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Telmo Castanheira, 29 anos, natural do Porto, decidiu seguir para o estrangeiro, para jogar num país nórdico, depois de muitos anos a jogar em Portugal. Com formação no FC Porto, e após várias passagens por clubes da Segunda Liga e do Campeonato de Portugal, quis o destino que fosse jogar para o ÍBV (Íþróttabandalag Vestmannaeyja), da Islândia, terra de muito frio e de auroras boreais. Irá para a sua quarta época fora do seu país. Sente-se bem no meio-campo, ocupando as posições oito e seis. Já marcou um golo monumental de bicicleta que foi falado por meio mundo, chegando até a falar-se em “Prémio Puskas”. Telmo afirma que existem grandes diferenças do futebol português para o islandês, mas já se encontra adaptado ao estilo de jogo. Comparavam-no a “Matic” na sua primeira época. Mantém ainda o desejo de jogar na Primeira Liga portuguesa, caso surja uma boa oportunidade.
«A saída do FC Porto foi uma das piores decisões que tomei no futebol»
Bola na RedeTelmo, sei que vários elementos da tua família estão ligados ao Hóquei em Patins, como é que surgiu o futebol na tua vida?
Telmo Castanheira: Sim, é verdade. A minha família tem uma história com o hóquei, e mesmo eu comecei na modalidade, quando era mais pequeno, mas rapidamente percebi que o meu sonho era jogar futebol. Sentia-me muito mais confortável com a bola nos pés do que com os patins. Não sei explicar ao certo como foi, até porque foi por volta dos sete anos, mas lembro-me que pedi para deixar o hóquei, e que queria jogar futebol. Os meus pais lá tiveram que ceder, mas é verdade que a família toda está ligada ao hóquei.
Bola na RedeComo é que aconteceu a tua chamada para as escolinhas do FC Porto?
Telmo Castanheira: Lembro-me, eu jogava num clube que, penso que hoje em dia já não existe, era um dos clubes mais antigos do Porto, o Progresso. Era um clube humilde, mas havia muita alegria, jogavam uns miudinhos e os meus pais meteram-me lá. Fiz, penso que, duas épocas nas escolinhas, até aos nove anos. Joguei contra o FC Porto e houve logo contacto. Estava a acabar o jogo contra o Porto e os jogadores portistas vieram perguntar-me a minha idade, porque o treinador lhes tinha pedido. Eu ainda tinha mais um ano de escolinha e o treinador terá ficado surpreendido com isso. Depois, tivemos um torneio no final de época, no antigo estádio do Salgueiros, com o Progresso e o Porto incluídos, em que me destaquei e o Porto quis que fosse para lá. Depois, para mim, não foi difícil escolher, na altura, como é óbvio.
Bola na RedeConsideras que foi importante para o teu desenvolvimento como atleta?
Telmo Castanheira: Sem dúvida, sem dúvida alguma! Acima de tudo como pessoa. O clube formou-me como pessoa, pois é um clube que te transmite desde cedo os valores e muita disciplina. A exigência é grande, isso faz desde logo diferença, pois tens de te adaptar a essa realidade, teve uma influência gigante em mim. Estamos a falar de um espaço entre os nove aos dezoito anos. Eles têm uma influência enorme, no que é a transmissão de valores aos miúdos e, nisso agradeço, porque foram sem dúvida, na minha opinião, importantes de uma forma muito positiva. Depois, como jogador, eu que sou um apaixonado pelo jogo, tive a oportunidade de aprender com grandes treinadores e de jogar com excelentes jogadores. Por isso, hoje que tenho mais noção e que olho para trás, posso considerar-me um privilegiado, por ter tido a oportunidade de jogar no Porto, de ter aprendido com grandes treinadores, de ter desfrutado de excelentes condições e ter jogado com os melhores.
Bola na RedeO que levou a tua saída do FC Porto?
Telmo Castanheira: Foi, sem dúvida, uma das piores decisões que tomei no futebol. Mas faz parte, são essas decisões que nos fazem crescer. Eu estava feliz no Porto, na altura nos juvenis, passagem para juniores. Apanhei uma fase em que estava a jogar menos e tinha, recentemente, assinado por uma agência, de uns empresários ingleses, que me tinham visto na Seleção, penso que foi até contra a Inglaterra, se não estou em erro. Era tudo muito recente, vinha de uma época muito boa de juvenis, até tinha feito um golo que tinha ajudado a conquistar o título contra o Benfica. Eu estava muito empolgado, se calhar um pouco iludido, e apanhei uma fase a jogar menos no Porto, porque era júnior de primeiro ano. Faz parte, porque os outros jogadores também tinham muita qualidade, mas estava a jogar menos e não estava tão habituado a isso. Na altura, eu não estava acostumado ao discurso dos empresários, hoje em dia já estou, de alguns, pelo menos. Iludi-me um pouco com algumas promessas, aliando ao facto de estar a jogar pouco, pedi ao Porto para sair, porque não estava satisfeito. Eu tinha contrato de mais um ano, porque já tinha contrato de formação, na altura o coordenador era o Luís Castro e não queria que eu saísse, fez um “forcing” para eu ficar, mas eu não quis, já tinha metido na cabeça, foi uma decisão errada. Hoje, eu percebo isso, às vezes temos de saber esperar pela nossa oportunidade. Eu não fui capaz na altura, não tinha essa maturidade, juntamente com algumas ilusões que vieram numa hora errada, acabei por tomar essa decisão, e a culpa é só minha como é lógico. A decisão errada afetou-me em termos de percurso também, se fosse hoje teria ficado e desfrutado do Porto, o máximo possível. Não foi a melhor decisão, mas tive que seguir em frente.
