Vasco Botelho da Costa fez a análise ao desaire do Moreirense frente ao FC Porto. O técnico respondeu à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.
Vasco Botelho da Costa analisou o desaire do Moreirense frente ao FC Porto por 2-1, na 5.ª jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve presente no Estádio do Dragão e teve a oportunidade de colocar uma questão ao técnico dos cónegos.
Lê também a questão colocada a Francesco Farioli, treinador do FC Porto.
Bola na Rede: Em organização defensiva, montou a equipa num 5-2-3, com os extremos mais por dentro, a procurar fechar as linhas de passe para o central e o lateral do FC Porto. Que papel tiveram os timings de pressão do João Veloso e do Manuel Mendonça no sucesso dessa estratégia defensiva? Por outro lado, em organização ofensiva, vimos a equipa muitas vezes posicionada num 3-2-5, com o Dinis e o Landerson projetados. Pergunto-lhe que zonas procurou explorar para criar dificuldades à organização defensiva do FC Porto?
Vasco Botelho da Costa: Do ponto de vista defensivo, viu bem. Nem sempre tivemos os melhores timings, mas a ideia passou por criarmos condições para bater HxH com a equipa do Porto, porque sabíamos que não podíamos estar HxH ao longo de todo o jogo. Portanto, partir de uma organização em bloco, em que a profundidade que nós dávamos era controlada, porque sabemos que o FC Porto está muito estimulado para jogar bolas diretas nas costas. Tivemos, portanto, de dar profundidade Q/B, de modo a conseguirmos controlar. A ideia era forçar aquele terceiro homem do Porto, com o interior a chegar ao lateral e o nosso médio a saltar fora, com uma pressão a controlar a linha de passe. Ou seja, basicamente, conseguimos controlar o homem livre e desfazemos a nossa linha por dentro, em vez de desfazer por fora. O Porto, e bem, começou a abrir os laterais e tivemos de passar a desfazer a linha mais vezes por fora, algo que até estamos estimulados a fazer. Acho que correu relativamente bem. Agora, do ponto de vista ofensivo, o Porto, ao seguir toda a gente, fez com que a nossa ideia principal passasse por aproveitar o interior a vir baixo com bola na nossa construção a três, aproveitando o espaço para o 1×1 do [jogador], que é um jogador que tem alguma facilidade nesse tipo de movimentos, e conseguir jogar, a partir daí, algumas segundas bolas. Sabemos que o Porto também é uma equipa que alterna entre a pressão HxH em campo inteiro e um bloco muito bem compacto, onde os jogadores se sentem muito confortáveis a defender a sua baliza. Também tínhamos uma estratégia algo pensada que, ainda antes da expulsão, se viu ali o que nós queríamos: um jogador entre linhas a fazer uma rotura de surpresa no espaço entre os centrais do Porto. Mas depois tivemos a expulsão e acabou por ser mais complicado. Mas, lá está, acho que, no global, fizemos um jogo competente, quer do ponto de vista da mentalidade e da competitividade, quer também do ponto de vista tático. Mas, lá está, temos de continuar a trabalhar, a evoluir, e queremos ir buscar estes três pontos na quarta-feira.

