Vítor Martins recorda Jorge Costa e aborda a passagem pelo Académico de Viseu: «Nós tínhamos um claro objetivo, que era lutar por uma subida de divisão»

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Vítor Martins orientou o Académico de Viseu no começo de 2023/24, mas acabou por não completar a época no Fontelo.

Vítor Martins deu uma entrevista ao Bola na Rede, onde falou sobre a sua carreira de treinador. O técnico orientou o Académico de Viseu em parte de 2023/24 e abordou a sua passagem pelo Estádio do Fontelo:

«Nós tínhamos um claro objetivo, que era lutar por uma subida de divisão. Isto começa a ser cada vez mais moda também na Segunda Liga. Nesta fase há mais candidatos para subir do que propriamente em que nós indicamos vai ter dificuldade em se manter. Só há três vagas. Há que ter alguma paciência de todas as partes e acho, inclusive da minha também, que não houve muita naquele início de campeonato. As coisas estão muito bem resolvidas. Embarcaram por outra ideia, por outro caminho e manteve-se. Acho que só este ano que sentiu mesmo um Académico que podia subir, depois da troca de treinadores, da troca dos Sérgios. A partir daí sentiu-se e olhou-se para um Académico que realmente estava a conseguir fazer média de pontos, a conseguir jogar, a conseguir jogar de uma forma livre, não pressionada para conseguir chegar à subida. E assim foi. Nesse ano era tentar lutar por subir. Acho que nos atrasámos a montar o plantel. Eu lembro-me, às vezes ainda vou ver aquele primeiro jogo que fazemos na pré-eliminatória da Taça da Liga com o Rio Ave. Outra vez um jogo que estávamos a fazê-lo bem. O Jonathan tira-nos dois golos. Não é por isso que perdemos, mas só para dar um sinal que as coisas já estavam a ser competitivas. Depois o Christophe é expulso e perdemos com três golos de canto. Lançámos alguns jogadores que nunca tinham feito, por exemplo, nenhum minuto por uma equipa profissional. Mas as coisas estavam alinhadas. Eu sabia que ia ser assim. Formámos ali um plantel um bocadinho mais tarde. E há ali um momento em que sentia que aquilo estava… Era preciso aquele clique que não chegou. Até à sétima jornada não chegou. E quando também me sinto que não é o ideal e que sinto desconfiança, sou eu o primeiro a levantar-me e a seguir o meu caminho. Acho que só assim é que faz sentido. Hoje olho para trás e se calhar com um bocadinho mais de paciência, com um bocadinho mais de experiência, com um bocadinho mais de… Não sei o termo específico, mas juntando estas características todas, se calhar com mais calma as coisas poderiam ter sido diferentes. Na altura passamos ali um ciclo menos positivo. E um dos jogos foi com o Aves, do Jorge Costa, que tinha estado no Fontelo e que tinha feito bem e que saía a seis jornadas do fim. E perdemos. Isso criou muito dano. Perdemos também com o Santa Clara nos Açores. Ou seja, essas duas derrotas deixaram-nos claramente fora. Mas até perdemos por acaso com as equipas que acabaram por subir. E naquela altura estávamos fora da subida».

O técnico comentou também o facto de suceder a Jorge Costa (Pedro Bessa esteve de interino entre os dois):

«Nós pressão vamos ter sempre. Vamos ter sempre pressão de fazer melhor. Nós queremos isso. Nós quando chegamos queremos deixar o nosso cunho pessoal, a nossa marca, o nosso registo e é fazer melhor. Claro que o Jorge Costa é muito mais que um treinador que estava a fazer bem no Académico de Viseu. É uma referência do futebol português. Tinha uma aura que eu ainda não encontrei em ninguém dentro de um banco. Eu posso admitir isto. Quando fui ao Fontelo, como treinador do Leixões, acho que foi a primeira vez em que eu me senti mesmo treinador. Era uma fase adiantada da época, não sei precisar ou não, mas estava ali o Jorge Costa. Eu pequenino olhava para o Jorge Costa, e isso fazia-me pensar ‘é um Deus que está aqui, não é?’ E eu sinto que estou a jogar contra o Jorge Costa. Ou seja, estamos aqui. Ok, vamos lutar. O jogo ficou 2-2, mas estamos a lutar. E nesta posição de treinador já levantar os braços fica mal. E o Jorge Costa tudo o que dizia, às vezes até dizia uns palavrões, mas fica bem. Há aqueles momentos que nos marcam. E esse marcou-me por completo. E essa equipa do Académico era realmente muito forte, jogava muito bem. E ele depois repete o modelo no AVS SAD. E consegue subir no final dessa época. Agora, pressão vamos ter sempre. Aliás, eu sucedi ao Pedro Bessa, o diretor desportivo. Ele é que faz a parte final. Mas havia muito isso, havia muito aquele sentimento de se o Jorge Costa continua, o Académico tinha subido. Há sempre os ‘ses’ no futebol, há sempre isso. E ficou aquela ideia. Os adeptos perguntavam: ‘e agora quem é este miúdo que está aqui, quem é este ‘gajo’ que vem para aqui agora, querem o quê?’. Sentia um bocadinho isso e cria dano. Por muito que se tentem desvalorizar as coisas, são coisas que ficam cá dentro. Mas já passou».

Podes ler a entrevista completa.

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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