«Saída do Benfica? Soube pela televisão. Não foi fácil» – Entrevista BnR com Quim

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– Anti-herói –

“Cajuda dizia-me que não era estético usar calças em vez de calções em campo”

BnR: Lembras-te do momento em que o mister Manuel Cajuda te disse que ias estrear-te pela equipa principal do Braga?

Q: Lembro-me, porque o primeiro jogo fica sempre na memória. Só soube na palestra antes do jogo e, se calhar, foi o ideal, porque não houve tremedeira durante a semana ou no estágio. Fui mandado para dentro do campo poucas horas depois e foi ótimo. A partir do momento em que o árbitro apitou, passou o nervosismo, porque o foco é dentro das quatro linhas e esquecemos o resto.

BnR: Quanto ficou esse jogo?

Q: Sei que foi em Setúbal (…) ficou 0-0!

BnR: Isto foi antes ou depois do mister Cajuda ter descoberto que fumavas às escondidas?

Q: Não faço ideia (risos). É algo de que não me orgulho. Hoje em dia não fumo. Deixei a partir do momento em que tive uma lesão no tendão de Aquiles, mas posso dizer que fumei desde os 18 até aos 34 anos. É um vício tremendo, não foi fácil deixar, mas felizmente consegui.

BnR: A titularidade não teve continuidade e nas primeiras três épocas como sénior do Braga somas apenas cinco jogos no campeonato. Como geriste esta situação?

Q: Tendo consciência da qualidade que sabia que tinha e tendo a confiança das pessoas da estrutura do clube. Sabia que mais cedo ou mais tarde poderia jogar assiduamente e veio a acontecer. Tive também a felicidade de trabalhar com grandes guarda-redes, que me ajudaram nessa altura, como o Rui Correia e o José Nuno Amaro.

BnR: É-te reconhecido um talento natural e és tido como alguém pacato e humilde, mas que guardava o esforço para os jogos. Esta postura pode ter-te custado caro ao longo da tua carreira?

Q: Não concordo muito com essas opiniões… trabalhava, mas, como disse anteriormente, treinar é diferente de jogar. Havia sempre aqueles treinos, normalmente no dia antes do jogo, em que relaxamos mais e, se calhar aí, posso admitir que sim. Mas tentava dar sempre o meu melhor. Também te posso dizer que há jogadores que chegam aos treinos e partem tudo, com uma qualidade tremenda, e chegam aos jogos e as coisas não saem; isso é pior.

Fonte: SC Braga

BnR: É inevitável perguntar-te também pela questão da imagem. Numa entrevista ao Jornal i, o mister Manuel Cajuda disse “Não era vaidoso, nunca gostou de falar muito, de dar muitas entrevistas. Por essa razão não tinha o marketing de outros.” Sentes que foste prejudicado por não ir ao encontro das atuais convenções do mundo do futebol?

Q: Sem dúvida. Não ia mudar a minha maneira de ser. Muita gente chegava ao pé de mim e dizia “Tens de mudar o visual, a tua maneira de ser” e eu dizia “Sou o que sou, farei a carreira que tiver de fazer e o valor é meu, não é do meu visual”. Fiz o que fiz graças à minha qualidade, não por causa da minha cara, do meu cabelo, como me visto ou como me equipo… lembro-me do mister Cajuda dizia que não era estético usar calças em vez de calções em campo. Sei que o visual é importante num jogador de futebol, cada vez mais; as próprias redes socias, que não utilizo… fui sempre diferente neste sentido.

BnR: Mais difícil era manteres-te fiel à tua vontade numa mesa com o Barroso e com o José Nuno Azevedo.

Q: (risos) Epá, isso é uma história… Não foi só comigo! Eles guardavam sempre um lugar na mesa para o mais novo e a primeira vez que fui convocado disseram-me “Ó Quim vais sentar-te aqui” e lá me sentei. Depois percebi porquê: quando vieram servir-nos o vinho, disse ao senhor do restaurante que não bebia e o Barroso e o Zé Nuno diziam “Tens de beber! Bora!” e lá deixei que me enchesse o copo; quando acabaram os deles, vieram buscar o meu. Assim bebiam dois copos de Muralhas.

BnR: Na temporada 1997/98 ganhas o lugar a Wozniak e nunca mais o largas até saíres para o Benfica, em 2004. As gentes de Braga ficaram chateadas contigo?

Q: É difícil responder… o Braga autorizou-me a sair, recebeu uma proposta e viu que era boa para o clube. As condições que me foram oferecidas pelo SL Benfica também eram melhores do que as que tinha, senão não ia. Não é por aí que as pessoas possam ficar sentidas comigo. Continuo a dizer que devo a minha carreira ao Braga e aquela cidade será sempre uma casa. Se me perguntarem por um clube de que gosto e apoio na primeira divisão digo o Braga, sem problemas. No entanto, e porque lá estive seis anos, também posso dizer que aprendi a ser do Benfica, porque é um clube fantástico; para mim é o maior clube português, sem qualquer dúvida.

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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