que manchou a defesa do jogo, Atubolou defende para a frente e Dorgeles surge no sitio certo, no momento certo.

Assim, o Braga prepara-se para tentar repetir o feito de 2011 e garantir um bilhete para a final, que desta vez será disputada em Istambul, apenas com mais um jogo pelo caminho. Contudo, como o próprio Carlos Vicens reforçou após o apito final, «ninguém vai à Alemanha e tem um jogo fácil». Este caso é ainda mais evidente com o Friburgo, que utiliza o ambiente da sua casa para alimentar o estilo de jogo intenso que praticam. De qualquer das formas, esta continua a ser uma campanha de sonho do Braga, e o plantel será certamente motivado pelo facto de poderem cumprir o sonho do capitão, que tanto fez para lá chegar.

Mario Dorgeles, Braga
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Braga conseguiu neutralizar algumas das maiores armas do Friburgo, como a progressão com bola de Manzambi e os apoios frontais de Matanovic, entre outras. Como é que o Braga foi capaz de o fazer a nível estratégico e qual é a sua opinião sobre a prestação defensiva da equipa?

Carlos Vicens: Toda a equipa esteve bem. A nossa defesa funciona porque estão todos comprometidos com o seu papel defensivo. Todos os rapazes estão envolvidos em tudo o que fazemos. Gostaríamos de poder defender só perto da baliza adversária mas acabamos por ter de defender em outras circunstâncias quando jogamos contra equipas deste nível. E o esforço de todos permitiu-nos neutralizar, quase sempre, os ataques adversários. Agora temos de repetir um jogo com um nível defensivo como o de hoje, no mínimo, para poder estar na final. E há outro aspeto que considero muito importante: a maneira como atacamos permite-nos defender como defendemos. Então, a equipa tenta impor-se, dominar a bola, para ter um esforço defensivo menor. Porque quando tens a bola, o adversário não tem oportunidade. A forma como te impões num jogo depende da quantidade de oportunidades que crias e a nossa estratégia passa mais por ter a bola e dinamismo de jogo do que procurar o contra-ataque. Beneficiamos de ter a bola e quando defendemos fomos 11 em todos os momentos.

Bola na Rede: O Friburgo teve dificuldades para encontrar Matanovic em apoios frontais, principalmente na primeira parte. Que impacto teve este fator num jogo em que a equipa teve dificuldades para criar oportunidades de golo?

Julian Schuster: O Igor fez um trabalho muito bom. Criou muitas dificuldades e um dos jogadores do Braga viu o amarelo depois de um duelo com ele. Melhorámos o nosso jogo na segunda parte, tivemos boas situações de transição. Se tivéssemos tido mais eficácia, podíamos ter feito melhor. Acreditamos que na segunda mão é possível fazer uma boa exibição e dar a volta ao resultado.

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