«Em Portugal faltou-me várias coisas que não podem faltar a um profissional de futebol»
Bola na RedeJá passaste por vários clubes, até ao momento, existe alguma experiência que consideres menos positiva?
Telmo Castanheira: Sim, há clubes que marcam muito pela positiva, não posso dizer que tenha tido um clube que me marcasse pela negativa, mas existem passagens negativas por algumas equipas. Houve situações que não correram tão bem, por exemplo quando saí do Santa Clara, fui para o Leixões, que é um clube que gosto muito e que é da minha terra, ou era, porque na altura vivia em Matosinhos. Têm uns adeptos fantásticos, mas eu lembro-me que a passagem não foi positiva. Acabei por nem ficar nessa época, porque tinham excesso de jogadores, houve uns problemas com o empresário na altura, e tive que sair ainda na pré-época. Não guardo mágoa nenhuma pelo clube, porque o futebol é assim, acaba por ser um negócio também e não andamos cá para guardar rancores ou para tornar as coisas pessoais, mas foi pena. Estava com grande expetativa para esse ano, e acabou por ser um ponto negativo, terá sido mesmo o mais negativo em termos de passagem por um clube, porque não tive tempo sequer para me mostrar no clube, e eu tinha esse desejo nessa altura.
Bola na RedeComo é que descreves a tua passagem pelo Freamunde, certamente que foi um clube que te marcou, ainda para mais foste campeão!
Telmo Castanheira: Sim, foi o meu primeiro título a nível de seniores. Nós subimos de divisão, foi um ano a roçar a perfeição, começando pelo espírito de grupo fantástico. Tenho apanhado grupos muito bons, com pessoas fantásticas, mas este foi algo de especial. Ainda hoje quando nos juntamos, acabamos por recordar os momentos e percebemos que foi algo de fantástico. Cada dia era vivido com uma grande alegria e intensidade, depois transportávamos isso para o campo e dentro das quatro linhas o futebol saía de uma forma tão fluída e com tanta qualidade. Fomos campeões e merecemos ser campeões, jogámos um futebol atrativo e todos os jogadores se valorizaram. Todos nós estávamos a aparecer em fases ascendentes e, no ano seguinte ou passado dois anos, todos estavam na Primeira ou na Segunda liga. Foi fantástico, o treinador Carlos Pinto, também estava em fase ascendente e fez um trabalho espetacular nesse ano, reunindo um grupo inacreditável. É um ano que recordo com alegria e com muita saudade. Foi, sem dúvida, um ano marcante. Apesar de termos vivido períodos de muita instabilidade no clube. Os jogadores mereciam mais nessa altura. Mas isso faz parte das coisas negativas em Portugal. Tive passagens complicadas, porque, em Portugal faltou-me várias vezes coisas que não podem faltar a um profissional de futebol. Tive alguns salários em atraso, em Portugal, mais do que gostaria. Mas em relação ao Freamunde, o que vale mesmo a pena é levar o aspeto positivo, com um grande grupo, espírito de equipa e uma qualidade que é preciso destacar, que nos fez subir de divisão, e com muito mérito!
Bola na RedeComo correu a tua primeira época na segunda liga, ao serviço do Vitória de Guimarães B?
Telmo Castanheira: A passagem para a Segunda liga foi um momento bom, um momento que ansiava na altura. Posso dizer que o Vitória foi um clube que me surpreendeu. Claro, todos sabemos que o Vitória é um clube grande, mas é uma equipa com uma mística especial. Vinha da formação do Porto, que também considero ter uma mística muito forte, e quando se chega ao Vitória, sente-se que se chega a um clube grande. Quando vemos de fora, percebemos que têm adeptos diferentes, mas é, realmente, um clube que tem algo de diferente. As pessoas dizem que só quem passa lá é que sente. Infelizmente, não tive a oportunidade de me estrear na primeira equipa, mas marcou-me imenso, apesar de só ter estado um ano. Fico sempre com algum amargo de boca pela minha passagem pelo Vitória, porque considero que podia ter feito mais, demorei a afirmar-me, porque a equipa tinha jogadores com qualidade. Havia jogadores que tinham uma ligação forte com o treinador, porque tinham subido no ano anterior do Campeonato Nacional de Seniores. Tinha jogado contra eles pelo Freamunde, comecei um pouco atrás deles, após muito trabalho consegui começar a conquistar o meu espaço. Estava num momento muito bom, a jogar pelos B, e tive uma lesão complicada que me afastou durante três meses e condicionou-me bastante na minha afirmação no Vitória. Fica um amargo, porque era um clube que eu gostava, sentia-me muito bem, com os valores do clube, aquela mística e raça. Sentia-me muito bem, não foi culpa de ninguém, foi uma lesão que apareceu numa altura importante. Respeitei a decisão do Vitória em não querer renovar, porque queria apostar em jogadores mais jovens na equipa B. Para a equipa A, apesar de terem gostado do meu percurso, não foi suficiente, tive a lesão e poucos jogos. Fica essa pena, mas valeu por ter sido um ano marcante e por ter tido o privilégio de ter representado o clube.

