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Fernando João Lobo Aguiar. Ou Robocop, uma alcunha dos tempos no Beira-Mar. Puxamos a cassete para trás e recordamos um lutador, que jogava por amor à camisola mas que, no início da carreira, se perdia nas saídas à noite. A vinda para o Norte e o início do namoro sossegaram Fernando Aguiar e relançaram a sua carreira, a qual Toni sentenciou o fim mas meses depois acabou a contratá-lo. No Benfica, recorda uma “casa a arder” quando chegou, a transformação do clube e a explicação que Luís Filipe Vieira nunca deu. Fazemos fast forward na história e aterramos esta época em Guimarães, onde Fernando Aguiar foi treinador adjunto de Tiago. A saída foi prematura, ao fim de apenas três jogos, e Fernando explica a situação por quem a viveu por dentro.

– Lutador, jogar por amor à camisola e as saídas na Madeira –

«Quem realmente me viu a jogar recorda o lutador. Dizem-me “Fazias falta neste meio-campo” e “Jogavas com amor à camisola”»

 

Bola na Rede: Estava a ver o teu Instagram, puseste há bocadinho uma fotografia com o João Pinto, num derby…

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Fernando Aguiar: Ehehe, já lá vão alguns anos.

Bola na Rede: Lembras-te desse jogo?

Fernando Aguiar: Acho que esse foi em Alvalade.

Bola na Rede: Foi o do golo do Geovanni?

Fernando Aguiar: Foi. O Sporting dominou a primeira parte. Depois eu e o Geovanni entrámos perto dos 50 minutos e começámos a controlar o jogo. Eu tive uma oportunidade num canto, em que o Pedro Barbosa tira em cima da linha. O Geovanni também teve um remate perigoso antes de fazer o golo e depois fez aquele golo. Foi importante porque conseguimos ganhar.

Bola na Rede: Foi importante também porque se decidia o 2º lugar, que na altura dava acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Fernando Aguiar: Sim, o Benfica passou para o 2º lugar com essa vitória e conseguiu o acesso à pré-eliminatória da Champions.

Bola na Rede: O que é que as pessoas mais te recordam quando te encontram na rua?

Fernando Aguiar: Quem realmente me viu a jogar recorda o lutador. Ainda hoje em dia, quando as coisas não estão bem no Benfica, dizem-me “Fazias falta neste meio-campo” e “Jogavas com amor à camisola”. Esse tipo de coisas que sabe sempre bem.

Bola na Rede: Recebes muito carinho da parte dos adeptos do Benfica?

Fernando Aguiar: Sim, não me posso queixar. Claro que nem toda a gente gosta de nós, faz parte da vida, mas acho que uma coisa que mudou muito foi o pensamento dos benfiquistas em relação àquilo que era o Benfica antes de 2003. O Benfica estava a passar uma fase muito má e acho que a partir de 2003/2004 conseguiu criar uma estrutura e saber o que queria para o futuro. Passaram no clube jogadores como eu, como o Petit, no meio-campo, que faziam a diferença.

Bola na Rede: É uma das críticas que mais se faz hoje em dia ao clube, a falta de referências e de jogadores que coloquem a exigência lá em cima. Havia o Rúben Dias, mas acabou por sair.

Fernando Aguiar: Sim, eu acho que isso foi uma das coisas que em 2003/04 começou a transformar a equipa. Claro que há anos que não correm tão bem mas uma pessoa é lembrada pelos adeptos do Benfica, sobretudo quem pega e, como eles dizem, pelo amor à camisola.

Bola na Rede: Robocop foi uma alcunha que gostavas que não tivesse pegado?

Fernando Aguiar: Não, tranquilo. Nunca levei a mal. Acho que uma alcunha é sempre bom sinal para um jogador. Foi na altura do Beira Mar, um jornalista do Record começou a chamar-me isso e ficou.

Bola na Rede: Foste 13 vezes Internacional A pelo Canadá. Nunca houve hipótese de representares a seleção portuguesa?

Fernando Aguiar: Eu escolhi a seleção do Canadá na altura porque eu não fazia ideia que ia chegar ao topo do futebol português. A seleção canadiana apareceu quando eu ainda estava no Marítimo, estava a começar a carreira. Se calhar se voltasse atrás faria a mesma coisa, porque nasci em Portugal mas fui criado no Canadá e tenho uma paixão muito grande pelo país e pela cidade de Toronto. Se calhar conseguiria melhores coisas com a seleção portuguesa mas também ninguém tem a certeza se eu seria chamado.

Bola na Rede: Há um momento que define a tua vida no futebol?

Fernando Aguiar: Acho que a partir do momento em que vim para o Norte. Estava na Madeira e claro, há histórias. As coisas não correram tão bem na Madeira porque era uma ilha, uma pessoa não era convocada e saía muito à noite.

Bola na Rede: Para o Vespas?

Fernando Aguiar: Sim, sim. A partir do momento em que vim para o Norte, comecei a namorar e sosseguei. A partir daí consegui lançar a minha carreira e acho que o momento chave foi quando fui para o Beira-Mar. Eles desceram de divisão mas ganharam a Taça e logo a seguir subimos de divisão. Aí foi a viragem da minha carreira enquanto futebolista.

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