«Sair do FC Porto foi uma das piores decisões que tomei no futebol» – Entrevista BnR com Telmo Castanheira

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Telmo Castanheira, 29 anos, natural do Porto, decidiu seguir para o estrangeiro, para jogar num país nórdico, depois de muitos anos a jogar em Portugal. Com formação no FC Porto, e após várias passagens por clubes da Segunda Liga e do Campeonato de Portugal, quis o destino que fosse jogar para o ÍBV (Íþróttabandalag Vestmannaeyja), da Islândia, terra de muito frio e de auroras boreais. Irá para a sua quarta época fora do seu país. Sente-se bem no meio-campo, ocupando as posições oito e seis. Já marcou um golo monumental de bicicleta que foi falado por meio mundo, chegando até a falar-se em “Prémio Puskas”. Telmo afirma que existem grandes diferenças do futebol português para o islandês, mas já se encontra adaptado ao estilo de jogo. Comparavam-no a “Matic” na sua primeira época. Mantém ainda o desejo de jogar na Primeira Liga portuguesa, caso surja uma boa oportunidade.

 

«A saída do FC Porto foi uma das piores decisões que tomei no futebol»

Bola na Rede: Telmo, sei que vários elementos da tua família estão ligados ao Hóquei em Patins, como é que surgiu o futebol na tua vida? 

Telmo Castanheira: Sim, é verdade. A minha família tem uma história com o hóquei, e mesmo eu comecei na modalidade, quando era mais pequeno, mas rapidamente percebi que o meu sonho era jogar futebol. Sentia-me muito mais confortável com a bola nos pés do que com os patins. Não sei explicar ao certo como foi, até porque foi por volta dos sete anos, mas lembro-me que pedi para deixar o hóquei, e que queria jogar futebol. Os meus pais lá tiveram que ceder, mas é verdade que a família toda está ligada ao hóquei.

Bola na Rede: Como é que aconteceu a tua chamada para as escolinhas do FC Porto?

Telmo Castanheira: Lembro-me, eu jogava num clube que, penso que hoje em dia já não existe, era um dos clubes mais antigos do Porto, o Progresso. Era um clube humilde, mas havia muita alegria, jogavam uns miudinhos e os meus pais meteram-me lá. Fiz, penso que, duas épocas nas escolinhas, até aos nove anos. Joguei contra o FC Porto e houve logo contacto. Estava a acabar o jogo contra o Porto e os jogadores portistas vieram perguntar-me a minha idade, porque o treinador lhes tinha pedido. Eu ainda tinha mais um ano de escolinha e o treinador terá ficado surpreendido com isso. Depois, tivemos um torneio no final de época, no antigo estádio do Salgueiros, com o Progresso e o Porto incluídos, em que me destaquei e o Porto quis que fosse para lá. Depois, para mim, não foi difícil escolher, na altura, como é óbvio.

Bola na Rede: Consideras que foi importante para o teu desenvolvimento como atleta?

Telmo Castanheira: Sem dúvida, sem dúvida alguma! Acima de tudo como pessoa. O clube formou-me como pessoa, pois é um clube que te transmite desde cedo os valores e muita disciplina. A exigência é grande, isso faz desde logo diferença, pois tens de te adaptar a essa realidade, teve uma influência gigante em mim. Estamos a falar de um espaço entre os nove aos dezoito anos. Eles têm uma influência enorme, no que é a transmissão de valores aos miúdos e, nisso agradeço, porque foram sem dúvida, na minha opinião, importantes de uma forma muito positiva. Depois, como jogador, eu que sou um apaixonado pelo jogo, tive a oportunidade de aprender com grandes treinadores e de jogar com excelentes jogadores. Por isso, hoje que tenho mais noção e que olho para trás, posso considerar-me um privilegiado, por ter tido a oportunidade de jogar no Porto, de ter aprendido com grandes treinadores, de ter desfrutado de excelentes condições e ter jogado com os melhores.

Bola na Rede: O que levou a tua saída do FC Porto?

Telmo Castanheira: Foi, sem dúvida, uma das piores decisões que tomei no futebol. Mas faz parte, são essas decisões que nos fazem crescer. Eu estava feliz no Porto, na altura nos juvenis, passagem para juniores. Apanhei uma fase em que estava a jogar menos e tinha, recentemente, assinado por uma agência, de uns empresários ingleses, que me tinham visto na Seleção, penso que foi até contra a Inglaterra, se não estou em erro. Era tudo muito recente, vinha de uma época muito boa de juvenis, até tinha feito um golo que tinha ajudado a conquistar o título contra o Benfica. Eu estava muito empolgado, se calhar um pouco iludido, e apanhei uma fase a jogar menos no Porto, porque era júnior de primeiro ano. Faz parte, porque os outros jogadores também tinham muita qualidade, mas estava a jogar menos e não estava tão habituado a isso. Na altura, eu não estava acostumado ao discurso dos empresários, hoje em dia já estou, de alguns, pelo menos. Iludi-me um pouco com algumas promessas, aliando ao facto de estar a jogar pouco, pedi ao Porto para sair, porque não estava satisfeito. Eu tinha contrato de mais um ano, porque já tinha contrato de formação, na altura o coordenador era o Luís Castro e não queria que eu saísse, fez um “forcing” para eu ficar, mas eu não quis, já tinha metido na cabeça, foi uma decisão errada. Hoje, eu percebo isso, às vezes temos de saber esperar pela nossa oportunidade. Eu não fui capaz na altura, não tinha essa maturidade, juntamente com algumas ilusões que vieram numa hora errada, acabei por tomar essa decisão, e a culpa é só minha como é lógico. A decisão errada afetou-me em termos de percurso também, se fosse hoje teria ficado e desfrutado do Porto, o máximo possível. Não foi a melhor decisão, mas tive que seguir em frente.

André Filipe Antunes
André Filipe Antuneshttp://www.bolanarede.pt
O André é licenciado em Marketing e Publicidade e um fã incondicional de ciclismo. Começou desde pequeno a ter uma paixão pelo desporto, através do futebol. Chegava a saber os plantéis de todas as equipas da Primeira Liga! Com o tempo, abriu-se o horizonte e o interesse para outros desportos, como o Ciclismo, o Futsal e, mais recentemente, a NBA. Diz que no Ciclismo existem valores e táticas que mais nenhum desporto possui e ambiciona um dia ter a oportunidade de assistir ao vivo a um evento deste calibre.

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