Fonte: Telmo Castanheira
Bola na RedeSaíste do Trofense em 2019, numa fase em que eras um dos elementos mais importantes do meio-campo, ficaste com receio de sair do país ou não pensaste duas vezes quando te apareceu a proposta para ires jogar para a Islândia?
Telmo Castanheira: Estava num momento fantástico da minha carreira, no Trofense as coisas estavam a correr muito bem. Sempre que tive em Portugal, a jogar com regularidade, começam a aparecer aqueles momentos em que surge uma notícia, interesse ou uma abordagem de algum clube ou treinador. Inclinava-me sempre para “ok, vou aguentar aqui, vou ficar, acredito que vou dar o salto para a Primeira Liga”. Ao longo da minha carreira fui pondo de parte algumas propostas para fora, porque tive sempre essa ilusão e vontade de querer representar um clube na principal liga portuguesa. Acreditava que tinha capacidade para tal e, quando as coisas começavam a correr bem, ainda ficava mais confiante. Punha um pouco de parte essas possibilidades de ir para fora, até porque saindo da Segunda B ou da Segunda Liga, nunca aparece aquela proposta para fora que nos deixa: “tenho que ir, não pondero mais nada, acabou”. Não vamos ficar ricos logo no primeiro ano, porque são saltos graduais, a partir de uma Segunda liga ou Segunda B. No Trofense, como já tinha passado por essas situações, em que depois acabava por não se realizar a minha ida para a Primeira Liga, eu, já com 27 anos, ponderei muito, com uma proposta muito atrativa. Não vou dizer que me mandei de cabeça, mas era vantajosa, tanto a nível financeiro como pela própria experiência de ir para um grupo já com alguns portugueses. Um país que foge muito aquela instabilidade que vivemos ao fim do mês, em alguns casos. São países que já sabemos para o que vamos, com outro tipo de cultura, “estabilidade” acho que é a palavra correta para descrever. Atraiu-me muito, pus um pouco de parte aquele sonho de representar na Primeira Liga portuguesa. Na altura, já havia, outra vez, aquele formigueirinho, por causa das abordagens e das notícias, e ficava a imaginar se iria dar ou não. Achei que era a altura certa, não me arrependo, nunca se sabe o que poderia acontecer se eu ficasse, mas tenho a noção de que tomei uma decisão em prol do meu futuro e da minha estabilidade. Hoje, estou feliz, faz parte este tipo de decisões, nunca ficamos a 200% porque não sabemos o que poderia ter acontecido se não tivéssemos ido. Foi algo ponderado, mas com as condições que ofereceram, era muito difícil dizer que não.
«O futebol praticado é muito diferente, sem dúvida, o que me custou mais»
Bola na RedeA adaptação ao novo país, custou-te ao início?
Telmo Castanheira: Custou, sinceramente, custou, porque, apesar de ter a ajuda dos portugueses na equipa, estamos a falar da Islândia, um país com uma cultura totalmente diferente. Apesar de ser da Europa, quase que não sentimos que é deste continente. Desde o clima, a língua, até a moeda é diferente! É um país muito próprio e específico, com diferenças que são bonitas, eu gosto, mas que se sentem. Passando isso para o lado desportivo, em termos do que é o futebol praticado, é muito diferente. Foi, sem dúvida, o que me custou mais. Nos primeiros dois meses, a expetativa sobre mim era alta, até porque o clube pagou ao Trofense. Eu senti isso, o próprio treinador fez questão que eu soubesse e, sendo a primeira experiência no estrangeiro, acusei um pouco ali o primeiro mês. Sentia que o meu futebol não estava a sair tão fluído, por questões de adaptação e por estar a sentir esse peso extra. Depois começou o campeonato, as coisas começaram a correr muito bem, até me recordo, num jogo da taça contra uma das melhores equipas islandesas, fui considerado o melhor em campo e, a partir daí, em termos desportivos, comecei a explodir, sempre em ascendente. A adaptação tornou-se mais fácil, acho que a parte pessoal está muito ligada à parte desportiva. Se a parte desportiva estiver a correr bem, a adaptação é muito mais fácil, até porque as próprias pessoas, não devia de ser assim, mas começam a respeitar-te mais. Com as coisas a correrem bem no futebol, tudo ficou facilitado, sinceramente.
Bola na RedeConsideras que foi mais fácil a tua adaptação devido a teres o Rafael Veloso, Diogo Coelho, e o teu treinador o Pedro Hipólito, dentro da equipa?
Telmo Castanheira: Sem dúvida! Por exemplo, tinha lá o Diogo Coelho que já era meu amigo em Portugal, porque jogámos juntos no Santa Clara. Então, isso facilitou tremendamente, sou muito grato ao Diogo, pela forma que me acolheu lá, e o próprio treinador também ajudou como é lógico. Em termos de adaptação ajudou, mas depois existem situações que não são tão positivas, porque se as coisas começam a correr mal à equipa, é mais fácil acusarem um grupo onde estão os portugueses ou estrangeiros, na altura tínhamos muitos. No ano seguinte, dos estrangeiros, ficámos apenas uns dois ou três. Dos portugueses, fui o único que ficou e transitou para o ano seguinte. Por isso, é muito fácil, havendo muitos portugueses, pagarem todos pelos maus resultados.
