«Tinha tudo acertado com o Sporting CP, mas o Costinha foi despedido e o negócio caiu» – Entrevista BnR com Matheus

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– A aventura pela China e o desejo de regressar a Portugal –

«Portugal? quem sabe se no futuro vou aí para um clube»

BnR: E como apareceu a China?

M: A China apareceu numa altura em que eu estava muito preocupado e, graças a Deus, eu deixo tudo para a última [risos]. Estava deitado numa rede no Brasil, o meu empresário ligou-me e falou numa situação na China, só que eles só me queriam por cinco meses, para o resto do campeonato. Eu disse que não, que não estava certo e só faltava um mês para fechar o mercado. Aí apareceu o PAOK, dois anos de contrato, coisa linda e eles enviaram-me o pré-contrato para o Brasil, assinei, apresentei-me lá, fiz os exames e fomos para o hotel. Nessa mesma noite, o clube chinês manda um e-mail ao meu empresário a dizer que me davam um ano e meio de contrato, com as mesmas condições que o PAOK, só que era tudo pago em ano e meio e não dois..

BnR: Esses valores, comparados com o Dnipro, eram melhores ou piores?

M: Eram iguais, não mudava nada. O do PAOK seria menor, mas compensava porque eram dois anos. Eu disse que já tinha um pré-contrato com o PAOK, que estava assinado. Às nove da manhã fiz os exames no hospital e às dez estava no hotel com o Léo Matos, o Shakhov e o Djalma, que também tinham assinado, e à tarde era a apresentação no estádio. Só que o meu empresário meteu-me um travão porque o advogado viu pequenos erros no nosso pré-contrato, havia maneira de ir à FIFA e ganhar, e eu liguei ao Rúben Micael – que já estava no clube chinês – ele disse que eles cumprirem com o que acertam, que vão aprendendo a cada dia, porque eram um clube novo. Só que, naquela altura, eu não tinha dinheiro, pedi cinco mil euros ao Léo Matos para ir para a China. Nem fizemos o check-out do hotel, fui de táxi para o aeroporto com o Marcelo, ele comprou o bilhete Salónica-Hong Kong pelo caminho e em Hong Kong já tinha alguém à minha espera para me levar para o clube chinês. Entretanto o diretor do PAOK ligou para o meu empresário e ele disse «nós estamos no aeroporto e vamos para a China». Ele ficou maluco, disse que ia à FIFA, só que nós dissemos que não queríamos conflitos e que a situação na China era mais vantajosa. Ia ganhar o mesmo em ano e meio, mais bónus. O PAOK acabou por aceitar rescindir o pré-contrato por erros de digitação, o meu empresário ficou amigo do diretor do PAOK, levava jogadores para lá e, desde então, eu estou na China… Já há quatro anos, um mês e um dia.

Matheus ao serviço do Shijiazhuang Ever Bright, da Superliga chinesa
Fonte: Cortesia – Matheus

BnR: E que futebol é que encontraste na China?

M: O que descobri é que o futebol na China está a crescer a cada ano e, da mesma forma que saí do SC Braga para o Dnipro, saí na perspetiva do futebol na Ucrânia estar a crescer com o Shakhtar, Dínamo, Dnipro. Estavam a ir jogadores famosos para a China, o clube que eu vim tinha o Diego Maurício, o Rúben Micael, o Mario Rondón, jogadores que eu conhecia. Eles cumprem, fazem tudo certo, o clube está a crescer, o campeonato está a crescer e eu vim com esse objetivo de ajudar no crescimento do campeonato chinês e do clube, quer dentro de campo, quer com os mais jovens, a tentar ensinar-lhes alguma coisa.

BnR: Então já está a aparecer um Matheus treinador?

M: Eu tenho o conhecimento. Eu olho muito, analiso muito… Não o futebol, mas os treinadores. Li uma vez uma reportagem do Mourinho e ele dizia que «se quiseres ser treinador, vem fazer coisas diferentes e não o mesmo que os outros». Eu quero ser um treinador assim, que chega, faz o curso e faz um trabalho diferente em vez de abrir o Google e pesquisar o que é que o Guardiola ou o Klopp fazem. Eu quero fazer o meu trabalho.

BnR: Na China, no Brasil ou até em Portugal?

M: Não te vou mentir: um amigo meu, que é empresário em Portugal, mandou-me mensagem ontem a perguntar como estava a minha situação, se tenho em mente voltar a Portugal e eu disse «quem sabe?». Eu só sei que, neste momento, estou a dar-te uma entrevista, só sei isso. Mas se desse para voltar a Portugal para jogar… O pessoal pergunta como é que eu tenho 37 anos se faço sempre 12 quilómetros por jogo e eu só digo que é de família. Nem faço ginásio, só como bem. Por isso, quem sabe se no futuro vou aí para um clube, o futuro a Deus pertence.

Matheus durante um treino do Shijiazhuang Ever Bright
Fonte: Cortesia Matheus

BnR: Olhando para trás, há algum clube que gostavas de ter representado?

M: Tem… Agora não muito, mas antes tinha uma vontade imensa era passar pelo Corinthians. Já em Portugal era jogar pelo Sporting, na altura em que estava aí. Porque muitos jogadores que foram ligados ao Corinthians passaram pelo Sporting e eu ficava naquela: «quem sabe se um dia…»

BnR: Já agora, não sei se sabes, mas agora o Carlos Carvalhal vai ser treinador do SC Braga…

M: Rapaz, até vou mandar mensagem para ele! Não nos falamos muitas vezes, mas ele chegou a tentar levar-me para Inglaterra uma vez, só que não tinha o passaporte e não deu. Mas amigo não é aquele que manda-te mensagens todos os dias, é aquele que de vez em quando te pergunta «como estás». Fico muito surpreendido e acho que o SC Braga fez uma decisão muito acertada. Com o plantel que têm, isto se não perderem alguns jogadores, podem surpreender no próximo ano.

BnR: Até podem lutar pelo título?

M: Olha, o SC Braga não é grande, é enorme. Hoje, pode lutar com qualquer um. Querendo ou não, a briga é contra Benfica, FC Porto e Sporting e está aí a prova que o SC Braga pode ganhar. No último jogo ganhou ao FC Porto e acho que pode fazer melhor que o que tem feito. Quem sabe, lutar pelo título do campeonato português, que já está bem na hora.

Foto de Capa: Cortesia – Matheus

João Reis Alves
João Reis Alveshttp://www.bolanarede.pt
Flaviense de gema e apaixonado pelo Desportivo de Chaves - porque tem de se apoiar o clube da terra - o João é licenciado em Comunicação e Jornalismo na Universidade Lusófona e procura entrar na imprensa desportiva nacional para fazer o que todos deviam fazer: jornalismo sério, sem rodeios nem complôs, para os adeptos do futebol desfrutarem do melhor do desporto-rei.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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