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26 de Janeiro, 2022

Luís Zambujo demonstra ao BnR que ainda tem garra e vontade para assumir novos projectos e pisca o olho até ao estrangeiro

«Às vezes estavas a ir para a escola e vias passar João Pinto, Poborsky ou Michel Preud’homme» – Entrevista BnR com Luís Zambujo

– O salto para o futebol sénior –

«Costuma-se dizer que a Segunda Liga é das ligas competitivas da Europa e, se vires pelas classificações, consegues perceber isso».

BnR: Depois de uma temporada na equipa B, rumaste ao CD Olivais e Moscavide, uma equipa cheia de promessas como tu, Paím, Celestino ou Pereirinha. Contudo acabaram por descer de divisão. O que correu mal em Moscavide?

LZ: O Olivais e Moscavide foi o meu primeiro clube fora do Benfica e foi onde comecei a gatinhar no futebol sénior. Eu cheguei ao clube em Janeiro porque tive seis meses com contrato com o Benfica, mas sem competir. Na altura era para fazer a pré-época com o plantel principal, juntamente com o Rui Nereu, mas depois existiram algumas confusões e acabámos por não ir. Tinha também alguns clubes da Primeira Liga interessados em mim, mas acabei por ficar na Luz e estive seis meses sem jogar. No Olivais e Moscavide tínhamos realmente uma equipa cheia de talentos, como disseste, aos quais adiciono o Jorge Tavares e o Pina, também do Sporting. O Fábio [Paím] era o nome mais badalado para ser o novo Cristiano Ronaldo, mas também tínhamos o Fernando Alexandre e o Hélio Roque. O que correu mal, para mim, era que éramos uma equipa muito jovem e a Segunda Liga requer experiência. Com todo o respeito, o Olivais e Moscavide era um clube pequeno e simpático, mas que se tivesse que ser “mandado para baixo”, os árbitros não perdoavam. Apostaram muito na juventude, foi uma opção da direcção, mas o problema era que tínhamos talento e garra, mas faltava experiência. Na altura a Segunda Liga era muito competitiva e, em termos pessoais, foi uma muito boa aprendizagem para os primeiros passos na minha carreira sénior e estou muito feliz por ter passado pelo clube.

BnR: A Segunda Liga é assim tão mais física e combativa do que a Primeira Divisão?

LZ: Sim, não é mesmo nada fácil. É uma competição muito exigente, onde precisamos de trabalhar muito para estar bem ao fim-de-semana. Apanhas jogadores muito experientes, muito mesmo e tens que estar preparado para essa competição. Costuma-se dizer que a Segunda Liga é das ligas competitivas da Europa e, se vires pelas classificações, consegues perceber isso. Na última jornada, às vezes, tens sete ou oito clubes que podem ainda descer de divisão. Mas sim, é muito física, competitiva e tens que estar muito bem preparado para competir na Segunda Liga.

BnR: Quais as maiores dificuldades que encontraste nessa época?

LZ: Como já respondi na pergunta anterior, creio que o maior desafio foi mesmo sair da casa-mãe depois de tantos anos a vestir a camisola do Benfica. Começar num novo rumo, apesar de ainda ter contrato com o Benfica, com condições de trabalho muito diferentes daquelas que tinha na Luz; o entrar na Segunda Liga com apenas 19 anos não é nada fácil, sentes-te atirado aos leões, mas são dificuldades que todos os jogadores vão apanhar e que te ajudam a crescer.

BnR: O desafio seguinte foi na Vila das Aves, consideras que a estabilidade e o projecto que encontraste no CD Aves ajudou no teu crescimento?

LZ: Sim, lembro-me muito bem. O Aves é um clube fantástico, um clube muito bem organizado e com pessoas fantásticas. Na altura, com 20 anos, cheguei ao Norte – onde nunca tinha vivido – e as pessoas do clube ajudaram-me bastante. Se calhar, foi aí o momento da carreira onde senti mais dificuldades, uma vez que saí da minha zona de conforto. Não foram fáceis os primeiros dois meses, sabes? Era um miúdo que queria o sonho do futebol, mas que não foi mesmo nada fácil. Ainda assim, encontrei pessoas fantásticas no mundo do futebol, colegas de equipa que me ajudaram bastante e eu costumo dizer que o Aves é um clube de Primeira Liga, de longe. É um clube que tem adeptos muito bons, com condições muito boas e a Vila das Aves é uma vila simpática, mas que tem tudo. A direcção do clube da altura, o roupeiro, os médicos, encontrei uma série de gente fantástica e ajudaram-me bastante. Espero que o Aves se mantenha durante muitos anos, ou mesmo para sempre, na Primeira Liga porque é um clube que o merece e que gostei muito de representar.

BnR: Tiveste José Gomes como um dos treinadores nessa época. Como foi trabalhar com ele e como vês o sucesso que teve em Inglaterra, onde conseguiu “tirar” o Reading FC dos lugares de descida?

LZ: Quem me levou para o Aves foi mesmo o mister José Gomes. Já me conhecia do Benfica e ligou aos meus pais a dizer que me queria muito levar para cima. Foi muito importante no meu crescimento, dava-me muitos conselhos e foi, talvez, um dos grandes pais que tive no futebol. Adorei mesmo trabalhar com o mister José Gomes. É um perfeccionista nato; quando tinha que dar “duras” dava, mas quando tinha que ter um papel mais de pai e amigo também dava. A época no Aves não correu assim tão bem, creio que saiu em Dezembro, porque o Aves tinha descido e o intuito era subir novamente, mas a época não estava assim a correr tão bem. Jogávamos um futebol apaixonante, futebol apoiado e que diziam que era o mais bonito da Segunda Liga, mas os resultados não estavam a aparecer. O sucesso que o mister teve no Reading porque é uma pessoa extremamente competente e cheia de talento. Fico muito feliz e mando-lhe um grande abraço, espero mesmo que “faça estragos”, como se costuma dizer, lá em Inglaterra porque merece mesmo tudo.

BnR: Festejaste a conquista da Taça de Portugal no ano passado?

LZ: Fiquei feliz pelo Aves. É um clube que cresceu muito e, apesar de na altura já ser um grande clube, hoje em dia tem estruturas muito mais forte, com a criação da SAD, e preparou-se bem para o futuro. Fiquei também feliz pela direção e pelas pessoas das Aves, que é um clube que gostei muito. Não foi tanto festejar, mas fiquei muito feliz pelo clube, mesmo.