Bola na RedeNo 1.º jogo pelo IBV marcaste logo um golo, para ajudar a equipa a cumprir os objetivos, infelizmente a equipa acabou por descer de divisão? Foi um momento complicado no clube?
Telmo Castanheira: Sim, foi um momento complicado. O clube é considerado estável na Primeira Liga islandesa, supostamente, um clube do meio da tabela. Nos últimos anos já estava a cair um pouco. Foi um ano muito estranho, porque o clube começou a fazer as contratações, a definir o plantel, chegou a uma altura, penso eu, por questões financeiras, deparou-se com alguma situação que não estava à espera e cortou um bocado nas contratações, já depois de eu chegar. O plantel ficou um pouco incompleto, viveu alguma instabilidade porque o clube mudou de Direção, e então ficou um pouco à deriva. A equipa ressentiu-se muito disso, descemos de divisão, foi complicado para o clube, mas eles já têm uma cultura muito otimista, não é tão pesado, como seria uma descida de divisão em Portugal. Rapidamente a nova Direção focou-se em preparar as próximas épocas com o objetivo de subida.
Bola na RedeEste ano, conseguiram um segundo lugar, o que vos leva novamente para a primeira liga islandesa, sentes-te motivado para defrontar os melhores do país? Quais são os objetivos do clube e os teus para a próxima temporada?
Telmo Castanheira: Relativamente à subida de divisão, foi alcançada e foi difícil, porque não foi no primeiro ano, foi no segundo, e uma subida é sempre muito difícil, foi um grande feito na minha opinião, o que fizemos este ano. Para o novo ano, o campeonato mudou o modelo, ou seja, os primeiros seis vão disputar uma espécie de playoff, para apurar o campeão e os últimos seis para não descer. Para uma equipa que sobe, o objetivo tem de ser não descer, sendo realistas, é esse o nosso objetivo, a manutenção num primeiro ano de transição. É claro, eu pessoalmente, gostaria muito dos primeiros seis, para poder disputar a última fase com as melhores equipas. Estamos a construir uma equipa para que possa lutar por isso, sabendo que o objetivo primário é sempre a manutenção, só pode ser assim, temos um plantel jovem, e será esse o objetivo numa primeira fase.
Bola na RedeQual é a equipa islandesa que consideras que está melhor apetrechada de valores?
Telmo Castanheira: O futebol islandês tem crescido imenso, têm imensos jogadores jovens a jogar nas grandes ligas europeias, e cada vez mais. Ainda há espaço para evoluir. Em termos de equipas apetrechadas, eu iria para o Valur, uma equipa que em termos financeiros já consegue outro tipo de jogadores. E o atual campeão, o Víkingur Reykjavík, que tem um excelente treinador e está a construir uma ideia de jogo muito interessante. Mas ainda há espaço para evoluir, de forma a serem mais competitivos nas competições europeias. Essas duas equipas e, talvez, o Breidablik, já jogam um futebol muito atrativo e com jogadores de qualidade. Mas, a mais apetrechada em termos de jogadores, é o Valur.
«Acho que o futebol da Islândia acabou por me fazer um jogador mais completo»
Bola na RedeO estilo de jogo praticado no teu clube e nos clubes islandeses em geral é muito diferente do futebol jogado em Portugal?
Telmo Castanheira: Considero, é um futebol mais intenso e físico, menos técnico e pensado. Deve-se muito também à qualidade dos treinadores em Portugal, acho que é um ponto a favor para o nosso país, trabalha-se muito bem. O jogador, como vem de boas formações, com bons treinadores, o jogador português tem mais cultura de futebol e mais cultura tática. O jogador islandês tem mais força, fisicamente são superiores, o jogo torna-se físico, mais rápido e com mais erros. Essas são as principais diferenças, o futebol português mais técnico e tático, o futebol islandês mais físico, rápido e agressivo.
Bola na RedeAgrada-te esse estilo de jogo da Islândia?
Telmo Castanheira: Sim, tive de me adaptar, eu consigo trazer um pouco do meu futebol, já vou para a minha quarta época, nunca serei como eles, que conseguem disputar o jogo todo a duzentos, mas já consigo ser combativo e entrar no jogo físico como eles. Trago um pouco da nossa cultura, do nosso jogo com bola e eles gostam muito, porque trago algo de diferente ao futebol deles, no fundo é por isso que eles me querem na equipa.
Bola na RedeTive a oportunidade de ver alguns clipes teus, pelo que vi, de alguns lances teus, és um jogador com bastante técnica!
Telmo Castanheira: Sim, eu, em Portugal, fiz a formação no Porto e sempre joguei em posições mais avançadas. Sempre tive boa relação com a bola. Ficava um pouco a desejar em termos de intensidade e de dinâmica na recuperação de bola, e foi algo que, ao longo da carreira, fui insistindo nisso e melhorando. Na última época, no Trofense, já estava a um nível muito bom nisso, em termos de recuperação de bola e dinâmica, a jogar mais a box-to-box ou mesmo a seis. Nos aspetos defensivos estava muito bem, na minha opinião, e depois com bola foi algo que sempre me senti à vontade, desde sempre. Quando chego à Islândia, já estou numa fase mais preparada, sem bola em termos defensivos, porque trabalhei muito para melhorar isso. Mesmo assim, desde que cheguei à Islândia, considero que melhorei bastante, porque eles são muito agressivos e fortes. Acho que o futebol da Islândia acabou por me fazer um jogador mais completo.
