«António Salvador só não queria que eu fosse para o Benfica» – Entrevista BnR com Leandro Salino

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Despontou no Nacional, mas foi no Braga que se afirmou em pleno. Leandro Salino fez parte da equipa dos minhotos que chegou à final da Liga Europa, em 2010/11, um momento com que todos os jogadores sonham, mas que para este brasileiro de 35 anos teve um sabor agridoce. Salino revelou o que se passou nos bastidores da final de Dublin e a forma como foi afastado do jogo por Domingos Paciência. As boas épocas no nosso país levaram-no a transferir-se para o Olympiacos e recorda como Leonardo Jardim o tentou desviar. Consumada a ida para a Grécia, privou com Marco Silva e com jogadores como Cambiasso ou Éric Abidal que lhe serviram de inspiração. Hoje, na fase final da carreira, mas de consciência tranquila por tudo o que teve oportunidade de viver no mundo do futebol, representa o Betim do Brasil.

– A ilha (des)encantada soltou o guerreiro

«Estava doido por vestir a camisola do Braga»

Bola na Rede: Quando vieste para a Europa jogavas nos escalões secundários do Brasil. Como é que surge a vinda para Portugal?

Leandro Salino: A minha primeira ida foi em 2005. Fui campeão Mineiro com o Ipatinga e fui para o Nacional. A primeira passagem não foi boa. O treinador era o Manuel Machado. Fiquei seis meses e regressei ao Brasil em 2006. Tinha cinco anos de contrato com o Nacional, mas fiquei no Brasil até 2008. Andei pelo Ipatinga e pelo Flamengo. Fui cumprir o meu último ano e meio de contrato ao Nacional, novamente. Aí já foi melhor, tinha mais experiência. Jogámos a Liga Europa e logo a seguir fui para o Braga.

Bola na Rede: Não chegaste a jogar no Camacha?

Leandro Salino: Não. Em 2005, o Nacional queria-me emprestar a esse clube e eu não aceitei. Preferia voltar para o Brasil.

Bola na Rede: Guardas boas recordações da Madeira?

Leandro Salino: Muito boas. Consegui fazer amigos. O meu período lá foi curto, mas foi uma experiência muito boa. A ilha é muito bonita. O clube também era muito bom e tinham o dérbi contra o Marítimo que eram jogos muito intensos e muito bons de se jogarem.

Bola na Rede: Qual foi o momento mais marcante no Nacional?

Leandro Salino: Foi quando nos classificámos para a Liga Europa. Terminámos em quarto no campeonato português e conseguimos chegar à Liga Europa, eliminando o Zenit. Foi o momento mais marcante para mim.

Bola na Rede: Como se deu a ida para o Braga?

Leandro Salino: Estávamos a chegar a dezembro. Tinha uma proposta de renovação com o Nacional. O Rui [Alves], presidente do Nacional, já me tinha feito uma proposta de renovação de cinco anos. Era uma proposta muito boa, mas eu não queria ficar mais na ilha por tudo o que eu já tinha passado. Queria ir para outro mercado, outro clube. Chegou a dezembro e recebi uma proposta do Braga que estava a lutar pelo título com o Benfica. Em dezembro ou janeiro, eles já queriam fazer um pré-contrato comigo, mas faltavam quatro meses para acabar o campeonato português. Eu decidi assinar o pré-contrato com o Braga. Isso circulou nos noticiários e o Rui acabou por me afastar do Nacional. Não me deixou jogar mais. Fiquei tranquilo. Sabia que ia para um grande clube como é o Sporting Clube de Braga, a quarta força aí de Portugal. Não havia hora de acabar o ano e o contrato para poder ir para o Braga. O treinador era o Domingos Paciência, já tinha tido contacto com ele, porque eles ligaram-me para assinar o pré-contrato. Essa mudança foi radical. Foi maravilhoso sair do Nacional. Fiquei ali quatro meses sem jogar, mas já tinha o pré-contrato assinado com o Braga e estava tranquilo e feliz ao mesmo tempo. Estava doido por vestir a camisola do Braga.

Bola na Rede: Que dificuldades foram essas que te fizeram mudar?

Leandro Salino: A ilha é bonita, só que é pequena. Já conhecia tudo da ilha, não tinha muita coisa para fazer mais. Eu queria ir para outros ares. Lisboa, Porto… onde o mercado é melhor. Quando surgiu a proposta do Braga e o Rui me afastou, disse que não ia jogar mais no Nacional e que me ia embora. Esse final foi a maior dificuldade. Estar esse período afastado e não jogar, só treinar… e eu era titular absoluto e a equipa estava bem.

Bola na Rede: É quando mudas para o Braga, com o Domingos Paciência, que passas de médio para lateral-direito?

Leandro Salino: Isso. Eu já era médio defensivo no Nacional, mas com o Domingos Paciência jogava mais como terceiro homem do meio-campo. O Braga era uma equipa muito forte com o Alan, Mossoró, Hugo Viana, Paulo César… Na pré-temporada joguei bem e acabei médio defensivo titular. O Domingos foi um treinador que me ajudou muito nesse período de Braga. Ele deu-me oportunidade de ser titular e acabei por fazer muitos jogos sob o comando do Paciência. Foi um clube em que a adaptação foi muito tranquila, porque eram mais brasileiros do que nacionais e o nosso grupo era muito unido. Foi espetacular.

Bola na Rede: O que é que tiveste que mudar no teu jogo para fazer adaptação ao estilo de jogo?

Leandro Salino: No Nacional chegava mais à frente, no Braga marcava mais, porque a nossa equipa era muito rápida com o Mossoró, o Lima, que chegou no mesmo dia que eu. A nossa equipa jogava muito para a frente, então acabava por ficar mais na marcação eu e o Vandinho. Deixava a rapaziada da frente atacar.

Bola na Rede: Por indicação do treinador ou tu é que sentias essa necessidade?

Leandro Salino: Era o esquema de jogo. Tive que entender logo. As minhas características eram de defender mais. A nossa equipa atacava muito, então nós defendíamos sempre com os dois centrais, dois laterais e os dois médios defensivos, no caso, eu e o Vandinho, para dar segurança na defesa e libertar mais os extremos. Isso até acontecia mais quando eram jogos de Liga Europa ou Liga dos Campeões.

Bola na Rede: Mas, de vez em quando, ias desenrascar à direita.

Leandro Salino: Na verdade, com o Domingos eu fiz só um jogo na direita. Com o Leonardo Jardim acabei por jogar mais como lateral.

Bola na Rede: Normalmente, os trincos são jogadores possantes. Tu és baixinho. Como superas essas debilidades físicas?

Leandro Salino: Eu sou baixo, mas sou um jogador muito rápido e de muita força na marcação. Hoje os trincos são todos altos, mas eu não tive dificuldade de jogar nessa função, porque sou baixo, mas tenho uma boa impulsão. Não tenho problemas de peso, sou um jogador leve e isso ajudava muito.

Bola na Rede: Gostavas mais de jogar em qual das posições?

Leandro Salino: Mais como médio defensivo. Como lateral corre-se muito [risos].

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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