«Depois da época em Chaves, aconselhei-me com o Sérgio Conceição» – Entrevista BnR com Rafael Lopes

- Advertisement -

– O apelo do estrangeiro –

“Tinha outra opção: ir para Itália, para uma boa equipa da Serie B”

BnR: Aos 26 anos aventuras-te pela primeira vez no estrangeiro e rumas a Nicósia, para representar o Omonia. Ao lado de Alex Soares, apuram-se para o play-off de campeão, mas perdem o campeonato para o APOEL. Como é vivido o futebol no Chipre?

RL: É muito diferente da maneira como se vive em Portugal. Para começar, antes de mais, a minha vontade sempre foi ir para o estrangeiro. Quando estava no Chaves, confidenciei-o ao Presidente, porque ele queria que ficasse “Senhor Francisco, não tem a ver com o clube e dou-lhe a minha palavra que, se ficasse em Portugal, ficava no Chaves. Mas quero ir para o estrangeiro”. Precisava de um novo desafio, porque a Primeira Liga já não estava a permitir-me tirar o melhor de mim e estabelecer objetivos.

Tinha outra opção: ir para Itália, para uma boa equipa da Serie B; foi para esta equipa que tanto o Jorge Simão como o Sérgio Conceição me aconselharam a ir e era a minha primeira opção, mas percebi que são um bocadinho “mafiosos” e queriam “roubar-me”. Então aceitei ir para o Omonia. A cultura é diferente, as pessoas são mais fanáticas, mas há algo que admiro bastante e que me Portugal deixa-me triste: os cipriotas são adeptos de clubes pequenos, da terra, e não têm outro clube.

O Omonia em percentagem de adeptos é o maior; dizem que 60% da ilha é daquele clube. Notei isto logo no primeiro treino que fiz: fomos para as montanhas, onde no Verão é mais fresco, e estavam cinco mil adeptos. As pessoas iam no dia anterior, acampavam e viam o treino no dia a seguir. E atenção que ainda era a uma hora de Nicósia.

BnR: Por falar em adeptos, também tens uma história menos boa naquele país.

RL: Sim! Estávamos numa fase menos boa e perdemos um clássico contra o AEK Larnaca por 5-0. Nessa semana, o treinador foi despedido e o nosso capitão avisou-nos que os adeptos iam lá. Estávamos a treinar e começámos a ouvir tipo fogo-de-artifício, petardos… “Atenção, vêm aí os adeptos, mas não reagimos e juntamo-nos ali no meio-campo”, disse o capitão. E nós tranquilos, pensávamos que vinham para aí 20/30… de repente começam a entrar pelo portão e eram para aí 150/200 e só se viam os olhos. Começaram a agarrar-nos e a separar-nos, uns para ali, outros para acolá, e foi um momento de alta tensão. Depois veio a polícia, mas eram uns dez… Foi assustador e pensei que ia dar para o torto.

Fonte: Facebook Rafael Lopes

BnR: O modelo do campeonato cipriota faria sentido em Portugal?

RL: Acho que sim e vou explicar-te: chegas a Abril e, nos últimos sete jogos, divides o campeonato em dois. Os nove primeiros disputam o play-off de campeão e os outros nove o de despromoção. Assim, evita-se que as equipas que ficam entre o 7.º e o 12.º desvirtuem a classificação final do campeonato por já não terem por que lutar nas últimas jornadas.

BnR: “O bom filho à casa torna” e, antes da derradeira experiência fora de portas, regressas ao futebol português para representar o Boavista. O que te fez voltar?

RL: Foram questões familiares. Numa consulta de rotina, descobrimos que o Francisco, o meu filho mais novo, tinha um pequeno problema cardíaco e que iria necessitar de cirurgia. Graças a Deus correu tudo bem, mas foi nesse momento que decidi voltar. Queria tê-lo feito em Janeiro, quando soubemos, mas os especialistas disseram-nos que a operação também não ia ser logo, então ainda acabei a época no Chipre. A minha vontade não era voltar a Portugal porque, quando fui para o Chipre, a ideia era manter-me no estrangeiro, mas apareceu este obstáculo. O Boavista abriu-me as portas e deu-me oportunidade de fazer lá uma temporada, que me permitiu acompanhar toda a evolução do estado de saúde do meu filho e estar presente na cirurgia. Felizmente o Francisco está bem, sem qualquer sequela ou limitação.

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Filho de Maradona elogia McTominay: «Se o meu pai foi Deus, McTominay é Jesus»

Scott McTominay, estrela do Nápoles, voltou a receber elogios marcantes, desta vez comparado a Jesus por Diego Maradona Jr.

Ex-Bola de Ouro dá a sua opinião sobre Rafael Leão: «Ele não é um avançado»

A lenda do AC Milan, Andriy Shevchenko, falou sobre a adaptação de Rafael Leão a uma nova posição no ataque da equipa, destacando as dificuldades do processo.

Memphis Depay explica polémica no Corinthians

Memphis Depay, substituído ainda na primeira parte do empate entre Corinthians e Flamengo (1-1), esteve envolvido numa polémica ao ser apanhado no banco de suplentes a utilizar o telemóvel durante a segunda metade do jogo.

Ben White regressa aos convocados da Seleção Inglesa

Ben White, do Arsenal, regressa à seleção inglesa. O defesa foi convocado pela primeira vez desde que abandonou a concentração do Mundial 2022.

PUB

Mais Artigos Populares

Arsenal cai em Wembley e prolonga jejum de títulos

Este domingo, o Manchester City venceu o Arsenal por 2-0 pela final da Taça da Liga Inglesa. Os gunners já não vencem títulos hà mais de seis anos.

Imprensa internacional avança Zinédine Zidane como sucessor de Didier Deschamps na seleção francesa

Zinédine Zidane tem um acordo verbal com a Federação Francesa de Futebol para suceder a Didier Deschamps no comando da seleção francesa. O jornal 'Le Parisien' avança que a troca deverá acontecer logo após o final do Mundial 2026.

Luis Suárez elogiado: «Está em momento espetacular e oxalá desfrute»

Luis Suárez, avançado do Sporting, foi alvo de elogios de Néstor Lorenzo, atual selecionador da Colômbia.