Bola na RedeConsideras a paragem entre o final do campeonato e o início do próximo um pouco longa demais ou achas que se adequa? Achas que existem dias de competição suficientes para manter o ritmo competitivo?
Telmo Castanheira: A paragem deve-se muito ao clima, porque é mesmo muito difícil jogar de novembro a janeiro, por causa das condições naturais. Agora, eles têm os campos indoor, e acho que cada vez vão ter mais, mas nem todas as equipas têm, o problema é esse. Muitas equipas estão a mudar para relva artificial, de nova geração, para poderem jogar durante mais tempo, porque a relva com a neve acaba por queimar-se muito. Eles já alargaram o campeonato, vai começar em abril, e a tendência será de continuar a alargar, criando as condições para isso. Portanto, eles próprios têm a noção que devem alargar o campeonato e estão a criar condições nesse sentido. Eu sinto que o campeonato é muito curto, os jogadores precisam de mais jogos para evoluir e os próprios clubes, para o campeonato se tornar mais competitivo e até mais apelativo para os outros campeonatos, para contratarem os jovens jogadores, eles precisam de ter mais jogos nas pernas!
Bola na RedeMas, nesta fase, ainda não podemos dizer que estás em fase de pré-época?
Telmo Castanheira: Não, eu até estou em Portugal, neste momento. Volto no final de janeiro. Eles começam a treinar mais cedo, mas deixam-me ficar a preparar-me aqui, como não há competição nesta altura, eles deixam os estrangeiros regressar mais tarde.
Bola na RedeAchas que o frio prejudica muito a adaptação dos futebolistas vindos de fora da Islândia?
Telmo Castanheira: Sinceramente, no meu caso, adaptei-me ao frio. O que condiciona mais é o vento, porque nos dias em que está muito vento, lá consegue ficar um vento muito forte, condiciona completamente o jogo, prejudicando o futebol de jogadores mais técnicos. Porque, às vezes, temos de mudar completamente o nosso jogo. O jogo pode ser de tal forma condicionado, que apesar de uma equipa ser favorita pode ficar uma parte sem conseguir sair do meio-campo, por estar a jogar contra o vento. O vento acaba por condicionar mesmo, muito mais que o frio.

Fonte: Telmo Castanheira
Bola na RedeEntão as equipas que conhecem bem o seu próprio estádio, acabam por poder jogar com isso?
Telmo Castanheira: Sim, isso são curiosidades da Islândia, mas é algo que, com o tempo, vamos aprendendo. Eles já estão habituados, veem se está vento e se vão jogar a favor ou contra, na primeira parte, depois há todo um plano à volta disso. É curioso, mas existe, o estilo de jogo muda e até o próprio treinador pode mudar a tática, caso esteja a jogar contra o vento, fechando mais a equipa e a sair na transição, e na segunda parte ataca com tudo, porque jogam a favor do vento. Pode existir este cenário.
Bola na RedeQual foi a temperatura mais baixa a que já jogaste, tens a noção?
Telmo Castanheira: Já joguei com graus negativos, com dois ou três graus negativos, a sensação térmica é pior. Eu tive um colega, o Rafael, que agora está na Noruega, ele até já tinha estado no país, e dizia que já tinha apanhado temperaturas como vinte graus negativos, mas onde sentia mais frio era na Islândia, talvez, pelo vento ou pela própria sensação térmica, acho que é pior do que a própria temperatura em si.
«Não tinha percebido que tinha sido um golo tão bonito»
Bola na RedeComo é que os islandeses vivem o futebol?
Telmo Castanheira: Eles adoram futebol. É um povo que adora futebol, acompanha muito a Premier League, em Inglaterra, todos têm o seu clube preferido inglês, e acompanham mesmo como em Portugal se acompanha os três grandes, eles acompanham a Premier League dessa forma. São muito apaixonados pelo futebol e vivem muito. Gostam muito de andebol e são bons também.
Bola na RedeDentro do estádio, existe alguma equipa com uma grande massa adepta ou com claques a puxar pelos clubes islandenses?
Telmo Castanheira: As equipas da capital têm mais gente nos estádios, mas isso acaba por ser condicionado pelo tempo, pelas condições meteorológicas, porque se estiver muito frio ou muita chuva, as pessoas preferem assistir pela televisão. No andebol, eles enchem sempre os pavilhões, porque é mais quente. Eles são fortes nessa modalidade, eu por acaso não acompanhava muito, em Portugal, mas comecei a ver jogos de andebol e o espetáculo é muito bonito e dá gosto de ver, passei a gostar.
Bola na RedeJá marcaste grandes golos, mas em especial a tua bicicleta contra o Mirandês teve proporções extraordinárias nos media, tinhas noção que se iria tornar viral?
