A IDEIA DE JOGO – CONCEITOS TÁCTICOS E O PAPEL DO JOGADOR

Goste-se ou não, José Peseiro é indiscutivelmente um dos treinadores portugueses com mais conhecimento sobre o jogo. Desde que começou a carreira, no União de Santarém, foi sempre a aprender, mas não sem dispensar uns auxiliares de memória. “Se não escrevermos aquilo que sabemos, esquecemo-nos. O registo é fundamental”. O actual treinador do FC Porto reforçou a importância de “pôr nas gavetinhas”, mesmo que o conteúdo não seja o melhor. “Tenho vergonha daquilo que fiz naquela altura”, confessa. Inventou-se, reinventou-se e voltou a inventar-se. Ainda não parou e promete não parar. “Nós agarramos no conhecimento, ninguém inventa nada”, afirma. No entanto, não tem dúvidas de que “os treinadores portugueses são dos melhores do mundo a criar” e é isso que os valoriza.

As ideias de Peseiro são bem vincadas e facilmente identificáveis, embora estejam sempre dependentes do contexto real. Não esconde a preferência pela posse de bola, por “uma equipa afirmativa”, diz que a Laranja Mecânica lhe ensinou o que era a mobilidade, mas não deixa de dar mérito aos conjuntos que “mandam no jogo através do processo defensivo” e explica como o fazem. “As equipas que defendem levam o adversário para certas zonas de pressão e, consoante a zona em que recuperam a bola, partem para a transição ofensiva”.

Em termos individuais, sublinha a importância da tomada de decisão – “o que mais conta no jogo” – e garante que “o pior jogador que treinamos é aquele que não sabe o que vale”. Porém, está seguro de que os treinadores têm muito que aprender com os atletas e considera haver muita riqueza individual no futebol actual. “Eu acredito que eles fazem coisas em que os treinadores nem sequer pensaram”. Mas, para que isso aconteça, é necessário tirar o melhor rendimento de cada um, adaptando as exigências. “Como é que um jogador com menos maturidade e capacidade de decisão [dependente do tempo e espaço] que outros se adapta a um determinado exercício? Se calhar precisa de mais 2 metros”, reconhece. Uma boa relação entre treinador e jogador deve permitir a aprendizagem a este último. “Devemos levar os jogadores a fazer o que nós queremos de forma consciente”, reforça.

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