Telmo Castanheira: Não, não fazia ideia. Nem tinha percebido que tinha sido um golo tão bonito. Lembro-me que tinha feito o golo, mas não fiquei com a noção de como tinha sido, porque foi muito diferente, não me recordava de a bola entrar tão colocada e tão forte. É tudo tão rápido que perdemos um pouco a noção. Recordo-me que cheguei ao balneário, o treinador-adjunto, na altura, o Luís Carlos, chama-me e diz: “Telmo, anda cá ver, tu viste o que fizeste?” Mostrou-me logo no computador o golo. Realmente, depois fiquei com a noção de que tinha marcado, um golo bonito. Pedi ao “prof” para mandar o golo, para ter guardado, mas não tinha noção do impacto que iria ter. O impacto inicial até apareceu mais nos estrangeiros do que em Portugal. O marketing do Trofense disse na altura que tinha enviado o golo para a tv portuguesa, não me recordo qual, mas estes achavam que não iria ter tanto impacto assim, ao ponto de partilharem, porque era um golo da segunda B. Passado um dia, esse mesmo canal, ligou a perguntar se podiam partilhar, porque o golo estava a ter imenso impacto lá fora. O golo só foi partilhado porque tinha tido sucesso no estrangeiro. Na minha opinião, não é assim que deve ser, mas foi um momento para recordar, sem dúvida, para mim.
NUNCA É TARDE PARA RECORDAR 😍🔥👏
PUSKÁS 2019 – Telmo Castanheira
O que sentiste quando viste este golo?🤯😱 pic.twitter.com/1yuICjEj7O
— TROFENSE DA DEPRESSÃO (@TrofensedaDepre) May 21, 2019
Bola na RedeÉ pena, porque o destaque para as ligas secundárias também é importante, mas agora com o canal 11, as coisas melhoraram um bocadinho, não achas?
Telmo Castanheira: Sem dúvida, melhoraram bastante, estou totalmente de acordo. É de louvar o trabalho do canal 11. Têm sido fantásticos. Sou admirador e estou sempre a ver esse canal, mesmo na Islândia. Acho fantástico o trabalho que eles fazem, de acompanhar as divisões inferiores, valorizar o jogador português e de falar sobre futebol, já era sem tempo, em vez de estarem a falar sobre coisas que toda a gente sabe que existem, mas que não vale a pena estarmos a dar destaque, quando o nosso amor é pelo futebol, e não pelas coisas más que andam à volta. Estas situações vão existir sempre, mas cabe a nós darmos o peso ao que queremos, neste caso o que vale é a parte bonita do futebol. O canal 11 e outros intervenientes que vão aparecendo, estão a promover o nosso futebol e jogadores, e isso é muito bom, fico muito feliz por isso!
Bola na RedeAinda ontem dei por mim a ver o jogo S.João de Ver com o Anadia, e foi um jogo espetacular!
Telmo Castanheira: Eu por acaso também vi, alguns momentos do jogo, ter essa possibilidade é muito bom. Existe qualidade em Portugal, trabalha-se muito bem, existem jogadores e treinadores de qualidade, com clubes a trabalharem bem nas divisões inferiores. Quanto mais publicidade tiverem, talvez, os clubes também percebam que, às vezes, não é preciso fazerem “negócios da China”, com o bom negócio a estar perto dos olhos deles.
«Numa seleção com William Carvalho e Sérgio Oliveira, joguei contra jogadores da seleção espanhola como Koke, Muniain e Isco, isso é um privilégio»
Bola na RedeAté ao momento, para ti, esse foi o momento mais bonito marcante na tua carreira?
Telmo Castanheira: Já tive alguns momentos bonitos, que me marcaram muito por diferentes razões. A bicicleta vai ficar para sempre, pelo impacto que teve. Mas, recordo-me, o golo que faço na Islândia, na casa de uma das melhores equipas, foi o meu primeiro golo para o campeonato, é também muito bonito, foi falado por lá. Foi no mesmo ano do golo de bicicleta pelo Trofense. Tive momentos bonitos, cada um com o seu valor. Ter sido considerado o jogador do ano, no meu primeiro ano de Islândia, é algo importante, porque foi o primeiro fora do meu país e da minha zona de conforto, senti-me muito bem ao reconhecerem isso. Tive momentos bonitos na formação, com a minha primeira internacionalização pela seleção portuguesa, a cantar o hino, é algo inexplicável, lembro-me de ter ficado todo arrepiado a cantar. São coisas que marcam, é um privilégio e orgulho que, na altura, não tinha noção disso, eu só estava lá para jogar futebol e chamavam-me para ir jogar e eu ia. Hoje, olho e vejo que representei o meu país, naquela altura, fui considerado entre vinte jogadores, numa seleção com William Carvalho e Sérgio Oliveira. Joguei contra jogadores da seleção espanhola como o Koke, Muniain e Isco, e isso é um privilégio. São coisas que, quando tiver um filho, posso dizer-lhe que joguei na seleção portuguesa. No FC Porto tive outros, o golo que fiz contra o Benfica, que deu o título em juvenis, são muitos momentos bonitos que vou guardar no futuro. Faço o que gosto, esses momentos são reconfortantes. Também acontecem momentos menos bons, de superação, lembro-me de na Islândia, na primeira época, estarmos a passar mal porque os resultados não iam aparecendo, mas ter tido aquele meu primeiro golo, teve uma importância a dobrar, um peso forte.
Bola na RedeDe que sentes mais falta de Portugal?
Telmo Castanheira: De quem sinto mais falta é da minha namorada, neste momento não pode estar comigo, porque é médica e está a terminar a especialidade. Vai sempre que pode lá e fica algum tempo, é o que me custa mais, a distância. Dos amigos e do clima também sinto falta. O clima da Islândia, às vezes, priva um pouco a vida social. Muitas vezes, temos de ficar fechados em casa, porque há uma tempestade, sinto falta do clima em Portugal, beber um café à beira da praia, andar de t-shirt. São coisas que damos por garantidas, e , quando estamos num país diferente, sentimos um pouco a falta. De resto, é um sítio que me via a viver durante mais uns anos, tendo lá a minha família, a minha namorada e o meu cão.
Bola na RedeAinda desejas um dia voltar a jogar em Portugal? Tens preferência por algum clube?
Telmo Castanheira: Sendo profissional de futebol, quando me perguntam sobre jogar no meu país, ainda por cima num que se joga tão bem e com tanta qualidade, é claro que existe sempre essa possibilidade. Não tenho pressa, ou desespero de vir para Portugal e aceitar condições que eu sei que mereço melhor, esse é o grande problema, quando falo em regressar. Tenho noção, pelo facto de jogar na Islândia, talvez, haja treinadores que torçam um pouco o nariz, porque é um campeonato com menor credibilidade, tenho noção disso. Tenho a certeza que me iria dar bem a jogar em Portugal, mas, neste momento, com toda a modéstia, não venho para qualquer projeto, só mesmo um que fosse interessante a vários níveis, sabendo que equiparável às condições da Islândia é quase impossível. Certamente, não viria para clubes que me podem oferecer isso, teria de abdicar de algumas coisas, e focar-me mais na parte desportiva. Tenho 29 anos, não fecho as portas, e veria com bons olhos, mas teria de ser um projeto que achasse interessante em termos desportivos.
«Na Islândia há uma grande diferença entre o jogador estrangeiro e o jogador islandês»
Bola na RedePara termos mais ou menos a noção, em termos monetários, sentes que os clubes islandeses têm maior capacidade do que os da Primeira Liga portuguesa?
Telmo Castanheira: Na Islândia há uma grande diferença entre o jogador estrangeiro e o jogador islandês. Os estrangeiros recebem muito mais do que o islandês. Existem jogadores islandeses na primeira liga islandesa que não são profissionais. Essa é uma diferença muito grande. Apenas os jogadores islandeses das cinco melhores equipas da Islândia é que são profissionais, os outros não são. Os estrangeiros são todos profissionais, inclusive na segunda liga e, às vezes, até na terceira liga, porque eles têm essa possibilidade e dinheiro. Depois, depende muito das equipas, posso dizer que há equipas da segunda liga que pagam mais a estrangeiros do que equipas de primeira. A minha equipa, como é um clube de uma ilha pequena, faz um esforço extra para pagar aos estrangeiros. Depois existem os patrocinadores, com algumas empresas grandes do peixe, que metem dinheiro no clube e ajudam a pagar os salários aos estrangeiros. Se eu fosse a ver equipas que lutam para não descer em Portugal, com as equipas de top da Islândia, acho que na Islândia se está a pagar mais. Mas também já não estou em Portugal há muitos anos. As equipas de topo, de lá, pagam muito bem, e em dia, mas isso é outra questão. Posso dizer que já passei por muitas situações complicadas em Portugal, infelizmente.
Bola na RedeSe pudesses escolher uma liga internacional para vires a jogar um dia, qual escolherias?
Telmo Castanheira: Eu acho que escolheria a Espanha, na minha opinião é a que tem o futebol mais completo. Adoro a Premier League, pelo espetáculo em si, reconheço que as equipas de topo de Inglaterra também jogam um futebol que eu adoro, mas considero que em Espanha, em termos de qualidade, joga-se muito bem, qualquer equipa consegue jogar um futebol ofensivo. Às vezes vejo um Real Madrid contra uma equipa que luta para não descer, e essa equipa apresenta processos que lhe permitem ter bola contra o Real. Jogam um futebol atrativo, não jogam para o pontinho, e eu admiro isso no futebol espanhol. Apresentam intensidade, sem bola são muito agressivos, não terão a capacidade física do futebol inglês e o espetáculo dos estádios de Inglaterra que ficam um pouco acima, mas, na minha opinião, apresentam o futebol mais completo. É o futebol que eu mais gosto de ver.
Bola na RedeRecomendarias algum colega de profissão a aceitar a oportunidade de ir jogar para o campeonato islandês?
Telmo Castanheira: Depende de muitos fatores, da idade e se está na Primeira Liga ou na Segunda B, por exemplo. Da Segunda B, diria a todos que sim. Se estivessem na Segunda Liga, diria a 80%. Na Primeira Liga, talvez não, porque é uma montra fantástica e deverão sempre ambicionar outros voos e patamares, sem ser a Islândia. Na Segunda Liga, se forem jovens devem tentar fazer uma boa época para atingir outros patamares, uma Primeira ou ir para o estrangeiro, para países melhores que a Islândia. Se já tiverem alguma idade, a jogar na Segunda Liga, e não forem reconhecidos, com condições oferecidas por um clube, aí procurar Islândia ou outros países nórdicos, Suécia, Noruega, Dinamarca. São propostas muito aliciantes, quando chegamos a uma certa idade temos de pensar que o futebol acaba, e é preciso pensar no que vem depois.
Bola na RedeA nível mundial, quem é o jogador que consideras uma referência a jogar na tua posição?
Telmo Castanheiro: Eu, na Islândia, comecei a jogar um pouco mais recuado. Em Portugal jogava a oito, depois, quando mudei para a Islândia, comecei a jogar muito a seis. No meu primeiro ano, eles chamavam-me na brincadeira de “Matic”, que está no Manchester, até porque sou esquerdino. É um jogador que gosto muito de ver jogar, já está numa fase descendente, mas gostava muito do Matic no seu melhor, pela maneira que utilizava o corpo e o pé esquerdo, a capacidade de decisão e de visão de jogo. Há muitos jogadores que eu gostava e que ainda hoje gosto. Se eu fosse a dizer por características, talvez pelo pé esquerdo e por ser alto, diria o Matic, e até pela comparação que foi feita na Islândia. Vejo muitos que são referências para mim e tento aprender com eles.
Passes Curtos
Bola na RedeNo FM 22 tens o passe, a técnica, a compostura e a agressividade como atributos principais, achas que faz jus a ti como jogador?
Telmo Castanheira: Sim, acho que não está mal.
Bola na RedeTrês coisas boas ou que se destacam na Islândia, que te fazem querer gostar do país?
Telmo Castanheira: Qualidade de vida, natureza e comida.
Bola na RedePreferias vencer o campeonato islandês ou jogar a fase de grupos de uma Liga Europa?
Telmo Castanheira: A fase de grupos é uma fase grupos, mas um título também é um título, é complicado. Mas, talvez, ser campeão, até porque depois dá acesso à Liga Europa e há sempre chance de lá chegar. O ÍBV foi à Liga Europa no ano anterior, da minha entrada, através da taça. As equipas que investem mais têm como grande sonho chegar à fase de grupos de uma Liga dos Campeões, mas nunca conseguiram e ainda estão um pouco distantes disso.
Bola na RedeNúmero preferido para a camisola?
Telmo Castanheira: Oito.
Bola na RedeNo Trofense, era o número dez, correto?
Telmo Castanheira: Sim, era, eles na altura não tinham dez e pediram-me para eu ficar com ele. Eu não queria muito, porque não acho que joguei como um dez. As pessoas, quando veem um dez, esperam coisas um pouco diferentes, e eu sou um pouco mais prático dentro de campo, não tenho a fantasia do número dez, digamos assim, que em Portugal é normal ter. Eles pediram, eu fiquei, e acabei por dar um pouco de fantasia com a bicicleta, se calhar foi por causa disso (risos).
Bola na RedeTática preferida?
Telmo Castanheira: Eu gosto do 4-2-3-1. Mas, agora, vejo a tática do Rúben Amorim a jogar, e quem é que não gosta? É incrível o trabalho que ele está a fazer, é fantástico, gosto dele dentro de campo, nas conferências de imprensa, da postura, a forma da equipa dele jogar, tudo, tem sido um trabalho a roçar a perfeição! A relação dele com os jogadores, com a imprensa, a postura dele é fantástica, tem sido muito bom ver o Rúben Amorim.
Bola na RedeAchas que, neste momento, é o melhor treinador em Portugal?
Telmo Castanheira: Outros treinadores já têm currículo para trás. Se avaliarmos pelo que está a ser feito, tem que se dar esse mérito. O Sérgio Conceição já tem uma história bonita no Porto, Jorge Jesus já tem a sua história no Benfica, no passado, e no Flamengo, apesar do campeonato brasileiro ser um pouco diferente. Mas, em Portugal, tem de ser dar mérito ao Rúben, sem dúvida.
Bola na RedeQual é o teu passatempo preferido?
Telmo Castanheira: Falámos no FM, é um dos meus passatempos preferidos. Tudo o que seja relacionado com futebol, neste momento, ver o canal 11, os comentadores a falar dos jogos e a analisar. Gosto de ler livros relacionados com futebol, de debates de treinadores a falar de táticas, jogadores e da parte mental do jogo.
Bola na RedeExiste alguma recomendação de livro, que possas dar?
Telmo Castanheira: O último livro que estava a ler foi um livro feito na quarentena, escrito pelo Rémulo, que agora é diretor-desportivo do Leixões, o livro chama-se: “Descodificando o treinador e o jogo”. São partilhas dos treinadores sobre várias situações de jogo, desde a construção a sair a jogar, a transição, jogar em posse, gestão de plantel, e cada treinador vai dando o seu feedback. É um livro interessante, gosto sempre de saber o que os treinadores pensam, a maneira deles de ver o jogo, até para o meu futuro como treinador.
Bola na RedeQual é a tua comida preferida?
Telmo Castanheira: Não sou nada esquisito em termos de alimentação. Muito difícil, não tenho nenhum prato preferido. Gosto muito da nossa comida, do nosso peixinho e da nossa carne.
Bola na RedeMuito obrigado, pela entrevista, Telmo, foi uma conversa muito fluída!
Telmo Castanheira: Agradeço pelo interesse em fazer esta entrevista. Tenho todo o gosto, estando fora, este tipo de entrevistas tem um peso diferente, gostei muito [cão ladra] e o meu cão também (risos).









